Guarda Municipal segue rotina: aparece para guinchar, mas libera flanelinhas para explorar e ameaçar motoristas

A história se repete em Novo Hamburgo. O roteiro e o cenário, inclusive, são os mesmos. E envolve a omissão da Guarda Municipal e o deboche pela não observância de uma lei que virou manchete nacional pelo diferencial – mas que, há algum tempo, morreu em alguma gaveta. Já abordei isso no ano passado e, como se repete, vamos de novo.

Dia de show no NH Hall. Cultura, lazer entretenimento, distração, descontração. Centenas ou milhares de pessoas vão prestigiar mais um evento na casa de eventos localizada na Avenida Vereador Adão Rodrigues de Oliveira, no bairro Ideal. Além do estacionamento da casa ser muito caro – preço mais elevado que Porto Alegre, por exemplo –, falta espaço para tantos carros. E o pessoal que chega vai procurando vagas para estacionar seu veículo em ruas próximas.

Só que tem um pessoal que não observa a sinalização. E estaciona em local proibido, em acesso de garagem, em cima de calçada, etc… Embora as ruas do entorno do NH Hall tenham movimento quase nulo pela noite – e isso precisa de um debate separado, discutindo a flexibilização de determinados locais a fim de favorecer quem vai prestigiar os eventos – algumas infrações são cometidas. A Guarda Municipal é acionada. E guincha. Leva embora. Não quer saber: está na lei, manda guinchar. Correto. Perfeito. Exemplar. Insisto: um debate pode ser feito – inclusive com a Guarda e o NH Hall – a fim de ampliar áreas de estacionamento, por exemplo, das 21h às 6h, para que mais gente possa estacionar perto do local do espetáculo. Voltando à pauta principal: motorista infrator, Guarda aplica a lei e guincha.

Só que esse disco tem o lado B. Neste mesmo cenário onde a Guarda dá um show de rigor na aplicação da lei, a mesma Guarda se omite, ignora e se faz de cega e/ou preguiçosa para não impedir a atuação de flanelinhas (guardadores de carro). A cena se repete sempre que tem grandes shows. São 8, 10, 12 flanelinhas agindo livremente: extorquindo, ameaçando, intimidando e cobrando 20, 30 e até 40 reais para cuidar de carros estacionados em via pública. E a Guarda não cumpre a lei criada ainda no governo do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann (PT). Medo? Covardia? Parceria? Sociedade? Qual o motivo da Guarda não cumprir a lei e permitir que os flanelinhas explorem casais, amigos ou famílias que vão curtir um show no NH Hall?

Recebi, novamente, algumas manifestações sobre este assunto e repasso de um leitor:

Pois no show do Roupa Nova, no NH Hall, no dia 09/05, eles (flanelinhas) estavam atuando junto à Guarda Municipal. Os flanelinhas estavam com coletes e bastões luminosos atuando com o consentimento da Guarda Municipal, que estava a 10 metros visualizando a ação e não foi capaz de tomar as devidas providências. Eu questionei a Guarda e a mesma falou que não poderia fazer nada, somente a Brigada Militar. Mas o que pareceu foi que eles estavam atuando juntos, a Guarda Municipal e os flanelinhas. Afinal, cobrar 40 reais por cada carro é um roubo. Além de pagar o valor absurdo, eles permitem estacionar em lugar proibido, mas a Guarda autoriza no primeiro momento, e após o show vem as multas por estacionar em lugar indevido. E a pergunta que fica no ar é: por que eles não aplicaram a multa quando estavam estacionando? Esperaram o pessoal ir para o show e pagar o valor absurdo para depois fazer a notificação que o lugar era proibido. Tenho a matricula do agente.

O lema da Guarda Municipal de Novo Hamburgo é: Protetor e Amigo. Bom, então dá para dizer que é

protetora e amiga dos flanelinhas…

PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO

Encaminhei por e-mail pedido de entrevista e/ou esclarecimentos à Prefeitura de Novo Hamburgo.

O pedido para o posicionamento da Guarda Municipal foi enviado na segunda-feira (18/05) para sete

integrantes da equipe de Comunicação da Prefeitura.

Até o fechamento desta reportagem, nenhum esclarecimento foi oferecido à comunidade de Novo Hamburgo.

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