Este artigo pretende analisar dois questionamentos:
a)
Por que o prefeito de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT), não recebe os vereadores de oposição para esclarecer os motivos que impedem de pagar o reajuste dos professores em parcela única?;
b)
Por que o prefeito de Novo Hamburgo diz não ter como pagar o reajuste, mas gasta milhares de reais em publicidade?
Em relação ao primeiro questionamento, os vereadores de oposição e independentes – Serjão Hannich (PMDB), Raul Cassel (PMDB), Inspetor Luz (PMDB), Issur Koch (PP), Gérson Peteffi (PSDB) e Patrícia Beck (PTB) – articularam, na quarta-feira desta semana,
uma reunião com o prefeito.
O objetivo do encontro seria ouvir e entender as razões que impedem o Executivo de pagar em parcela única o reajuste dos professores e outros servidores. Cansados de ver a Câmara lotada de funcionários
em greve, os vereadores buscavam subsídios e informações junto ao chefe do Executivo para
contribuir e encaminhar
solução para o impasse – são 19 dias de greve dos professores municipais e ameaça de paralisações em outros setores.
A responsabilidade de articular o encontro foi do vereador Fufa Azevedo (PT), que
estava ocupando um cargo no Executivo e, há algumas semanas, se debandou para o Legislativo a afim de cumprir seu mandato na Câmara. Na quarta-feira à tarde, conforme havia se encaminhado a combinação,
os vereadores compareceram à sala do prefeito. E ele não apareceu.
Lauermann pediu para informar que estava em outro compromisso
e não atenderia os
vereadores.
Tem algo mais grave acontecendo na cidade do que a greve dos professores? Qual a prioridade que o prefeito está dando para essa crise?
Por que ele não quis abrir o jogo com a oposição? O que tem ainda para ser escondido? Por que evitar
apoio dos oposicionistas?
A resposta
não tenho, mas começo a suspeitar que teremos de avançar para questões de ordem pessoal e de comportamento psicológico do prefeito. Isolamento, medo, descontrole, ansiedade, incapacidade… As respostas começam a caminhar para esse lado.
Em relação ao segundo questionamento, a situação é ainda mais intrigante.
Lauermann afirma não ter condições de pagar os professores em parcela única. Não tem como. Essa é a resposta. Foram sete reuniões e sempre a mesma resposta: não tem dinheiro para pagar em parcela única.
Contudo, essa não é a realidade da Prefeitura de Novo Hamburgo. O Executivo contratou duas agências de publicidade por mais de R$ 3 milhões – contrato de 12 meses. Somente nas últimas semanas, o Executivo gastou mais de R$ 150 mil em diferentes publicidades.
Num único anúncio, pagou mais de R$ 18 mil – são informações do Portal da Transparência.
Em uma empresa de comunicação, somente nos primeiros meses de 2015, foi investido mais de meio milhão de reais.
Como assim, não tem dinheiro?
O agravante disso tudo: a Prefeitura está pagando milhares de reais em anúncios afirmando que não tem dinheiro para pagar o reajuste dos professores em parcela única. Como é que é? De novo: estão sendo investidos milhares de reais em publicidade para dizer que não tem dinheiro.
Um governo investir dinheiro em publicidade é errado? Não. Gastar dinheiro em campanhas publicitárias é crime? Não. Contratar agências de publicidade é equivocado? Não – ainda mais da qualidade das vencedoras da licitação. Sou defensor de investimentos em publicidade de qualquer governo e já escrevi sobre isso.
Agora, desde que seja com informações que sirvam para mobilizar as pessoas em torno de determinado assunto: economizar água, campanha da dengue, pagamento de IPTU, mutirão para arrumar calçadas, divulgação de telefones para denunciar crimes ou agressões, etc…
Está
cristalino que a Prefeitura tem dinheiro e teria condições de arcar com o pagamento do reajuste solicitado.
Mas, e a conclusão é minha, a prioridade não é atender a demanda do magistério. Não há interesse em prestigiar a pauta da categoria. Há uma nítida preferência por investimentos em outras rubricas.
Onde o prefeito quer chegar, foi a pergunta que fiz no título. A resposta ainda não tenho clara, mas a avaliação que fiz em 2014 a cada novo episódio vai se moldando:
Lauermann caminha para ter a pior administração da história de Novo Hamburgo. Infelizmente, pois perdemos juntos.
