Fiasco e desrespeito! Comunidade do bairro São Jorge conquista três vezes a mesma obra, que nunca foi realizada

O Orçamento Participativo coordenado pela Prefeitura de Novo
Hamburgo se configura cada vez mais numa das maiores fraudes administrativas do
município
. São milhões de reais conquistados pela comunidade e que nunca se
transformam em obras. Entre tantas situações reais já relacionadas pelo Portal Martin
Behrend, um dos casos mais críticos envolve a comunidade do bairro São Jorge.

Os moradores se mobilizaram e “conquistaram” em 2010, 2011 e
2012 a obra para reforma da Unidade de Referência em Assistência Social (URAS)
Dom Quixote
, localizada na Rua Jaboti próximo da Avenida Victor Hugo Kunz. Respectivamente, foram “conquistados” R$
50 mil, R$ 200 mil e R$ 300 mil. Mais de meio milhão de reais que nunca foram
aplicados na demanda indicada a partir da mobilização de centenas de moradores.
Onde está esse dinheiro? Por que a URAS Dom Quixote não pode ter sua nova sede
virando realidade se ela foi conquistada democraticamente? Por que as crianças
carentes e vulneráveis que participam das atividades no local são friamente ignoradas
pelo governo do prefeito Luis Lauermann (PT)? Eis aí mais uma flagrante fraude
do Orçamento Enganativo.

A URAS Dom Quixote atende atualmente cerca de 55 crianças.
Já foram mais de 100. Os trabalhos ocorrem em prédio alugado, localizado na Rua
Jaboti, e que pertence à Mitra Diocesana. É uma construção antiga e com suas
dificuldades na manutenção e acessibilidade, já que fica no segundo piso e a
escada é estreita. Até o começo do ano passado, funcionava ao lado a Escola
Municipal de Educação Infantil (EMEI) Negrinho do Pastoreio, que foi para outro
endereço. O cenário é de aparente abandono, já que o acesso se dá por um
corredor estreito.

Desde 2010, a comunidade vem lutando por um novo espaço para
a URAS. A estratégia foi buscar recursos junto ao Orçamento Participativo. “A
mobilização foi grande. Decidimos centrar forças para viabilizar esse
investimento. Contudo, ano após anos a frustração foi aumentando. Em 2013,
fomos orientados pela coordenação do OP a não buscar mais essa demanda, pois
estava assegurada. Infelizmente, a obra nunca ocorreu”, explica uma mãe, que
pediu sigilo para evitar represálias.

Nesse período de seis anos, avanços praticamente não ocorreram. Numa
tentativa de atender a comunidade, a Prefeitura sugeriu que a população achasse
um espaço adequado na região e repassaria o valor para o aluguel. Contudo, não
havia prédios adequados no entorno. Em outro momento, surgiu a possibilidade de
desapropriação de terreno para construção da nova URAS – uma das sugestões era englobar
a EMEI e a Unidade de Saúde da Família São Jorge, que também fica na Rua
Jaboti. “Tivemos toda paciência que pediram. Até que percebemos que faltava
vontade da Prefeitura. Lamentamos o jeito com que esse assunto foi tratado”,
destaca a mãe.

Esses movimentos para tentar viabilizar a obra ficaram em
tentativas frustradas da comunidade do bairro São Jorge ver materializada a
nova URAS. Mais de meio milhão de reais foram conquistados, inclusive
destacados na Matriz Orçamentária do Orçamento Participativo, como consta na
imagem desta reportagem.
Não faltou mobilização e organização. Seis anos de
espera. Três vezes a conquista da mesma obra. E o que os moradores receberam
foi a indiferença e a falta de carinho.

A reportagem do Portal Martin Behrend entrou em contato com
a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo.
Foram enviados e-mails
para cinco integrantes da equipe de comunicação. O Portal solicitou contato com
algum representante do governo Lauermann para esclarecimentos à comunidade. Até
o fechamento desta reportagem não houve manifestação da Prefeitura.

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