A prisão de um médico na noite desta quinta-feira (26), na UPA Centro, em Novo Hamburgo, pela Guarda Municipal, provocou forte reação de entidades médicas gaúchas.
O médico Rubem Antonio Citton Júnior, que trabalhava na UPA, foi detido, algemado e apresentou lesões em razão da abordagem. A alegação para a prisão do médico seria suposto desacato de autoridade, após discussões entre médicos e um guarda municipal que atua na UPA. Entre os motivos para a discussão, estariam um pedido para acalmar pacientes que aguardavam ser chamados para atendimento e o horário de jantar do guarda.
A ação da prisão do médico pelos guardas municipais foi filmada por funcionários da UPA, que registraram o profissional da saúde gritando e sendo dominado no chão. Segundo familiares, o médico quebrou duas costelas.
SIMERS
Nesta sexta-feira (27), o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, e a diretora do Simers, Débora Espírito Santo, estiveram em Novo Hamburgo. Conforme registros do próprio Simers, eles estiveram na UPA Centro e na Prefeitura de Novo Hamburgo. Matias e Débora conversaram com o diretor técnico da UPA, Rodrigo Franco, e com a secretária municipal da Saúde, Betina Espíndula.
“Estamos solicitando uma investigação da própria Prefeitura. E vamos solicitar uma investigação pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A investigação é fundamental. Defender os profissionais da saúde é defender a saúde da população”, salientou Matias. “A posição da Guarda Municipal é inaceitável”, completou. Ele defende o afastamento do guarda municipal. “Todos os funcionários estão muito impactados em razão do que ocorreu”, completou.
CREMERS
A Diretoria do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) recebeu, na tarde desta sexta, o médico Rubem Antonio Citton Júnior, que foi preso por guardas municipais na UPA Centro, em mais um caso de violência contra médicos.
O Cremers ouviu e acolheu o profissional, que relatou os fatos. “Fui torturado no meu ambiente de trabalho, na frente de pacientes e colegas. Não se pode viver em um país em que a população é colocada contra os médicos. Não quero ser mais um. Não quero que essa história se repita”, desabafou.
A procuradora Carla Bello explicou que o Cremers entrou com representação junto ao Ministério Público do Estado (MP-RS), à Prefeitura de Novo Hamburgo, à Corregedoria da Guarda Municipal e à Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, denunciando os crimes de abuso de autoridade, lesão corporal e prevaricação cometidos pelos agentes da Guarda Municipal.
O presidente do Cremers, Régis Angnes, relatou que o Departamento de Fiscalização (Defis) estava na unidade de saúde para verificar as condições de trabalho e de segurança do local.
O vice-presidente Eduardo Neubarth Trindade disse que “os médicos não podem ser atacados e as instituições médicas não podem deixar a violência passar de forma incólume”. Também estavam presentes a tesoureira Mirela Jimenez, a corregedora Márcia Vaz e o coordenador do Defis, Luciano Haas.
AMRIGS
