Foi a pior experiência que tive na vida, afirma empresário hamburguense que se recupera da Covid-19

No isolamento do quarto de hospital, com dificuldades para
respirar e a febre alta não passando há alguns dias – mesmo com toda medicação –, o empresário de Novo Hamburgo Leandro Mosmann, de 43 anos, passou por momentos de absoluta
tensão e solidão. As sensações que vivenciou foram angustiantes. “Foi a pior
experiência que tive na vida. Disparado”, afirmou o hamburguense. Ele conversou
via WhatsApp com a reportagem do Portal Martin Behrend.

Após ficar por uma semana no Hospital Regina, ele está se
recuperando da Covid-19 no apartamento da família. Isolado da esposa, que está
num outro quarto, e do enteado, que fica num ambiente sem qualquer contato com
ele, o hamburguense completa hoje 14 dias desde os primeiros sintomas. “Está
chegando a hora de sair da quarentena”, comemora.

Ele ainda tem alguma dificuldade para falar, em razão do
problema que afetou os pulmões e o sistema respiratório, e intercalou a
conversa com leves tossidas. Mas tudo muito melhor do que há uma semana, quando
as coisas caminhavam para o lado da incerteza.

O empresário do ramo da construção civil esteve na Colômbia
e em São Paulo no mês de março. E foi um dos mais de 50 mil torcedores no
Gre-Nal da Libertadores – lembram, aquele do 0 a 0 e oito expulsos. “Muita
gente acabou pegando ali”, diz ele, mas sem ter a certeza de onde foi
infectado.

Confira a seguir o relato do empresário sobre sua
experiência com a Covid-19.


RINITE

“No dia 23 de março achei que estava com uma rinite. Fui na
farmácia, comprei o remédio de sempre. E melhorou de um dia para outro. Decidi
ir para a praia, um local mais arejado, com menos gente. Imaginei que seria bom
pra evitar qualquer risco de contaminação. Acabei ficando na praia, mas a febre
começou a aparecer com força. E ficou. No primeiro dia, sabe como é casa de
praia, não tinha termômetro. Então, no dia seguinte, compramos um. E aí
começou: 38; 38,5; 38,8. Tomava remédio, e baixava pra 38. Não estava me
sentindo bem. Então, decidi voltar pra Novo Hamburgo.”


INTERNAÇÃO

“No dia 26 de março acordei bem mal. Com febre alta,
dificuldades para respirar. Fui até o Hospital Regina e no ambulatório ouvi
aplausos. Estavam mesmo inaugurando a Unidade Respiratória Integrada (URI).
Aliás, o hospital estava muito bem equipado e sua equipe preparada. Me levaram
para esse local e parecia o filme do ET: todos com trajes tapando da cabeça aos
pés, ultra protegidos. Aquilo foi um choque. Fizeram os primeiros exames:
estava com 20% do pulmão tomado por um ataque viral. Era o novo coronavírus ou
H1N1. Eu seguia com dor de cabeça, febre alta e falta de ar.”


ISOLAMENTO

“Depois dos exames, me levaram para a Ala das Orquídeas para
seguir em isolamento. Só entravam enfermeiras para aplicar medicação ou trazer
alimentos. Só isso. Mas fui ficando sem fome e a dor persistia. Ali foi
baixando a moral. Era pra ficar um ou dois dias no hospital. Já estava há
quatro dias. E não passava, a febre não baixava e a dor persistia. Não cheguei
a ser entubado, mas recebi oxigênio através de um mecanismo. Foi a pior experiência
que tive na vida. Disparado.”



CLOROQUINA

“As coisas começaram a mudar com a aplicação da cloroquina,
esse medicamento que vem se falando muito. Um dia depois da primeira aplicação,
já me sentia melhor. E assim comecei a ter uma evolução no tratamento. Tive
alta no dia 2 de abril e montamos uma pequena estrutura de UTI em casa, com
aparelhos necessários para eventual emergência. Estou isolado, com minha esposa trazendo
as refeições – sempre de máscara e protegida. Faço algumas coisas sozinho, como
tomar banho, e sigo me recuperando gradativamente.”


IDOSOS

“Precisamos do equilíbrio neste momento. Quem puder, deve ir
trabalhar, pois o custo social vai ser muito grande. Agora, vai trabalhar sem
aglomerações, com limpeza, tendo distanciamento adequado entre as pessoas. Precisa
se cuidar, não é brincadeira. Agora, os idosos e os grupos de risco, por favor,
não saiam de casa. Fiquem isolados. O vírus é forte. Eu sou um cara alto, jovem, tive resistência. Mas em pessoas com alguma fragilidade no organismo
as chances de cura são bem menores. Eu peço para estas pessoas: fiquem isolados.”

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