A atual administração de Novo Hamburgo tem lances e posturas incríveis. Uma das mais recentes foi, por preguiça e falta de competência, ter oficializado que a Ciclovia Victor Nicolau Körbes, sob os trilhos do Trensurb, passasse a funcionar como um calçadão. Inconformados – com razão – pela absurda distorção, um grupo de ciclistas hamburguenses protocolou petição no Ministério Público do município – número AT.01512.00425/2014 – requerendo a instauração de um inquérito cível com a finalidade de aferir a legalidade e razoabilidade da pretensão do Município de Novo Hamburgo de determinar o uso compartilhado da denominada Ciclovia Victor Nicolau Körbes. O documento entregue ao MP é assinado por Walter Miguel Cazenave Sánchez, Bruno José Goldberg Gallas, Ana Paula Viegas Martins e Carlos Mario Martínez Mastkeeff.
Entre as questões levantadas na petição, estão o desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), uso inadequado de sinalização e o risco de acidentes – até pela proximidade com o Arroio Luiz Rau. A decisão de compartilhar a ciclovia entre bicicletas e pedestres foi anunciada em novembro de 2014 pelo secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana (Sesmur), Egon Kirchheim (PT). No começo de janeiro deste ano foram colocadas algumas placas orientando o novo perfil do espaço: não mais ciclovia, mas calçadão. Na parte final do documento entregue ao MP está o pedido do grupo:
“Pelo acima exposto, requer seja instaurado inquérito civil por este órgão do Ministério Público Estadual, com a finalidade de aferir a legalidade e razoabilidade da pretensão do Município de Novo Hamburgo de determinar o uso compartilhado da ciclovia
Victor Nicolau Körbes.
Requer, ainda, sejam tomadas providências no sentido de obrigar a municipalidade a retirar as placas modelo A-30c instaladas ao longo da ciclovia supraidentificada, bem como a esclarecer à população acerca da exclusividade da ciclovia para o uso de ciclistas,
cumprindo e fazendo cumprir as normas de trânsito brasileiras, inclusive com a fiscalização do respeito, pelos pedestres, do art. 254 do CTB (e aplicação das multas correspondentes).
Os ciclistas ainda lamentam a falta de diálogo e intransigência do secretário Egon Kirchheim, que não deu ouvidos às solicitações dos ciclistas. “Temos a mais firme convicção do
que representa a preservação desta
ciclovia para nosa comunidade. Esperamos que o espaço se consolide como tal e seja precursor
do desenvolvimento de um plano de mobilidade urbana para nosso município, que entenda a bicicleta como um aliado fundamental e prioritário”, esclarece o grupo.
Para finalizar cito a cidade de São Paulo, também administrada pelo PT, onde a
Prefeitura
pretende
implantar 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Mais do que isso: foi instalada uma ciclovia em plena Avenida Paulista, tirando espaço dos veículos no asfalto do poderoso endereço. É difícil compreender porque o mesmo PT, em Novo Hamburgo, não consegue fazer o mínimo esforço para que uma ciclovia – mesmo com limitações e imperfeições – seja, simplesmente, uma ciclovia. É visão pequena, provinciana e despreparada – só assim para buscar alguma explicação sobre este golpe na mobilidade urbana do município.
