A primeira semana de funcionamento das novas regras do estacionamento rotativo (Faixa Nobre) mudou o cenário na região central de Novo Hamburgo. Dentro do
espírito democrático e coibindo a postura de espertinhos que se apropriam de lugares para seus carros,
vagas apareceram e facilitaram a vida de quem precisou estacionar em ruas como Bento Gonçalves, Lima e Silva, David Canabarro, Joaquim Pedro Soares, Júlio de Castilhos, Joaquim Nabuco, Eng. Ignácio Christiano Plangg, Pedro Adams Filho, entre outras. Circulei nesta semana em dois horários diferentes,
13h15 e 16h30, e os espaços livres se repetiam.
Só que o cenário do Centro ganhou um outro personagem: o guincho. Com a mudanças das regras, os guinchos passaram a ter trabalho – e faturamento – extras. Lembrando duas das mudanças impostas pela Prefeitura: foi reduzido o tempo de 20 minutos de isenção, para 10 minutos; e o veículo poderá permanecer estacionado na vaga pelo tempo máximo de duas horas, sem possibilidade de acréscimo. Com as novas diretrizes, não são mais emitidas notificações de estacionamento irregular. Passado o tempo de 10 minutos o fiscal poderá acionar um agente da Guarda Municipal para autuar o veículo, com base no artigo 181, inciso XVII, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que inclui multa de R$ 53,20, três pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e remoção do veículo.
Um leitor escreveu e-mail sugerindo nova alcunha para o prefeito de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT): "Papai Noel dos Guinchos".
Nesta semana, recebi quatro registros fotográficos de carros sendo guinchados, mas teria sido um número maior de ocorrências. Uma das queixas da população: tem Guarda Municipal para multar e guinchar, mas quando é para impedir assaltos, controlar o trânsito ou coibir ação de flanelinhas a Guarda quase nunca tem tempo ou viatura.
Dentro deste novo sistema, quem também comemora são os fiscais da Faixa Nobre. Mesmo com a visível redução de trabalho, os 32 funcionários foram mantidos no cargo. Como não precisam
colocar os avisos de 20 minutos de tolerância, eles estão com tempo de sobra para papear, se reunir e, eventualmente, vender cartões de Faixa Nobre. Durante a semana flagrei grupos de fiscais papeando, dando risadas e curtindo a nova fase. A principal tarefa deles, com as novidades, é cronometrar mentalmente se algum veículo está estacionado por mais de 10 minutos sem cartão
e chamar a Guarda para multar e guinchar.
Procurei nesta sexta-feira lideranças de quatro entidades que respondem por significatica
parte da arrecadação de tributos e geração de empregos no município. Fiz dois questionamentos sobre essa nova realidade do estacionamento rotativo – 10 minutos de tolerância – e a política de guinchar veículos. Recebi as seguintes avaliações:
Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV) – Marco
Kirsch (diretor de Relações Institucionais):
“Para a entidade, a análise seria uma inversão do princípio dos pedágios no RS. Ao invés de abonar os locais, isentando da cobrança na praça de pedágio, uma primeira sugestão é a de que não ocorra esta prática com os veículos de placas de trânsito de outras cidades, afinal, é uma atitude hostil demais. Ao mesmo tempo, cabe uma melhor avaliação do quanto esta prática ensina e quanto ela maltrata o cidadão que tem de ir até a sede do guincho, pagar despesas e empregar tempo nas questões burocráticas como parte da infração. Parece uma punição excessiva e que vai ao extremo do que antes terminava na advertência. A simples multa seria mais eficiente para a arrecadação do município e menos cruel com o tempo das pessoas.”
Sindicato de Gastronomia e Hotelaria de Novo Hamburgo, Estância Velha, Campo Bom, Sapiranga, Ivoti e Dois Irmãos (SindGastrHô) – César Silva (presidente):
“Em relação ao aparecimento de vagas, entendo que a diminuição do tempo foi o principal fator. Sobre a questão dos guinchos e visitantes, o sistema de estacionamento rotativo existe em várias cidades, sendo de conhecimento dos visitantes. Entendo que essa solução deveria passar por uma consulta entre as empresas, população e a Prefeitura para a solução de forma mais adequada. Acredito que nossa Guarda Municipal tem orientação para educar em primeiro lugar. Mas da forma que está o modelo, acredito que pode penalizar e encarecer a vida dos visitantes a cidade, se chegarem a ser multados e guinchados.”
Sindicato do Comércio Varejista de Novo Hamburgo (Sindilojas) – Remi Scheffler (presidente):
“Em relação ao aumento de vagas tem a ver com o novo sistema, o que é bom para o comércio. O tempo máximo de duas horas para ocupar uma mesma vaga aumenta a rotatividade, que é o sentido do estacionamento pago. Já a tolerância de dez minutos não é boa, pois o tempo é curto para quem deseja entrar num estabelecimento para pedir informações do preço ou características de produto. O ideal seria um tempo maior, entre 15 e 20 minutos.”
Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL
Novo Hamburgo) – Valcir Klein (presidente):
“Mudanças sempre geram reclamações e desconfiança nos primeiros dias. Temos relato de um associado: um cliente da loja teve o carro guinchado. Ele ficou irritado pois dificilmente o cliente vai voltar para comprar. Do jeito que está sendo feito ficou um pouco agressivo. Deveria ter uma conscientização para não guinchar clientes de outros municípios (através das placas dos carros). Outra questão que vamos conversar com a Prefeitura é o sábado. Tem de ser liberado. O sábado é um dia diferenciado para o comércio, precisamos facilitar a chegada de clientes e não ter práticas que afastem o consumidor.”
Ainda em relação à Faixa Nobre, o valor cobrado pela hora continua sendo de R$ 1,00. Os cartões podem ser adquiridos com os fiscais, nos estabelecimentos credenciados, no posto de atendimento localizado no Largo Povo de Canelones (fundos das bancas), e na sede da Faixa Nobre, na Rua Carlos Gomes, 102, bairro Vila Rosa. O estacionamento rotativo oferece 1.800 vagas.

























