Nas últimas semanas, o Portal Martin Behrend recebeu abordagens de leitores envolvendo o Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo (SindProfNH).
No caso, as dúvidas reportadas estão relacionadas ao conteúdo de alguns textos publicados no perfil do sindicato no Facebook,
Os leitores, sendo que alguns são pais de alunos, tiveram a atenção despertada pela escrita de algumas palavras: diretor@s, tod@s, eleitor@s, aposentad@s, trabalhador@s, professor@s, funcionári@s.
“Será que essa prática será repetida na sala de aula? Nossos filhos vão aprender a escrever dessa forma?” Estes foram dois dos questionamentos realizados pelos leitores, que pediram para não ser identificados.
GÊNERO NEUTRO
Existe uma discussão crescente sobre o uso do gênero neutro ou da linguagem neutra nas palavras. O uso das expressões neutras busca contemplar as pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino).
Em reportagem da editoria de Educação do G1, de outubro de 2021, é destacado que “o gênero neutro é a substituição dos artigos feminino e masculino por um “x”, “e” ou até pela “@” em alguns casos” – a matéria pode ser conferida aqui: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2021/10/28/e… .
Na imagem abaixo estão trechos de algumas das publicações do sindicato:
Então, o sindicato que representa os professores municipais de Novo Hamburgo adotou o neutro nas suas publicações? E essa prática será repassada e ensinada para as crianças nas salas de aula das escolas hamburguenses?
Segundo a presidente do sindicato, Luciana Martins, a resposta para os questionamentos acima é não.
A dirigente sindical destaca que o uso da “@” é uma prática de longa data dentro do SindProfNH. “O sinal da arroba é utilizado no sentido binário. É uma forma de reduzir a escrita”, explica.
Luciana lembra que 95% dos representados no sindicato são mulheres. Então, ao invés de se escrever professores e professoras, se faz a opção por professor@s. “Dessa forma, temos uma forma mais inclusiva de contemplar toda categoria num formato mais reduzido”, completa.
Ela comenta que essa prática ocorre com maior ou menos ênfase. No próprio blog do sindicato existem exemplos de que, por vezes, a forma padrão é utilizada pelo sindicato, como nessas duas postagens abaixo, de 2021.
A presidente do SindProfNH garante que não tem o objetivo de pautar ou fazer a escrita pedagógica, nem orienta que essa prática do sindicato seja repetida dentro da sala de aula. “Prezamos a autonomia pedagógica. Cada espaço teu sua autonomia”, reforça.
Luciana Martins destaca que a utilização do “@” vem de longa data e essa temática de gênero merece um debate aprofundado. “Estamos sempre disponíveis para receber a comunidade hamburguense”, reforça a dirigente sindical.
A reportagem pesquisou dezenas de textos no blog do sindicato, em diferentes anos, e a imensa maioria não registra a presença da “@”, fato que se nota com mais presença nos conteúdos recentes.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
A titular da Secretaria Municipal da Educação, Maristela Guasselli, ficou surpresa com a pauta da reportagem. Ela assegura que este tema de linguagem neutra não foi levantado dentro da rede municipal de ensino. Logo, não há orientação para essa prática nas salas de aula.
Também não existe uma orientação federal sobre qualquer implantação desta questão.
Maristela destaca que a educação antidiscriminatória é uma realidade na rede de ensino de Novo Hamburgo. “É um tema presente nas vidas dos jovens e adolescentes, em debates e trabalhos realizados”, argumenta a secretária de Educação.
