“Fazemos a nossa parte reduzindo o consumo de água, mas parece que a Comusa não está nem aí”.
A frase acima resume o sentimento de alguns leitores que, neste começo de 2022, entraram em contato com o Portal Martin Behrend.
A questão que envolve a insatisfação de hamburguenses diz respeito ao grande número de vazamentos que existe na rede de abastecimento da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo.
Ainda mais que está em andamento, novamente, uma campanha publicitária de conscientização: #FechaPraPreservar – o Portal divulgou essa mobilização em dezembro do ano passado https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Segundo apuração do Portal Martin Behrend, de 1º a 13 de janeiro de 2022, foram registrados 135 vazamentos em Novo Hamburgo. São mais de dez por dia. Praticamente todos foram resolvidos pelas equipes de manutenção.
Ocorre que, em razão da grande demanda, são priorizados os vazamentos maiores. Com isso, alguns menores ficam com água tratada sendo desperdiçada por vários dias.
Foi o caso de uma ocorrência na Avenida 1º de Março. Uma leitora enviou a seguinte mensagem: “Estamos num momento de escassez de água, e me deparo com descaso por parte da Comusa. É um vazamento que tem na Avenida Primeiro de Março, na altura do número 1951, desde o dia 4 de janeiro. São nove dias de água tratada indo pro ralo. Fica aqui minha indignação com a falta de responsabilidade”.
O vazamento foi fechado no dia 13 de março por uma equipe da Comusa.
A reportagem do Portal Martin Behrend esteve no local conferindo o relato da leitora. A cena fala por si: a água tratada vai literalmente pelo ralo:
SUBSTITUIÇÃO DE REDES
Em 12 de junho de 2017, no primeiro ano do mandato inaugural da prefeita Fátima Daudt (PSDB), o Portal Martin Behrend abriu manchete: “Comusa anuncia investimentos de R$ 36 milhões para substituir canos de redes de água”.
Na reportagem, foi informado que “os vazamentos na rede de água de Novo Hamburgo, que muitas vezes representam corte no abastecimento, buracos na pavimentação e muita dor de cabeça aos moradores, deverão ter significativa redução com o Programa de Substituição de Redes de Água… O investimento será de R$ 36 milhões (sendo R$ 9 milhões por ano no período 2017-2020), com recursos próprios.”
A reportagem de mais de cinco anos atrás pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
COMO FICOU
Será que esse investimento foi concluído conforme o planejado?
A informação da Comusa é que, de 2017 a 2020, foram mais de 60 quilômetros de tubulações trocadas, atingido quase 50% de toda rede de Novo Hamburgo. “É um do projetos que vamos retomar em 2022, reduzindo perda de água e vazamentos nos principais pontos da cidade”, destaca a diretora-geral, Andrea Braun.
Ainda tem muita rede pra ser substituída. A pandemia de coronavírus, com a restrição de atividades, é um dos motivos apontados para o atraso dos trabalhos.
As obras de substituição das redes de abastecimento antigas, feitas em ferro, envolvem a instalação de novas tubulações de PEAD, um produto mais maleável, resistente e fácil de consertar.
A diretora-geral da Comusa reforça que um dos maiores desafios do saneamento no Brasil é reduzir o índice de perda de água tratada desde o tratamento à distribuição. Segundo ela, a Comusa investiu, nos últimos anos, em outras obras para mitigar essa perda. “Temos 52 válvulas reguladoras de pressão instaladas pela cidade, que evitam o rompimento de novas tubulações e vazamentos. Instalamos macromedidores, em 2021, que monitoram em tempo real a passagem de água em diversas áreas da cidade, além de equipes dedicadas ao monitoramento e combate a vazamentos. Mas, isso também carece do apoio da população que, muitas vezes, vê algum tipo de vazamento e não comunica a autarquia, o que acaba atrasando o processo de conserto”, lembra Andrea.
ALERTA SOBRE VAZAMENTOS
Um reforço de pedido da Comusa: a comunidade pode ajudar alertando sobre vazamentos e desperdício de água.
Os canais oficiais para registrar vazamentos são:
– 0800 6000 115
– Aplicativo (App) da Comusa
A assessoria de imprensa da Comusa lembra que não adianta divulgar o problema em rede social, pois é preciso ter o registro interno para controle das operações e do cronograma de manutenção.
Desta forma, fica reforçado o pedido para que a comunidade ajude a registrar no 0800 ou via aplicativo os vazamentos.
Na semana passada, o Portal Martin Behrend trouxe um alerta de leitor de vazamento na Rua Joaquim Nabuco. A Comusa realizou a manutenção, realizando o conserto no local: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
DESPERDÍCIO
O Brasil desperdiça 39,2% de toda a água potável que é captada. As informações são de um estudo inédito do Instituto Trata Brasil, feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2019.
Isso significa que, para cada 100 litros de água captada, tratada e potável, 39 litros não chegam oficialmente a ninguém.
No caso da Comusa, o dado mais recente é de 2019. A companhia alcançou o menor nível de perda de água em sua história.
A medição, que vem sendo feita desde 2005 no programa de Controle de Perdas e contabiliza vazamentos, problemas com hidrômetros, rompimentos em tubulações antigas, nível de poluição do rio, ligações irregulares, entre outros fatores, apontou que a autarquia teve uma perda de 36,30%.
O índice representa uma redução de 15% em relação ao começo do programa e redução de 0,5% em relação a 2018. Além disso, o índice também está abaixo da média nacional de perdas de água que, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), é de 38,9% e abaixo da média para a região Sul, que é de 37,1%.
Esse índice de desperdício da Comusa deve seguir caindo, tendo em vista que seguem ocorrendo as substituições de rede, retirando as tubulações antigas.
