Liberdades de imprensa e de expressão são abordadas em palestra na Câmara

O jornalista Martin Behrend, editor do Portal Martin Behrend
fez uma palestra intitulada Liberdade de Imprensa e Liberdade de Expressão –
Qual o preço que a sociedade paga por ter censura? na tarde desta quinta-feira,
1° de junho, no Plenário da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. O evento,
aberto ao público, foi promovido pela Escola do Legislativo. Ele falou sobre
censura, sobre a relação entre liberdade de imprensa e o índice de
desenvolvimento humano e sobre o prejuízo para o país quando a atuação dos
jornalistas é cerceada. Além disso, apontou alguns impactos de não se ter uma
imprensa livre e o papel do jornalista no desenvolvimento da sociedade.

Behrend relembrou momentos de censura no Brasil, em especial
durante a Ditadura Militar. Citou também os incisos IX e XIV da Constituição de
1988, artigo 5º, que dizem que “é livre a expressão da atividade intelectual,
artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou
licença; e é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da
fonte, quando necessário ao exercício profissional.” Sobre o sigilo da
fonte, o palestrante criticou o vazamento de diálogo envolvendo o
jornalista Reinaldo Azevedo e irmã de Aécio Neves, Andrea Neves. A
gravação telefônica fazia parte de investigação sobre a atuação do político
mineiro em esquemas envolvendo lavagem de dinheiro.

Segundo o palestrante, em países no qual há maior liberdade
de imprensa e os jornalistas são mais livres para trabalhar, salvo algumas
exceções, o desenvolvimento social e econômico é maior. Conforme ele, no ranking
que aponta o índice de liberdade de imprensa 2016, o Brasil está na posição 103
e seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 79. No topo das duas listas,
está a Noruega. “A imprensa amordaçada tende a não mostrar os problemas, a se
retrair. Quem paga por isso é o cidadão, a sociedade”, disse o
jornalista. Entre uma série de dados, ele destacou que o Brasil ocupou a
6ª posição, em 2015, em mortes de jornalistas, citando os episódios, ocorridos
ao longo dos últimos anos, envolvendo as mortes do cinegrafista Santiago
Andrade e do repórter Tim Lopes.

No encerramento, Martin mencionou o impacto da imprensa
livre nos rumos de um país, fazendo referência ao caso da renúncia do
presidente Nixon, dos EUA, a partir de uma reportagem do jornal The
Washington Post. O público interagiu com o palestrante, discutindo o tema
e fazendo diversas perguntas e considerações. “Foi uma experiência bem legal.
Os participantes interagiram, fizeram questões e contrapontos. Uma palestra é
sempre um momento de compartilhar conhecimentos”, destaca Behrend.

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