Em julho deste ano, o Portal Martin Behrend divulgou a reportagem: “Com Tarifaço na conta da água e corte de gastos, Comusa anuncia superávit histórico”.
A matéria destacou que “A Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo alcançou, no primeiro semestre de 2025, o maior superávit da sua história: R$14.461.901,05.”
A reportagem pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/com-tarifaco-na-conta-da-agua-e-corte-de-gastos-comusa-anuncia-superavit-historico .
Já no final de 2024, uma outra reportagem informou que a Comusa deveria encerrar o ano passado com um superávit de mais de R$ 40 milhões – a matéria está aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/comusa-sera-vendida-superavit-milionario-aponta-saude-financeira-da-autarquia .
ESFORÇO DOS HAMBURGUENSES
Foi esse superávit, muito por causa do esforço dos hamburguenses em honrar o Tarifaço ao longo de 2025, que fez a Comusa liberar R$ 1 milhão para patrocinar o Natal em Novo Hamburgo. Também foi divulgado que será liberado outro grande valor ao Esporte Clube Novo Hamburgo. Foram aliados do governo municipal que aprovaram a distribuição dos recursos. Cabe lembrar que a justificativa para o Tarifaço de 25% foi para investir no tratamento do esgoto e na distribuição da água. Jamais foi falado que seria para patrocinar eventos de outras áreas.
Em razão desses números, surpreendeu o fato de a Prefeitura apresentar um projeto na Câmara de Vereadores para contratar empréstimo junto à Caixa Econômica Federal no valor de até R$ 20 milhões. A operação de crédito é vinculada ao novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o Executivo, o objetivo é utilizar o recurso na implantação de uma adutora no bairro Canudos, ampliando a capacidade de abastecimento de água na região. Em primeira votação, o empréstimo foi aprovado por 7 a 4. A votação do projeto em plenário, em primeiro turno, foi nesta quarta-feira (10).
– Votaram a favor (7): Eliton Ávila (Podemos), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Ito Luciano (Podemos), Juliano Souto (PL), Nor Boeno (MDB) e Ricardo Ritter – Ica (MDB)
– Votou contra (4): Deza Guerreiro (PP), Enio Brizola (PT), Professora Luciana Martins (PT) e Joelson de Araújo (Republicanos).
A presidente interina Daia Hanich (MDB) votaria apenas em caso de empate. Em representação, Cristiano Coller (PP) não participou da sessão, bem como o vereador Felipe Kuhn Braun (PSDB), por motivo de saúde.
MANIFESTAÇÕES
Antes da votação, o diretor técnico da autarquia, Neri Chilanti, usou a tribuna para explicar o projeto da adutora de Canudos, que, segundo ele, tramita desde 2023 junto à Caixa. Conforme o diretor, um dos principais benefícios será a economia de energia, pois não será mais necessário realizar o bombeamento de água até a região de Canudos.
De acordo com a proposição, a implantação da adutora ampliará o número de imóveis abastecidos. A proposta também prevê a substituição da rede atual, construída na década de 1970 em fibrocimento, material que está ultrapassado e apresenta rompimentos frequentes.
Professora Luciana Martins (PT) concordou com a necessidade de investimento na Comusa, mas lembrou que, no mês de fevereiro, o diretor-presidente Paulo Kopschina esteve na Câmara e aventou a possibilidade de privatizar a autarquia. “Meu voto é contrário não porque não entenda a necessidade de investir, mas tenho dificuldade de entender quais as proposições futuras para a autarquia. A Comusa é patrimônio da cidade de Novo Hamburgo, e a água é direito de todos.”
Deza Guerreiro (PP) anunciou voto contrário, alegando a necessidade de compreender melhor as questões técnicas apresentadas no projeto. Embora tenha defendido a realização do Natal, enfatizou que alguns investimentos devem ser tratados como prioridade.
Para o líder de governo, Giovani Caju (PP), os R$ 20 milhões garantirão respaldo para a Comusa atuar nos próximos meses.
PRIVATIZAÇÃO
O Portal Martin Behrend vem recebendo informações há meses que a Comusa está gradativamente preparando a companhia para a privatização, concessão ou Parceria Público Privada (PPP).
Pelo valor superior a R$ 1 milhão, a Comusa aprovou a contratação da Fundace, de Ribeirão Preto (SP). É uma fundação com experiência na área de tratamento de água e esgoto. Segundo consta na apresentação dos serviços da Fundace, os estudos desenvolvidos abrangerão as atividades que compõem o serviço público de esgotamento sanitário no Município de Novo Hamburgo, por meio da Comusa, bem como a revisão do plano municipal de saneamento básico.
No trabalho também fala que a empresa vai auxiliar no “Revisão dos estudos de modelagem após a Consulta e Audiências Públicas” e “Acompanhamento do procedimento licitatório”.
Com Tarifaço e empréstimo milionário, a Comusa poderá ficar mais atraente com os investimentos que serão realizados a partir do esforço da população. Ou seja, os hamburguenses estão sendo sacrificados para deixar a companhia mais sedutora para a iniciativa privada.
No começo do ano, o diretor da Comusa, Paulo Kopschina, destacou na Câmara de Vereadores que a Comusa poderá ser transformada em sociedade anônima. “Podemos vender uma parcela de ações para obter capital, mas isso dependerá do mercado. Nenhum investidor compraria ações de uma empresa deficitária, especialmente se houver previsão de prejuízo em 2025”. Na época, ele informou que a venda total da autarquia estava descartada.
O segundo turno da votação do empréstimo será realizada na próxima segunda-feira (15).

























