No começo deste mês, o ministro Edson Fachin, relator da
Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura de inquérito
contra nove ministros do governo Michel Temer (PMDB), 29 senadores e 42
deputados federais. Havia cinco nomes de políticos gaúchos na lista, além de
dois ex-diretores-presidentes da Trensurb: Humberto Kasper e Marco Arildo
Prates da Cunha. A obra de extensão dos trilhos do trem de São Leopoldo a Novo
Hamburgo é suspeita de uma série de irregularidades envolvendo Odebrecht e o
governo federal.
A aparição do nome de políticos gaúchos e ex-executivos da
Trensurb na lista da Fachin criou uma expectativa sobre eventual citação de políticos
de Novo Hamburgo em alguma investigação. Entre os nomes que poderiam aparecer
está o do ex-vereador e atual diretor da CEEE, Leonardo Hoff (PP). Ele foi
diretor Administrativo e Financeiro da Trensurb por dois anos e meio.
Em dezembro de 2012, ele chegou a assumir interinamente a
presidência da Trensurb nas férias de Humberto Kasper. Aos 37 anos, o hamburguense entrou para a história da empresa como o mais jovem a assumir o cargo. Ele assumiu a
posição até então do deputado federal e ex-presidente, Marco Maia que quando
exerceu a função tinha 38 anos. Maia também aparece na lista de Fachin.
A reportagem do Portal Martin Behrend procurou Leonardo
Hoff. Ele atendeu a solicitação de entrevista e disse não temer as
investigações da Lava Jato. Confira:
Tu foste diretor administrativo e financeiro da Trensurb. Está surpreso com os
números da obra da Trensurb – mais de R$ 600 milhões além do valor da
licitação? Sabia que havia todo esse valor a mais?
Esta licitação foi feita em 2001/2002. Quando assumi a
função de diretor na empresa, em 2012 a obra já estava com 93% do projeto
concluído (físico e orçamentário), medido (pelos engenheiros da empresa) e pago
(pelo diretor anterior), ou seja, estava praticamente pronta. Não participei do
processo de contratação sob nenhuma forma.
Ficou surpreso com a aparição do nome de Humberto Kasper nas delações? Como
está tua relação com ele?
Parto do pressuposto que todas pessoas são honestas
até que se prove o contrário. Desde que saí da Trensurb não falei mais com o
ex-presidente Humberto Kasper. E a relação sempre foi institucional.
Tu ocupaste a presidência da Trensurb interinamente no lugar de Kasper. Teme
pela aparição do teu nome em alguma lista?
Por quinze dias, fui o mais jovem a assumir a presidência da
Trensurb, aos 37 anos, durante as férias do então presidente. Em relação a segunda
pergunta, não tenho temor algum. Fui funcionário e depois sócio da Schwan
Assessoria Empresarial por 13 anos. Fui diretor do Hospital Municipal por três
anos. Fui vereador e presidente da Câmara. Fui secretário de Estado. Fui
diretor da Trensurb e sou diretor da CEEE. Não respondo a nenhum processo.
Minhas contas sempre foram aprovadas pelos órgãos de controle.
O PP te indicou para ser diretor na Trensurb. Hoje, o PP é um dos partidos com
maior envolvimento na corrupção que está sendo investigada pela Lava-Jato. Qual
seu futuro na sigla?
Sou do PP da Ana Amélia, do Celso Bernardi, do
Francisco Turra, do Marcel Van Hatten, do Fixinha, do Issur Koch, de gente com
credibilidade que sempre defendeu as pessoas, a liberdade e valorizou o setor
empreendedor e produtivo. Não tenho compromisso com o erro e nem com quem erra,
seja quem for e de que partido for. Daqui pra frente sou apenas um cidadão
filiado dando minha contribuição para a democracia, mas não mais em cargo
diretivo partidário. É hora dos mais jovens e da renovação.
