“Quando eu comecei a trabalhar, tinha medo de agulhas”.
Quem ouve essa declaração de Ione Marli Knüppe, 69 anos, pensa que tem alguma coisa errada. Afinal, são mais de 43 anos de atuação no Laboratório Fleming, com sede em Novo Hamburgo e unidades em São Leopoldo, Campo Bom e Estância Velha.
Essa trajetória de incansável dedicação rendeu uma elogiosa alcunha: Agulhinha de Ouro.
A serenidade e a segurança com que maneja a seringa representam uma dose extra de tranquilidade para quem está ali para ter seu sangue coletado.
Segundo muitos clientes, a habilidade de Marli é tamanha que a “picadinha” da agulha na hora de fazer a coleta quase não se percebe. “Tem cliente que programa seu atendimento na hora em que estou trabalhando. É uma relação de confiança”, destaca a colaboradora do Fleming, um tanto tímida com a repercussão da sua atividade.
ROTINA
No momento, a rotina de Marli se divide em duas unidades: a partir das 7 horas, ela faz a coleta na unidade da rua José do Patrocínio, próximo do Colégio Estadual 25 de Julho. Nesse horário existe uma particularidade: muita gente está de jejum a pedido dos médicos. “É engraçado, pois tem clientes que logo após sair da sala já tiram uma fruta ou um sanduíche do bolso, pois a fome é grande”, relata.
No final da manhã, ela se dirige para a unidade da avenida 1º de Março – em frente à Praça do Imigrante – e segue até às 16 horas.
Entre tantas histórias e episódios, uma foi marcante pelo susto que representou. Uma cliente, de tanta aversão a agulhas, desmaiou. E começou a demorar para se restabelecer. “Foi preciso chamar uma ambulância do Samu para ajudar no atendimento. No final de tudo certo”, recorda.
Com a criançada, o desafio é outro. A gurizada nem sempre aceita com naturalidade a presença da agulha e abre o berreiro. Marli tenta usar toda a sua habilidade e experiência, mas em alguns casos a “picadinha” acontece em meio aos prantos.
Em casos não tão comuns, mas que fazem parte da rotina, Marli cita pacientes que chegam com solicitações dos médicos para dezenas de análises clínicas. E dá-lhe tirar sangue dos pacientes! Tem casos que são preenchidos até dez frascos – e aí é preciso ter cuidado para não enfraquecer o paciente.
Com o advento da pandemia de Covid, tem alguns dias com uma carga extra de trabalho. Nesse momento, é preciso assegurar ainda mais tranquilidade e confiança aos pacientes, já que muitos chegam assustados e preocupados em razão da doença que causou impacto global.
TRAJETÓRIA
Marli é natural de Lajeado. Aos 11 anos, veio para Novo Hamburgo. O setor calçadista estava gerando oportunidades e a família se instalou no bairro Ideal. Concluiu os estudos no 25 de Julho. Após o período escolar, ela teve passagens por duas empresas da indústria coureiro-calçadista: Calçados Ruskin e Malas Weber.
Então, recebeu um convite da sua irmã Marlene, que já atuava no Fleming – a unidade ficava próxima da Padaria Brasil. Marli aceitou o convite para este novo desafio. Então, em 20 de outubro de 1977 ela inciou sua trajetória no laboratório.
No começo, atuava como serviços gerais. Sempre atenta e observadora, foi acompanhando os outros procedimentos realizados no local. Como citado na abertura da reportagem, ela tinha medo de agulhas! Contudo, o tempo passou e ela se acostumou com a situação. Até surgir a oportunidade de trabalhar na coleta. O trabalho foi tão bem executado que permanece até hoje na função.
ELOGIOS
“A Marli, pela competência, experiência e fidelidade aos princípios da empresa nestes 43 anos, é, dentre todas, a mais brilhante estrela do Laboratório Fleming!”, exclama o diretor geral e fundador da Fleming, Sérgio Grangeiro. A história do laboratório começou a ser contada em 1970 – é mais de meio século de tradição e crediibilidade.
“Lembro da Marli desde criança, sempre muito querida, competente e discreta. Ela é a funcionária com mais tempo de Laboratório Fleming, uma grande profissional, amiga e colega de trabalho exemplar. Sua irmã Marlene que a indicou para trabalhar conosco. As duas irmãs fazem parte da história da nossa empresa e são muito queridas por todos da ‘família’ Fleming”, conta o diretor Fábio Grangeiro.
APOSENTADORIA?
Em abril, Marli completa 70 anos de vida. Em outubro, serão 44 anos de Fleming. Aposentadoria? Nem pensar.
Se depender dela, vai ter festa de cinquentenário dentro do Fleming. Para alegria e tranquilidade de tantos clientes, a Agulhinha de Ouro tem muito sangue pra dar e tirar – em todos os sentidos!
