Fátima Daudt já decidiu: não vai desapropriar área do antigo Estádio Santa Rosa

A mobilização de muitos moradores do bairro Vila Rosa para tentar reverter o andamento de megaempreendimento da MRV Engenharia na área do antigo Estádio Santa Rosa não terá o apoio da prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB). Nesta quinta-feira, ela participou do evento Prato Principal da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV), na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo. No espaço para perguntas ela foi questionada pela reportagem do Portal Martin Behrend: “A senhora pretende desapropriar a área do Santa Rosa? Sim ou não?” A resposta na frente de cerca de 200 empresários foi negativa.

Segundo Fátima, o projeto da MRV está dentro da legalidade e
teria recebido um parecer favorável do Ministério Público.
“É um empreendimento
que está dentro da lei. Começamos nossa administração com esse projeto
resolvido e em andamento. Não podemos correr o risco de criar um grande
problema jurídico para o futuro do município”, justificou. Nesta tomada de
decisão, a prefeita ignorou a sua formação de arquiteta e urbanista e vestiu o
uniforme da prefeita política. Existem várias dúvidas sobre o impacto ambiental
e de mobilidade urbana na Vila Rosa a partir do megaempreendimento, contudo,
são tantos problemas herdados pela tucana e tanto sucateamento deixado pelo
governo no PT que ela está tendo de eleger prioridades.

Além disso, desapropriar a área seria ter de gastar cerca de R$ 15 milhões e, ao mesmo tempo, abrir mão de outros milhões de reais em tributos. Além disso são dezenas de empregos em jogo. Mas e os reflexos do empreendimento num bairro de ruas estreitas e sérios problemas de infraestrutura? Governar é fazer escolhas. Ela está apagando incêndios que considera mais graves

Embora a negativa da prefeita em desapropriar a área do
antigo Santa Rosa, os moradores seguem suas mobilizações. Nesta quinta-feira,
um grupo esteve reunido no Ministério Público entregando farto material para
que o MP investigue supostas irregularidades a respeito da aprovação do projeto
na administração anterior. Segundo os moradores, existem números equivocados e
o projeto estaria incompleto. O desejo dos moradores é que a administração
desaproprie a área – estimada em R$ 15 milhões – para construção de
um parque público para toda comunidade.
Os vizinhos da área, contudo, não vão desistir e pretendem mostrar que toda cidade pagará um preço alto pela obra naquele terreno. “Acreditamos no trabalho do MP. Vamos mostrar os dados irreversíveis dessa obra. Quem sabe, com um posicionamento firme do MP, a prefeita mude de ideia”, comenta um morador da Vila Rosa.

A MRV está investindo na construção do Condomínio
Residencial Porto Marabella e Porto Trinidad, no bairro Vila Rosa. O
projeto prevê mais de 600 apartamentos sendo construídos na área do antigo
Santa Rosa – padrão mais alto do Minha Casa, Minha Vida.
No primeiro momento,
será erguido o Porto Trinidad (320 apartamentos). As torres do Porto Marabella
não têm previsão para serem construídas, dependendo do cenário econômico do
país.

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