“Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado”. (Paulo Francis)
EDITORIAL
Após oito meses do blog Martin Behrend no ar, este é o primeiro Editorial publicado. E uso como inspiração as palavras do brilhante Paulo Francis. Seu texto é absolutamente certeiro sobre minha forma de pensar e de atuar no meu trabalho como jornalista. Uso este texto como uma espécie de mantra em defesa do jornalismo sério e responsável.
No dia de ontem, publiquei um artigo falando do trabalho do ex-vereador de Novo Hamburgo e diretor da CEEE, Leonardo Hoff, e do atual secretário Especial de Gabinete da Prefeitura de Novo Hamburgo, Gilmar Valadares. A publicação teve mais de 550 acessos, sendo visualizada por centenas de leitores. E rendendo dezenas de mensagens de apoio e críticas. É assim que funciona: liberdade de imprensa e liberdade de expressão.
Só que, para algumas pessoas, sou um jornalista raivoso, desequilibrado, ignóbil. Elas não entendem e não conseguem enxergar o que Francis tão brilhantemente prega: “Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue.” Eu não tenho raiva de Leonardo Hoff e Gilmar Valadares. Já entrevistei ambos algumas vezes. E, como agentes públicos, podem e devem ser criticados. Se a crítica está certa ou errada, “o leitor que julgue”. Agora, sejamos adultos e vamos aceitar a crítica como algo normal e necessário. Quem não está preparado para críticas, então, que não se apresente para representar a população – que, a propósito, pagará o salário do servidor, seja ele um vereador ou presidente da República.
Finalizo com um atenuante aos leitores, citando novamente – desculpe a insistência, mas o texto é espetacular – Paulo Francis: “Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma.” Eis aí um ponto falho de parte da imprensa. Gerações de leitores foram acostumadas ao jornalismo panos quentes, ao jornalismo empurrar a poeira para baixo do tapete, ao jornalismo abafo daqui e tu me recompensa dali. Diz Francis: “É tão incomum isso (criticar) na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa.”
Finalizo convidando as pessoas a se manifestarem sempre e quantas vezes quiserem a respeito dos meus textos. Reforçando que: “Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue.”
PS: O link do artigo de ontem é http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=486
