Enquanto dezenas de obras em escolas de Novo Hamburgo seguem paradas há anos, mesmo tendo sido conquistadas no Orçamento Participativo (OP) – ou Orçamento Enganativo –, uma entidade estudantil que deveria defender os interesses dos alunos engorda
seus cofres. É a União dos Estudantes de Novo Hamburgo (UENH), que aboliu a democracia direta nas suas votações e se transformou num puxadinho do PCdoB no município. Quem são os representantes do comunismo no Parlamento hamburguense? Roger Corrêa e Jorge Tatsch.
Recentemente, no projeto de lei 29 votado na Câmara de Vereadores, entre mais de 40 entidades que receberão recursos a partir da indicação dos parlamentares, a UENH ficou em segundo lugar: R$ 40 mil. À frente dela, somente o Sport Club Americano, de Canudos, com R$ 47 mil. Com menos recursos, ficaram entidades que tratam pacientes de baixa renda com câncer, de deficientes físicos, de deficientes visuais, de lesados medulares e pacientes com Down, e diversas Apemens de escolas municipais – muitas ganhando 4 ou 5 mil. Mas a UENH está no topo da lista, com R$ 40 mil.
Só que não ficou nisso. No mesmo canetaço e por indicação da Secretaria da Cultura (Secult), a UENH recebeu mais R$ 50 mil. Adivinha quem está tem dentro da Secult? CC indicado pelo PCdoB. Bingo: num mesmo projeto, R$ 90 mil para uma entidade nada democrática e loteada de comunistas. No meio dessa fartura de indicações e subvenções, ainda tem mais R$ 3 mil para o DCE da Feevale, entidade rica, dentro de ambiente altamente capitalista e composta por outra parcela de comunistas. “Se hay govierno, queremos la plata!”
O que se observa nas duas entidades é uma promoção do vereador Roger Corrêa participando seguidamente de eventos e promovendo ações com viés político. Além disso, há uso de recursos para viagens e atividades políticas. O caso mais recente é que a UENH participou com bandeiras de protesto na Praça do Imigrante defendendo a presidente Dilma Rousseff, discursando em cima do carro de som. Os estudantes hamburguenses foram consultados? Quem decidiu a posição política da UENH? A ditadura tomou conta da entidade.
O repasse da Câmara não seria tão problemático se houvesse transparência e democracia na aplicação dos recursos. Fui averiguar o Facebook da UENH e há um manancial de críticas ao governo Sartori (PMDB), mas nada de críticas ao prefeito Luis Lauermann (PT) – e seu desleixo com dezenas de obras em escolas do município e aumento das passagens, por exemplo – e a presidente Dilma Rousseff (PT) – num governo marcado pela lama e o fedor da corrupção.
A UENH defende esses governos ao invés de lutar pelos interesses dos estudantes. É surreal! Tudo isso patrocinado com dinheiro suado dos hamburguenses. Sem falar que a sede da UENH está semiabandonada. Saudades dos tempos em que o movimento político estudantil vendia bolo e salgados para conseguir recursos. Hoje, o dinheiro jorra de gabinetes lustrados e dos cofres da comunidade.
ESCLARECIMENTOS
Busquei junto à Câmara de Vereadores saber quem indicou os R$ 40 mil para a UENH. Neste ano, diferentemente do que vinha ocorrendo, não foram reveladas oficialmente as indicações dos vereadores. “Decidimos adotar essa postura para evitar vinculação política num ano de eleição. Os vereadores indicaram, foram feitas as conferências para saber se as entidades estavam habilitadas e repassamos ao Poder Executivo”, explica o coordenador legislativo Maicon Silva, CC indicado pelo comunista Jorge Tatsch – que beleza! O coordenador legislativo discorda que essa omissão dos nomes prejudique a transparência do processo. “Buscamos evitar a promoção política”, reforça. Ele esclarece que entidades que não estavam com as contas em dia ou que não vinham recebendo repasses não puderam ser contempladas.
O Blog Martin Behrend entrou em contato com todos os vereadores, no começo da semana, solicitando a relação das indicações feitas por ele. Até o fechamento da reportagem, enviaram retorno Enio Brizola (PT), Nassom Luciano (PDT), Issur Koch (PP) e Raul Cassel (PMDB). Os e-mails enviados para Cristiano Coller (Rede) retornaram. Patrícia Beck (PPS) não fez indicações. Entre os vereadores que se manifestaram, não houve indicações pra UENH.
CONTRAPONTO
O Blog Martin Behrend entrou em contato com o DCE da Feevale e a UENH. Houve confirmação do recebimento do pedido de entrevista e/ou esclarecimentos. Contudo, nenhuma das entidades se manifestou sobre os recursos recebidos.
Enquanto a UENH conta os R$ 90 mil que recebeu, dezenas de obras em escolas do município “conquistadas” pelo Orçamento Participativo seguem esperando há nos. Sem falar das demandas e carências no bairro Santo Afonso, onde Roger e Tatsch têm seus currais eleitorais. Quem sabe, quando a fumaça – ou a poeira baixar – na UENH, eles comecem a protestar por tanto descaso com as crianças e adolescentes do município.
