Desde 2019, o Portal Martin Behrend vem noticiando o interesse da rede Havan em abrir uma megaloja em Novo Hamburgo.
Neste período, foram várias matérias publicadas contando a evolução deste investimento, inclusive com entrevistas, vídeos e declarações dos diretores Luciano e Nilton Hang.
A reportagem mais recente no Portal foi de 4 de novembro. A matéria “Detalhes e curiosidades da Havan de Novo Hamburgo: inauguração é em 22 de novembro” trouxe informações relativas à operação, que será a loja de número 187 no país.
Entre os detalhes mencionados na matéria, um foi o seguinte: “O terreno em que está instalada a loja tem uma situação peculiar dentro do histórico da empresa. O terreno foi comprado. Normalmente, a Havan aluga. Em Novo Hamburgo, foi adquirida a área.”
A matéria pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/novidade/detalhes-e-curiosidades-da-havan-de-novo-hamburgo-inauguracao-e-em-22-de-novembro . A inauguração está anunciada par 22 de novembro.
AÇÃO POPULAR
É o terreno acima mencionado e o projeto para liberação da obra da Havan que são diretamente citados em uma Ação Popular protocolada, nesta segunda-feira (10), na 4ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública da Comarca de Novo Hamburgo. Esta Ação Popular apontando irregularidades, com indícios de favorecimentos, foi protocolada pelo advogado hamburguense Vinicius Klein Bondan.
Os principais questionamentos do processo têm conexão direta com decisões tomadas na gestão do prefeito Gustavo Finck (Progressistas). Segundo estimativas do autor, os impactos provocados por decisões dentro da Prefeitura causaram um prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões aos cofres públicos – seja em valores ou com a não realização de contrapartidas. A ação também aponta que o prefeito supostamente obteve vantagens pessoais por conta de sua intervenção na condução dos processos administrativos.
QUESTIONAMENTOS
Um dos questionamentos envolve o terreno onde se instalou a Havan, na esquina da Rua Rincão com a rua lateral da BR-116. O terreno original, de propriedade de uma empresa do Vale do Sinos, a 2G Consultoria Empresarial, tinha cerca de 50 mil metros quadrados. A Havan comprou cerca de 20 mil metros. O parcelamento do terreno é possível mediante doação do equivalente a 10% da área bruta ao município. Em novembro do ano passado, essa era a exigência: 50 mil metros era a área original, a doação seria de 5 mil.
No entanto, com a troca de governo e a chegada de Finck ao poder, a proprietária da área, a 2G, teria solicitado que a doação fosse somente proporcional à área a ser destinada a Havan e em dinheiro. Segundo consta na Ação Popular, a prática seria inédita no município.
A Prefeitura atendeu o pedido e uma comissão avaliou a área a ser negociada em cerca de R$ 7,5 milhões, o que definiu a doação de R$ 750 mil aos cofres públicos. No entanto, em julho, a Ação Popular informa que os 20 mil metros quadrados foram vendidos pela 2G para a Havan por mais de R$ 21 milhões. Ou seja, conforme a Ação Popular, a contrapartida deveria ter sido de R$ 2,1 milhões e não de R$ 750 mil, num suposto prejuízo de R$ 1,4 milhão ao município.
RUA BENTO MANOEL
Outro questionamento envolve a repentina retirada de uma contrapartida para a instalação da Havan. O Plano Diretor de Novo Hamburgo trata de contrapartida para a liberação de habite-se a empreendimentos que causam impacto de vizinhança. Essa medida ocorre em razão destes investimentos de grande porte provocarem mudanças significativas num bairro ou região, necessitando alargamento ou novas vias, praça, escola ou posto de saúde, por exemplo.
Em fevereiro desse ano, atendendo ao pedido da Havan, que já buscava licença para se instalar na cidade, foi estabelecida pela Comissão Permanente do Plano Diretor a necessidade de prolongamento do trecho projetado da Rua Bento Manoel, no bairro Rincão.
Esta comissão identificou que o prolongamento desta via, do Colégio Estadual Vila Becker até a Rua Rincão, passando sobre o Arroio Luiz Rau, além da criação de uma rotatória, seria fundamental para organizar o trânsito na Rua Rincão, que já é bem problemático em alguns momentos do dia. A Havan teria essa contrapartida a oferecer para a comunidade e isso foi documentado na DUE (Diretriz Urbanística Especial) de número 13.
Duas semanas após essa definição da Comissão Permanente do Plano Diretor, o prefeito Gustavo Finck nomeou novos integrantes da Comissão e foi publicada uma nova DUE – a de número 14. Nesse documento, sumiu a contrapartida do alongamento da rua, obra estimada entre R$ 5 e R$ 10 milhões, dependendo de desapropriações e outras questões técnicas. O detalhe é que o próprio prefeito assinou a DUE de número 14 junto com os membros da Comissão – o que não tinha ocorrido na DUE de número 13, onde Finck não assinou.
FAVORECIMENTO
A Ação Popular ainda aponta indícios de favorecimento pessoal a Gustavo Finck. O processo anexa uma série de manifestações públicas sobre a situação financeira do prefeito de Novo Hamburgo, que residia com o sogro e não tinha patrimônio pessoal quando se candidatou a prefeito. Também incluiu falas do prefeito que informou receber ajuda de empresários.
O questionamento da Ação Popular, neste sentido, é que Finck reside em prédio valorizado na Avenida Maurício Cardoso, em apartamento avaliado em mais de R$ 1,5 milhão, que pertenceria, conforme matrícula no Registro de Imóveis, ao diretor da 2G, empresa que vendeu a área para a Havan.
Além disso, a esposa do prefeito se tornou proprietária de um veículo, comprado por R$ 110 mil (cerca de R$ 80 mil em dinheiro) de uma prima em primeiro grau do mesmo empresário. Conforme levantando pelo autor da ação, o preço de mercado de aluguel, mais condomínio, IPTU e energia elétrica é de cerca de R$ 11 mil, que comprometeriam o salário líquido de R$ 20 mil do chefe do Executivo.
Uma apuração informal do Portal Martin Behrend obteve o relato que, embora o apartamento esteja em nome de Germano Grings, ele não seria mais o proprietário – teria um contrato de venda documentado, mas não teria ocorrido a mudança no Registro de Imóveis. Nesta mesma apuração, foi verificado que o empresário teria contato bem reduzido com sua prima.
Esse cenário tem outra particularidade: Finck vem afirmando que está usando dinheiro próprio em suas viagens ao exterior, o que provoca mais inquietações sobre os gastos pessoais e como se sustenta já que não tem patrimônio e até o ano passado residia com o sogro.
No contexto do que vem sendo questionado, chama a atenção que a cidade de Novo Hamburgo tenha supostamente ignorado estes investimentos e valores. O próprio prefeito criou uma suposta calamidade financeira para alegar não ter recursos para investir na cidade. Então, como a Prefeitura ignora estes valores que poderiam ajudar no desenvolvimento do município?
A Ação Popular aponta um prejuízo estimado de R$ 10.229.669,96 e cobra que sejam considerados nulos documentos envolvendo a questão de avaliação do terreno e também da DUE que retirou a contrapartida de alargamento da Rua Bento Manoel. Se o pedido por deferido com prioridade, a inauguração da Havan corre riscos.
POSICIONAMENTOS
O Portal Martin Behrend fez contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo com espaço para posicionamento do prefeito. Foi enviado o seguinte esclarecimento:”A Prefeitura, até o momento, não foi notificada formalmente sobre o caso”.
O Portal Martin Behrend fez contato com a empresa 2G. Através de sua assessoria, a empresa informou que não vai se manifestar neste momento. O espaço segue à disposição.
O Portal Martin Behrend fez contato com a empresa Havan solicitando contato da assessoria de imprensa. O contato só foi informado no fechamento da reportagem. O espaço foi oferecido e segue à disposição.
MATÉRIA
No começo da noite, a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou uma reportagem confirmando a inauguração da loja. Confira a matéria enviada pela assessoria de imprensa:
Um sonho de seis anos está a menos de duas semanas de ser realizado. A Havan se prepara para abrir as portas de sua megaloja em Novo Hamburgo, consolidando um investimento aguardado desde 2019, mas que não saía do papel por falta de iniciativa da Prefeitura.
Avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões, a nova unidade já gerou cerca de 200 empregos diretos, todos preenchidos, e será a 20ª loja da rede no Rio Grande do Sul e a 187ª no Brasil.
A empresa escolheu para sua instalação uma área de alta visibilidade e fluxo intenso de pessoas: a esquina da Rua Rincão com a BR-116, próximo ao entroncamento com a RS-239, corredor estratégico que conecta o Vale do Sinos às regiões da Serra e das Hortênsias.
A chegada da Havan, no entanto, não foi simples. Novo Hamburgo quase perdeu o empreendimento no ano passado, mesmo com o interesse inicial da rede manifestado há seis anos. Falhas de alinhamento técnico e burocrático acabaram travando o início das obras por um longo período.
A situação só evoluiu em 2025, quando a administração municipal concentrou esforços para resolver o impasse. Conforme o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Anderson Bertotti, o principal obstáculo estava nas adequações necessárias ao projeto padrão da loja, que precisavam de ajustes para avançar dentro da legislação local. “Com a definição dessas adaptações, foi possível liberar a construção e dar segurança jurídica para o empreendimento seguir”, destacou.
A partir da regularização final, representantes da direção da Havan, incluindo Luciano Hang e seu irmão Nilton Hang, estiveram no Rio Grande do Sul para acompanhar de perto o andamento dos projetos da rede no Estado. Durante a visita, em maio, o prefeito Gustavo Finck acompanhou a comitiva no município de Taquara, no Vale do Paranhana, onde outra unidade está sendo construída e deve ser inaugurada em 2026, na RS-115. O encontro reforçou o interesse da empresa em ampliar sua presença na região e fortaleceu a interlocução com Novo Hamburgo.
“A Havan esteve prestes a ir para Estância Velha”, disse o prefeito Gustavo Finck aos secretários municipais e aos vereadores da base, em reunião onde passou o cargo ao vice-prefeito Gérson Hass, no dia 31 de outubro. “Felizmente, conseguimos destravar os obstáculos burocráticos para trazer a Havan para Novo Hamburgo. Os caranguejos estão contrariados, mas a comunidade está em festa”, completou ele, na mesma reunião.
Para o prefeito, a confirmação da instalação da megaloja é reflexo de um ambiente econômico mais favorável e de uma gestão que busca destravar investimentos. “Novo Hamburgo está voltando ao radar das grandes empresas. Isso representa mais empregos, mais renda e mais arrecadação para o Município”, afirmou Finck à época do anúncio do início das obras.
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo, Daiana Monzon, ressalta que a chegada de empreendimentos dessa escala têm impacto direto na geração de oportunidades para trabalhadores locais e também fortalece setores complementares, como transporte, serviços e comércio.
Com cerca de 10 mil metros quadrados de área construída, a nova Havan está na etapa final de preparação para a abertura, marcada para 22 de novembro. Nos últimos meses, a intensa movimentação no canteiro de obras chamou a atenção de quem circula pela BR-116. Além do porte, a localização estratégica deve ampliar a atração de consumidores da região metropolitana e de cidades vizinhas. A expectativa é que a loja se torne mais um ponto de referência comercial em Novo Hamburgo.
“A inauguração marca o fim de um longo processo, mas também sinaliza um novo momento para o Município. Depois de quase perder o investimento, Novo Hamburgo garante a chegada de um dos maiores varejistas do país e reforça seu posicionamento como polo regional de negócios”, salienta o prefeito.

























