O vice-prefeito de Novo Hamburgo, Roque Serpa (PTB), não perdeu tempo quando assumiu como prefeito interino no começo deste ano. Na sua passagem pelo comando do município, durante as férias do prefeito Luis Lauermann (PT), ele elaborou e assinou o projeto de lei que prevê a inclusão do “Dia Municipal da Marcha para Jesus, contra as drogas e em favor da família” no calendário oficial de eventos de Novo Hamburgo. Registrei a notícia em 23 de janeiro: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=482.
Dia Municipal da
Marcha para Jesus, contra as drogas e em favor da família? Por que Jesus estar no meio? Por que não ser Dia Municipal contra as drogas e em favor da família? Judeus, muçulmanos, budistas, ateus, entre outros, então, não devem participar? Por que misturar Jesus com a questão das drogas e da família, criando um evento excludente e constrangedor para outras religiões. Encaminhei
algumas
perguntas para a Prefeitura de Novo Hamburgo em busca de esclarecimentos e, mais uma vez, esperei por uma semana e foram sonegados esclarecimentos à comunidade.
A inclusão do evento no calendário oficial de eventos do município foi parar na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo para avaliação dos legisladores. E, na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (Cojur), o projeto de lei recebeu dois pareceres: a Procuradoria da Câmara considerou constitucional, enquanto o Instituto Gamma de Assessoria a Órgãos Públicos (IGAM) avaliou com inconstitucional. Mesmo com essa avaliação negativa, a Cojur – formada pelos vereadores Raul Cassel (PMDB), Luiz Fernando Farias (PT) e Naasom Luciano (PT) – deverá levar a plenário o projeto para que os vereadores decidam se o evento deve ou não deve ser incluído no calendário oficial do município.
Curiosidade: nesta semana, os vereadores Issur Koch (PP) e Naasom Luciano (PT) travaram duelo envolvendo posicionamentos da Cojur, que estaria vetando uma série de projetos de lei, impedindo que fossem levados à votação por todos os vereadores. A alegação de Issur é que estão sendo distribuídos carimbaços de inconstitucionalidade, impedido os projetos de serem apreciados pelo plenário da casa. Agora, o projeto teve parecer inconstitucional do Igam, mas – surpresa! – como veio do Executivo, passou pela Cojur…
Três observações finais: o evento não deverá ter custos aos cofres do município, sendo solicitado apenas sua inclusão no calendário oficial de eventos de Novo Hamburgo;
o
evento já foi lançado e
tem até página no Facebook: https://www.facebook.com/events/1567893240134567/; e, sugestão final,
tirem Jesus dessa: a marcha deve ser contra as drogas e pela família, sendo um evento inclusivo, e não excludente como está sendo proposto. O evento deve agregar todas religiões e ateus, e não agir de forma indiferente a quem não segue os ensinamentos de Jesus.
PS: Em tempo. Sou cristão praticante – luterano – e, na minha religião, aprendi a respeitar outros credos. E, não, a ser indiferente ou excluir cidadãos por terem outras crenças.

























