Conforme divulgado pelo Portal Martin Behrend na manhã de hoje – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… -, a Polícia Civil, em ação da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de dinheiro (DRLD/Denarc) em conjunto com a 2ªDP de São Leopoldo, deflagrou nesta quarta-feira (12), a Operação Consilium em repressão à lavagem de dinheiro praticada por uma facção do narcotráfico.
Mais de 90 policiais cumpriram 15 mandados de busca e apreensão, em Novo Hamburgo, nos bairro Canudos, Primavera e Lomba Grande. Documentos que serão analisados foram apreendidos e uma pessoa foi presa em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
O vereador de Novo Hamburgo Fernandinho (SD) e o subsecretário de Obras da Prefeitura, Pedro Arenhardt, o Peu, estão entre os investigados. Fernandinho chegou a ser preso em outra operação da Polícia Civil, em outubro do ano passado – http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… No dia seguinte à prisão, ele foi liberado: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Ainda nesta manhã de quarta-feira, o governo Fátima Daudt divulgou o seguinte esclarecimento:
“A Prefeitura de Novo Hamburgo, após ter conhecimento da Operação Consilium, solicitou o afastamento imediato do subsecretário de Obras. Pedro André Arenhardt, um dos alvos da ação policial da manhã desta quarta-feira, ficará fora das suas funções até o esclarecimento dos fatos.”
Em relação ao vereador Fernandinho, foi enviado o seguinte esclarecimento pela coordenadora de gabinete do parlamentar, Rita Hoff – esposa do ex-presidente da Câmara, Leonardo Hoff (PP):
“Hoje pela manhã a Polícia Civil realizou mandado de busca e
apreensão na cidade de Novo Hamburgo, onde não foi constatada nenhuma
relação concreta com o vereador Fernando Lourenço, ou seja, trata-se
apenas de uma investigação. O vereador seguirá com sua agenda de
atividades políticas normalmente, participando da sessão ordinária de
hoje às 14 horas na Câmara Municipal de Novo Hamburgo, bem como das agendas
já programadas anteriormente. Fernandinho não tem nada a temer e se
coloca à disposição para auxiliar no processo da polícia, que está em
seu papel.”
OPERAÇÃO CONSILIUM
A ação ocorreu em continuidade aos trabalhos investigativos, que desmantelou em 2017 uma organização criminosa que seria braço de uma conhecida facção atuante no Rio Grande do Sul e com berço na região do Vale dos Sinos, cujo um dos líderes encontra-se recolhido no Presídio Federal de Mossoró (RN), após a Operação Pulso Firme desencadeada pela Secretaria de Segurança Pública de Estado.
Naquela ocasião, foram apreendidas armas, drogas, documentos, além de decretados sequestro de bens móveis e imóveis no valor de R$ 8.000.000,00. Foram presos preventivamente os membros do escalão superior da organização, sendo constatada a lavagem de capitais oriunda do tráfico de drogas através de empresas (lanchonetes, transportadora) e aquisição de bens.
De acordo com as informações, foram percebidas movimentações financeiras ocorridas no ano de 2012 entre o líder da organização e um empresário, que no ano de 2016 efetuou doações para campanha eleitoral de um candidato a vereador, o qual foi eleito e exerce o cargo atualmente. Apurou-se que um imóvel de padrão foi adquirido para o criminoso, através de laranjas e que parte do pagamento teria sido uma casa no litoral norte, pertencente ao vereador. O contrato de compra e venda do imóvel teria sido apreendido na casa de um dos líderes da organização criminosa.
No mesmo período, a 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo efetuou diligências em apoio à DP de Canela em investigações sobre homicídios ocorridos na Serra cujos autores seriam membros de facção pela disputa de área de jogos de azar. Na ocasião, a DP de São Leopoldo cumpriu buscas na casa do vereador de Novo Hamburgo e prendeu o mesmo por posse ilegal de arma de fogo. Devido à apreensão de documentos, iniciou-se pela 2ª DP/SL a apuração de suposta lavagem de dinheiro.
Assim, as investigações da DRLD/Denarc e da 2ª DP de São Leopoldo foram unidas. A investigação então constatou incompatibilidade de valores movimentados pelo empresário residente em Novo Hamburgo, reforçando as suspeitas de que ele seria o provável elo financeiro entre o vereador e a facção criminosa. No período de 2012 a 2018, foi verificada movimentação de aproximadamente R$ 15 milhões pelos investigados, por meio de três pessoas físicas e seis pessoas jurídicas.
O delegado Márcio Zachello afirmou que a ação de hoje trata-se do resultado do prosseguimento e aprofundamento de investigações iniciadas em 2016 sobre a mesma facção, inclusive sobre eventuais vínculos com os diversos setores da sociedade, entre eles, o político. Já o delegado Rodrigo Zucco destacou que a ação vem para complementar a repressão desenvolvida pela Polícia Civil no Vale dos Sinos a essa facção criminosa que atua na região e em todo Estado.
Atualmente, está sendo apurada a lavagem de capitais em empresas no ramo de transportes, demolidoras de veículos, e a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros. Os documentos apreendidos serão analisados pelas equipes especializadas em lavagem de dinheiro, prosseguindo as investigações e tomando as medidas adequadas com objetivo de desmantelar o esquema de lucratividade e ocultação de valores da facção.
A reportagem ainda não conseguiu contato com Pedro Arenhardt.

























