Jefferson Siqueira da Silva, 40 anos. Trabalhador brasileiro. Motorista de van. Morador de Esteio e proprietário da empresa Jacke Tur. Sua rotina diária tinha cerca 15 horas destinadas ao trabalho. Em suas postagens mais recentes no Facebook da empresa, estão duas mensagens: “Trabalho e Resultados. Uma coisa atrai a outra”; e “A vida é muito curta para viajar apenas nas férias”. A viagem de Jefferson foi encurtada na noite de ontem. Ele foi assassinado perto da Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, no bairro Primavera. Por estar trabalhando. Morreu por ser um trabalhador.
Jefferson esperava na van a saída de estudantes da Liberato. Ele tinha a nobre missão de transportar o amanhã do Brasil: futuros cientistas, químicos, eletrotécnicos, pesquisadores, etc. Mas por ser trabalhador e por estar trabalhando numa das cidades mais violentas do Rio Grande do Sul, Jefferson não conseguiu levar de volta seus passageiros. Foi atacado por dois criminosos e, covardemente, foi atingido com pelo menos um tiro pelas costas. E caiu. Triste destino: Jefferson morreu sobre o asfalto,
que tantas vezes foi o onipresente
companheiro de
suas viagens.
Para morrer, basta estar vivo. Isso vale aqui, nos Estados Unidos, Japão, Mongólia ou Afeganistão. Só que, no Brasil, esta sentença poderia receber algumas adaptações: “Para sobreviver, fique em casa”; ou “Para não morrer tão cedo, evite sair às ruas”. Estamos em período de sobrevivência. Novo Hamburgo, em especial, vive uma convulsão social sem precedentes. Sem liderança política municipal, com as forças de segurança do Estado limitadas pela falta de recursos, com um governo federal omisso e tendo deputados federais e senadores covardes que não ajustam a legislação para intimidar a bandidagem e tirar a podridão humana das ruas. E não venham, caros hipócritas, falar que ele não deveria ter corrido pra fora da van ou algo assim. Numa hora dessas, a pessoa só pensa em salvar sua pele e buscar segurança. Quer tentar se manter viva.
Jefferson era um trabalhador. E por estar trabalhando foi assassinado em Novo Hamburgo. Descanse em paz nesta última viagem.
