Faleceu Maurício Schmidt, um pioneiro nas exportações de calçados no Brasil

Um dos pioneiros das exportações calçadistas no Brasil descansou.

Na manhã desta segunda-feira (16), aos 85 anos, faleceu o hamburguense Maurício Schmidt. Ele estava há alguns dias internado em hospital de Novo Hamburgo e o seu quadro de saúde se agravou após pneumonia e queda.

Ele estava residindo há alguns anos nos Estados Unidos, ao lado da esposa Dalita, para ficar mais perto do filho Eduardo Schmidt e dos netos. Também teve outra filha, Gabriela, que faleceu ainda jovem num acidente de trânsito na BR-101. Nas últimas semanas, Maurício e Dalita estavam de volta a Novo Hamburgo.

Era presença marcante na Sociedade Aliança jogando tênis e participando de confrarias gastronômicas. Durante muitas décadas, teve residência em Gramado ao lado do Hotel Serrazul. Também tinha casa de veraneio em Tramandaí. Seu bom humor era uma das marcas inconfundíveis.

O falecimento ocorreu em Novo Hamburgo e o velório será realizado na Funerária Krause. A cerimônia será das 17 às 22 horas de hoje e das 9 às 11 horas desta terça-feira (17). Às 10h30 deverá ser realizado um ato religioso e, após, a cerimônia de cremação.

Numa rede social. o filho Eduardo destacou a trajetória do pai e sua importância para Novo Hamburgo: “Vai por certo deixar um enorme vazio em um monte de gente, na comunidade que sempre atuou, uma cidade que ajudou a crescer. Muito devemos ao desenvolvimento do calçado ao cara que iniciou, esteve ausente da família, mas sempre acreditou que essa era a cidade do calçado”.

PIONEIRO

A relevância de Maurício Schmidt para o setor calçadista ficou materializada no livro Memória do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos, organizado por Claudia Schemes, Cleber Cristiano Prodanov, Ida Helena Thön e Rodrigo Perla Martins. A obra é um relevante registro histórico reunindo relatos de protagonistas desta caminhada do setor.

Na sua entrevista, os autores citam que “Maurício Schmidt foi o proprietário da primeira exportadora do Vale do Sinos, a SKB. A obra lembra que, em 1965, a Haas Ribeiro, de São Leopoldo, teve um movimento inicial, mas não houve seguimento. Foi o trabalho da SKB, ainda no final da década de 1960, que aglutinou as indústrias, criou um “pool” e estruturou o Vale do Sinos para as exportações de calçados.

No livro, Schmidt destaca: “Com relação ao pioneirismo na área de exportação, podemos dizer que éramos três: Cláudio (Strassburger), Raul Brandenburger e eu. Claro que o Cláudio tinha que cuidar mais das fábricas dele, eu viajava mais e o Raul ficou restrito à parte da Europa, onde tivemos escritório que foi instalado em 72, se não me engano, em Tilburg, na Holanda.”

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