“Eu já vivenciei muita coisa, mas nada parecido com o que
está ocorrendo agora”. A frase é de Nelson Moraes Hoefel. Ele é o gerente de
Logística, Marketing e Comercial da Industrial Boituva, empresa instalada às
margens da ERS-239, no bairro Operário, em Novo Hamburgo.
Com passagens por empresas do porte de Coca-Cola e Fruki,
Moraes vem sendo testemunha de uma avalanche de pedidos de um dos produtos mais
procurados por milhões de brasileiros nas últimas semanas: álcool em gel. Tudo
em razão da pandemia do novo coronavórus.
Segundo o gerente comercial, houve um aumento de 4.000% nos
pedidos por álcool em gel. “Precisamos parar de registrar os pedidos por não
ter certeza se conseguiremos entregar. Temos pedidos de vários Estados e também
de fora do país, e decidimos priorizar clientes mais antigos e com fidelidade
ao nosso trabalho”, comenta. Nessa lista estão Asun, Unisuper, Casa do Papel e
Panvel. A produção de álcool está comprometida até o final de abrul, e novas
encomendas dependerão dos fornecedores de insumos e matéria-prima.
São dois itens com dificuldades na entrega em grande
quantidade: um modelo de tampinhas das embalagens e o produto químico carbopol. “Estamos tendo
de buscar alternativas fora do país, como no Uruguai, de onde estamos
importando mercardoria”, relata. Segundo ele, muitos clientes ligam e, antes de
perguntar sobre valores, questionam sobre prazo de entrega. “Nosso preço está
muito competitivo, mas não temos como fazer novos pedidos enquanto não
ajustarmos essa situação dos insumos”, relata.
Em abril, uma nova embalagem será lançada pela empresa com
alterações na impressão da embalagem (rótulos) e na tampa. Dessa forma, a
Industrial Boituva pretende acelerar a produção para conseguir atender mais clientes. “Cabe aqui reforçar que para ter o efeito que a população deseja, no caso de prevenção do vírus, precisa ser acima de 60°. Acima disso já consegue esterilizar”, salienta.
Com o significativo aumento de produção do álcool e álcool
em gel, a jornada de trabalho foi esticada em alguns dias, incluindo trabalho
aos sábados. Para abril, poderá ser instituído um terceiro turno completo – a depender
do prolongamento da crise em razão da pandemia do vírus. Com 42 trabalhadores
diretos e cerca de 60 indiretos – incluindo representantes comerciais e
logística –, a empresa está contratando colaboradores para áreas específicas a
fim de assegurar a continuidade da produção.
BEBIDAS
A Industrial Boituva também trabalha com o engarrafamento e
distribuição de bebidas alcoólicas muito conhecidas dos brasileiros, como Vodka
Walesa, cachaça 7 Campos de Piracicaba, cachaça Velho Império, cachaça
Trgo-Fino, energético Black Bird, Walesa Ice, entre outros. A demanda destas
linhas está mantida, mas houve um adequação física na planta industrial para
assegurar um maior espaço para a produção do álcool em gel.
Em relação ao preço, o gerente comercial explica que alguns
dos insumos têm cotação em dólar e isso tem refletido nos preços, além do
aumento da demanda. “Quando compramos o último lote de álcool, o dólar estava R$
4,38. Hoje já está acima de R$ 5,20. Quase um real a mais pelo mesmo produto. Impacta
muito no custo de produção”, salienta.
Com lista de espera de clientes, Nelson Hoefel avisa: não
adianta chegar no portão da empresa que não tem venda à pronta-entrega. “Precisamos
entregar todos os pedidos até o final de abril e torcer para reposição dos
insumos. São dias que jamais esqueceremos em razão de tantas alterações”,
finaliza.
