A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo realizou, na noite desta quinta-feira (26), sessão solene em homenagem aos 100 anos do atual templo da Igreja Evangélica Três Reis Magos, localizado no bairro Hamburgo Velho.
A iniciativa partiu da bancada do PSDB, por meio do vereador Felipe Kuhn Braun, e reuniu autoridades religiosas e representantes da comunidade no Plenário da Casa Legislativa.
A igreja, localizada entre a Rua Júlio Kunz e a Avenida Maurício Cardoso, é um dos espaços mais fotografados e prestigiados em Hamburgo Velho, tendo traços e encantos particulares.
Compuseram a Tribuna de Honra Richard Kreutzer, neto do pastor Wilhelm Richard Kreutzer, responsável pela inauguração do templo em 1926; Ênia Kreutzer, presidente da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE) de Hamburgo Velho; além dos ex-presidentes do Presbitério da Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho, Eduardo Kley e Gerson Schneider.
Ao longo da cerimônia, foi realizada a entrega de um quadro comemorativo aos representantes da igreja, simbolizando o reconhecimento oficial do Parlamento hamburguense pela contribuição espiritual, educacional e social da Comunidade ao longo de um século.
IMIGRANTES ALEMÃES
Proponente da homenagem, Kuhn Braun destacou a relevância histórica, cultural e religiosa da Igreja para a formação de Novo Hamburgo. “Vocês fazem o presente e moldam o futuro para a comunidade, para o bairro Hamburgo Velho e para a cidade, fazendo a diferença por meio das obras sociais e contribuindo para uma Novo Hamburgo melhor. São 100 anos da edificação deste templo e 194 anos desde a fundação da Comunidade. Hoje contamos a história de um grupo que iniciou formalmente com os pioneiros imigrantes alemães e que criou a primeira escola da cidade – hoje Pindorama – trazendo valores familiares, o trabalho e, acima de tudo, a fé. É uma trajetória de superação”, afirmou.
Representando a Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho, o pastor William Felipe Zacarias ratificou o papel da fé e da união comunitária na trajetória centenária do templo. “Celebramos a nave do templo Três Reis Magos não apenas como uma estrutura histórica de cal, cimento e madeira. O templo é uma linguagem viva, que faz a mediação entre o passado e o presente. É ponto de convergência de diferentes gerações”, afirmou.
O pastor destacou que a fé evangélica de confissão luterana, trazida pelos imigrantes alemães, foi cultivada ao longo do tempo como expressão e materialização da espiritualidade. “Cada oração, cada hino, cada tecla do órgão dá sentido à nossa existência enquanto comunidade e oferece suporte diante das ambiguidades da vida pós-moderna. Não é apenas memória, é voltar ao coração. É não fazer as coisas de qualquer jeito, mas com excelência”, declarou.
A foto abaixo tem Carlos Eduardo Müller Bock, Felipe Kuhn Braun, Renato Darci Sommer e William Felipe Zacarias. A autoria da foto é de Daniele Souza/CMNH.
PRESENÇA LUTERANA
Na sequência, o pastor do Sínodo Rio dos Sinos, Carlos Eduardo Müller Bock, reiterou a importância histórica da Igreja na consolidação da presença luterana na região. “Os fiéis são pessoas que, ao longo dos anos, sustentaram o ensinamento de Jesus. Esta comunidade, em todos os tempos, enfrentou imensas dificuldades, inclusive internas. É preciso saber construir o convívio entre pessoas que sentem e pensam de maneira diferente”, afirmou.
O pastor relembrou desafios históricos enfrentados pela comunidade, como as mudanças legais no país e o período em que aguardavam a liberdade religiosa para erguer a torre do templo. Também citou a proibição do uso da língua alemã, determinada por decreto durante o governo de Getúlio Vargas, que impactou profundamente as comunidades de origem germânica.
“Foi um impacto brutal. O fundamento da fé luterana é a educação, e foi ela que trouxe resiliência, resistência e cuidado para que chegássemos até aqui. Tudo o que foi feito e construído ocorreu com muito trabalho, por pessoas de fé comprometidas com a comunidade, onde a justiça, a educação, o respeito ao próximo e o trabalho sempre estiveram à frente”, salientou.
