Dissertação de mestrado revela importância de um fotógrafo no período da emancipação de Novo Hamburgo

Novo Hamburgo completa nesta quarta-feira (5 de abril) 90 anos de emancipação política. E um presente foi dado no mês passado. Daniel Luciano da Silva, mestre em Processos e Manifestações
Culturais pela Universidade Feevale, defendeu em março sua dissertação de final
de curso. No trabalho intitulado Novo Hamburgo Velho: identidade e modernidade
nas fotografias de Max Milan
, ele estudou a construção da identidade da cidade
de Novo Hamburgo por meio de fotografias, no período de sua emancipação, entre
os anos de 1926 e 1927. Integraram a pesquisa 68 imagens registradas pelo
fotógrafo, que compõem dois álbuns que atualmente se encontram no Museu
Histórico Visconde de São Leopoldo.

“Comecei a dissertação pelo meu interesse em estudar a
fotografia, um grande foco de trabalho e pesquisa que tenho. Em meio à decisão
do tema do trabalho, o bairro Hamburgo Velho, onde iniciou a cidade de Novo Hamburgo,
foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), em função de seu valor e importância históricos para a região”,
explica Silva. Ao buscar referências na Fundação Ernesto Frederico Scheffel, o
mestrando recebeu a indicação de álbuns do fotógrafo Max Milan, com fotos de
Novo Hamburgo produzidas em junho de 1926.



“Ao encontrar as fotos, percebi que os álbuns nunca haviam
sido estudados e mesmo o próprio fotógrafo Max Milan não existia no universo
acadêmico. Além disso, há uma ligação direta entre essas fotografias e o
processo de emancipação de Novo Hamburgo”, afirma o mestre. Segundo ele, as
poucas citações encontradas sobre o trabalho do fotógrafo estão no livro do
jornalista e atual vereador Felipe Kuhn Braun (PDT), em que descreve que esses álbuns foram
encomendados para serem usados na campanha de emancipação da cidade. “As
fotografias foram enviadas – junto com um dossiê e as assinaturas dos eleitores
– para Borges de Medeiros, a fim de mostrar já uma cidade moderna, próspera, com
indústria, comércio, bem estruturada e onde as dificuldades existentes eram
justamente em sua relação com São Leopoldo, que era o município, enquanto Novo
Hamburgo era o segundo distrito”, completa. As fotos eram utilizadas, inclusive
pela imprensa, sem dar o devido crédito, e esse foi outro motivador para o
trabalho: reconhecer e creditar o trabalho de Max Milan.


De acordo com o autor do trabalho, as fotografias foram
extremamente importantes no processo de emancipação da cidade de Novo Hamburgo,
o que traz um grande valor histórico. “Buscamos uma contextualização para
mostrar o que aconteceu naquele período, com a ideia de progresso, de
modernidade, de ordem e de crescimento através da industrialização e no
resultado final percebemos uma formação de identidade. Ou seja, Novo Hamburgo
queria ser vista dessa forma, ao contrário do que eram os outros distritos, com
uma imagem mais agrária. E conseguiu fixar essa imagem durante seus 90 anos de
existência, pois até hoje é reconhecida como um polo industrial”, salienta.

Em anexo, mais fotos de Max Milan.

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