Uma madeireira que opera há alguns anos no bairro Roselândia rodeada de irregularidades voltou a ser visitada por integrantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam). E, novamente, teve equipamentos lacrados. A equipe de fiscalização também registrou Boletim de Ocorrência na Central de Polícia e o responsável vai responder pelo crime de descumprimento de determinação do órgão ambiental e violação de lacre. O proprietário será autuado novamente e o caso será enviado ao Ministério Público para providências.
Em novembro do ano passado, a madeireira já tinha sido visitada numa ação coordenada pelo ex-secretário do Meio Ambiente, Eduardo Bonato (PDT). À época, ficou constatada a atuação da madeireira sem licença ambiental e sem qualquer registro de pessoa jurídica. Também foi verificado lançamento irregular de efluentes provenientes da atividade clandestina. Com madeira acumulada, o proprietário não possuía documento de origem florestal (DOF/DEFAP). A vistoria de novembro foi acompanhada da Patrulha Ambiental da Polícia Militar (Patram) e ocorreu após envio de ofício do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os equipamentos foram lacrados.
Contudo, a madeireira ignorou a ação da Semam. Após nova denúncia, fiscais da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) voltaram ao local na semana passada. E comprovaram que os lacres foram rompidos e as máquinas estavam funcionando. Isso que a situação nem foi regularizada. A equipe da DPA solicita que se alguém ver ou souber que a madeireira da Roselândia ou qualquer empresa estiver operando sem os documentos necessários, denuncie imediatamente pelos telefones 156 ou 3594.9999.
Ainda em relação à madeireira da Roselândia, a operação realizada no ano passado foi um dos pivôs do desgaste entre o ex-secretário Bonato e o atual titular da DPA, Volnei Campanhoni (PT). À época, eles discutiram sobre a condução e prazos dos procedimentos a serem adotados e houve, segundo Bonato, insubordinação de Campanhoni – que se defende alegando ter seguido orientações da Procuraria Geral do Município (PGM).
O caso ainda chama a atenção pelo fato de uma madeireira localizada às margens de uma das principais vias da Roselândia estar operando, desde 2012, sem a documentação mínima – nem CNPJ apresentava. O ex-secretário, quando ainda era o titular da Semam, estava apurando a suspeita de envolvimento de algum funcionário público que estaria facilitando o funcionamento da madeireira – fato que não chegou a ser comprovado, embora existam interpretações de que houve omissão na fiscalização.
