O diálogo foi o caminho encontrado por moradores da Rua Castro Alves, no bairro Rio Branco, e a atual diretoria da Sociedade Ginástica Novo Hamburgo para encaminhar um problema de mais de 15 anos.
O impasse em questão envolve taquareiras dentro do clube posicionadas próximas do muro da Rua Castro Alves. Em dias de temporal e de vento forte, as taquareiras envergam e impactam com força nos fios de alta tensão. O resultado: os moradores de parte da rua ficam sem energia elétrica.
Em cerca de 15 anos, foram registrados cerca de 15 episódios em que dois quarteirões ficaram às escuras. Na rua residem centenas de hamburguenses – são quatro prédios –, além de ter residências, comércios e serviços. Os moradores cansaram de contabilizar prejuízos, que vão desde equipamentos queimados, comidas estragadas, portão trancado, trabalhos profissionais impactados, idosos sem poder descer pelos elevadores, entre outras questões. A Ginástica, como tem o fornecimento de energia por outra rede, não ficava sem energia. Dezenas de moradores prejudicados também são associados do clube.
DIÁLOGO
Os moradores da Rua Castro Alves vinham há mais de uma década buscando uma medida mais efetiva: o corte de parte das taquareiras do clube. Em anos anteriores, houve alguns avanços. Numa oportunidade foram colocadas cintas nas taquareiras, que ajudaram a agrupar os galhos. Contudo, as cintas desgastaram.
Em 2022, quatro caminhões da RGE foram acionados para uma poda preventiva, que ajudou temporariamente. No entanto, as taquareiras seguiram crescendo.
Em 2024, com a chegada de Jorge Dhein à presidência da Ginástica, um diálogo mais efetivo foi estabelecido com moradores da Castro Alves. Em novembro do ano passado, estiveram reunidos representantes da Ginástica, moradores, RGE e técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A reunião esclareceu medidas que poderiam ser adotadas e foram consideradas sugestões a serem colocadas em prática.
INÍCIO DO CORTE
Nesta quarta-feira (19), a Sociedade Ginástica Novo Hamburgo começou a proceder com o corte de algumas taquareiras. Tendo o aval e uma orientação técnica da Secretaria do Meio Ambiente. Uma empresa terceirizada está realizando o trabalho.
Técnicos da RGE também estiveram avaliando a situação no local e realizaram uma poda externa. A tendência é que o corte continue sendo realizado por alguns dias.

MAIORIA SERÁ MANTIDA
Em relação ao corte da vegetação, a maioria das taquareiras será mantida. O corte mais radical será naqueles grupos que ficam mais perto do muro e que representam maior risco de provocar novos prejuízos aos moradores. “O associado precisa saber que apenas uma minoria das taquareiras será retirada. Sabemos do carinho por este espaço do clube, tanto que vamos manter a maior parte das taquareiras. Mas precisamos ter a responsabilidade de ouvir os vizinhos, que também são nossos sócios”, destaca o presidente Jorge Dhein.
O grupo de moradores da Castro Alves considerou positivo o caminho encontrado para ter mais tranquilidade. Embora sempre exista a chance de algum galho se chocar com a fiação nos temporais, a avaliação é que os riscos reduzirão significativamente. Em prédios da rua, moradores já tinham criado uma espécie de “Protocolo Taquareiras”, que envolvia carregar celulares, colocar carro na rua para não ficar com portão trancado, não fazer compras por causa do elevador e do refrigerador, entre outras questões. “São anos e anos de prejuízos e dificuldades. Temos vídeos dos galhos explodindo nos fios e interrompendo o fornecimento de energia elétrica. É um tormento de longa data. Felizmente, o diálogo foi possível para minimizarmos estes riscos”, destaca o grupo de moradores.

























