Se fosse participar de uma avaliação no estilo das escolas de samba, a Guarda Municipal oscilaria e muito nos quesitos Evolução e Harmonia. A participação da corporação durante o Carnaval de Novo Hamburgo teve altos e baixos, rendendo elogios e críticas nas redes sociais e por frequentadores dos bailes hamburguenses.
Já na sexta-feira, dia do baile Vermelho & Branco na Sociedade Ginástica, a Guarda Municipal começou a mobilização cedo, isolando trechos da Rua Castro Alves e trabalhando a questão do acesso ao clube. Numa promoção estimada em receber cerca de quatro mil pessoas, a presença da corporação mais do que se justifica, já que o movimento no entorno do evento foi muito grande.
A mobilização da Guarda foi tão expressiva que levaram junto o micro-ônibus para ações de combate ao tráfico – uma das mais recentes aquisições do município. A propósito, é dever da Guarda zelar pelo espaço público e coordenar o trânsito em grandes promoções, sejam elas realizadas pela Prefeitura ou, por exemplo, em jogos do Esporte Clube Novo Hamburgo, eventos da Fenac ou promoções no NH Hall. Bela ação preventiva da Guarda na noite de sexta-feira e madrugada de sábado.
Contudo, os elogios ficam por aí. Ontem, foi realizado o baile infantil da Sociedade Ginástica. Cerca de duas mil pessoas passaram pelo clube. E é claro que as famílias tiveram de estacionar os veículos por ruas do bairro Rio Branco: Castro Alves, Aquidaban, 25 de Julho, Tupinambá, José do Patrocínio, Padro José Maurício, entre outras. E onde estava a Guarda Municipal? Sem qualquer sinal ou viaturas em frente ao clube. Sem guardas circulando ou carros fazendo ronda.
Com ausência da autoridade, entrou em campo a delinquência. Pelo menos três fanelinhas forraram o bolso na base da intimidação e ameaças. Dois marmanjos mau encarados passaram a tarde cuspindo no chão à espera de suas vítimas. A preferência, claro, por mulheres e crianças. Não cuidavam de nada: so ficaram pacientemente esperando as presas. E quando avistavam, já iam cercando para o bote ser perfeito. Tudo isso à luz do dia, no principal acontecimento social de Novo Hamburgo nesta terça-feira. E nada da Guarda Municipal.
Novo Hamburgo virou notícia nacional quando o ex-prefeito Tarcísio Zimmermann (PT), corajosamente e exemplarmente, criou a Lei dos Flanelinhas. Perfeito! Chega de vagabundo incomodando os hamburguenses e tirando dinheiro de inocentes. Pena que a lei passe
mais tempo no papel. Muito pouco é feito para conter esse assédio. Já ocorreram ações e repreensões isoladas, mas falta a sequência, a insistência, a vontade de tirar esses bandidos das ruas, que exploram as pessoas na base do terrorismo. Sem continuidade, a lei criada só vai servir para empanturrar de papel os arquivos públicos.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo na manhã de hoje. E, prontamente, recebi o seguinte esclarecimento:
De acordo com o Comando da Guarda Municipal, o evento destinado aos adultos teve um público estimado em 4.200 pessoas, sendo aproximadamente mil veículos estacionados no clube e nas imediações. O evento teve início às 18 horas de sexta-feira, dia 13 de fevereiro, com encerramento às 6 horas de sábado, dia 14, ou seja 12 horas de evento. Em contrapartida o "baile infantil", foi realizado na terça-feira, das 13 às 18 horas, com um público estimado em pouco mais de mil pessoas.
Diante disso, com base em critério técnicos o Comando da Guarda Municipal avalia a necessidade de atender a patrulhamentos em eventos, ressaltando que há diariamente uma programação de patrulhamentos a serem realizados pela corporação na cidade.
Sobre a atuação de flanelinhas, a Guarda Municipal não recebeu dos frequentadores, ou da direção do clube, nenhuma reclamação, tão pouco ligações referentes aos atos no entorno do clube. É importante ressaltar, que constatando a atividade, proibida por lei no município, a comunidade deve acionar a Guarda Municipal pelos telefones 153 ou 3524 8737.
