Mesmo com tantos dependentes químicos em NH, governo Finck não renova convênio com tradicional entidade

A entidade atua há 17 anos no acolhimento e recuperação de pessoas com dependência química

A psicóloga Rosângela Scurssel esteve na Câmara de Vereadores falando do trabalho realizado pela Caudeq. Jaime Freitas/CMNH

Em setembro do ano passado, o Portal Martin Behrend publicou a reportagem: “Um drama para dependentes químicos: Prefeitura de NH não deve fazer nova licitação para serviço de tratamento”.

A matéria destacou que: “A sequência no tratamento de dezenas de dependentes químicos em Novo Hamburgo está mergulhada num cenário de incertezas. O motivo envolve uma decisão da Prefeitura de Novo Hamburgo. O contrato que estava em vigor até 8 de setembro era com o Centro de Atenção Urbana à Dependência Química (Caudeq), localizado no bairro Operário, perto do Hospital Municipal.”

A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/risco-para-dependentes-quimicos-prefeitura-de-nh-nao-deve-fazer-nova-licitacao-para-servico-de-tratamento .

CÂMARA DE VEREADORES

Nesta semana, a diretora-presidente do Caudeq, Rosângela Scurssel, esteve na Câmara de Vereadores para questionar a decisão da Prefeitura de não renovar o convênio que mantinha com a entidade para o atendimento de pessoas com dependência química.

Psicóloga e ex-presidente do Conselho Municipal de Assuntos sobre Drogas (Comen), Rosângela afirmou que a ausência de políticas públicas voltadas ao setor contribui para o aumento da população em situação de rua no município, já que grande parte dessas pessoas enfrenta problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

A entidade atua há 17 anos no acolhimento e recuperação de pessoas com dependência química, oferecendo acompanhamento médico, psicológico, terapêutico, de enfermagem e assistência jurídica. Segundo Rosângela, mais de 20 profissionais especializados trabalham no tratamento de dependências e outras compulsões.

Durante o pronunciamento, a psicóloga mencionou o crescimento da população em situação de rua na cidade e perguntou se este seria o momento adequado para encerrar um serviço voltado justamente ao atendimento dessa parcela da população. Ela também ressaltou a relação entre o uso abusivo de álcool e drogas e casos de violência doméstica.

Rosângela relatou que, em agosto do ano passado, a entidade recebeu um e-mail da atual administração municipal informando que a parceria, mantida por mais de uma década, não seria renovada. Segundo ela, a comunicação causou indignação entre colaboradores, acolhidos e familiares. “A forma como isso nos foi comunicado nos feriu. Não só a mim, mas aos colaboradores, aos acolhidos e às famílias”, declarou.

Ela destacou que o Caudeq era a única comunidade terapêutica conveniada com a administração municipal, após ter sido selecionada por meio de edital público.

Ao relembrar a trajetória da instituição, Rosângela ressaltou que o trabalho desenvolvido busca resgatar vidas por meio de terapias comportamentais, tratamento medicamentoso e investigação das causas subjacentes da dependência química. “Temos vagas, mas não temos recursos para receber as pessoas, tratar sua dependência e fazer com que não voltem para as ruas”, afirmou. A psicóloga disse ainda que aguarda há um ano por respostas da gestão municipal sobre a possibilidade de retomada da parceria.

ENCONTRO

Na terça-feira, a entidade esteve no Centro Administrativo Leopoldo Petry para uma reunião com o prefeito Gustavo Finck (PP). Após quase uma hora de espera, a Caudeq foi recebida por uma assessora do chefe do Executivo. O encontro praticamente não representou evoluções na pauta.

Segundo apurado pela reportagem, a Prefeitura alega ter recebido a orientação do governo federal de que a verba encaminhada para o município para tratamento da dependência química deve ser usada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS – e não para comunidade terapêutica. Contudo, a Caudeq aponta que as comunidades terapêuticas, que é o caso do CAUDEQ, fazem parte da RAPS através da Portaria GM/MS 3088/211. Atualmente, são cerca de 20 leitos vazios sem poder atender e recuperar as pessoas em razão da falta de cobertura.

Após um ano de espera, a entidade continua com seu futuro indefinido, assim como tantos moradores de rua que poderiam estar sendo acolhidos e recuperados.

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