Crise no Hospital Municipal de NH: vereador sugere atrasar ou reduzir salários de CCs

Fundação de Saúde Pública confirma atrasos de milhões de reais

A Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), que administra o Hospital Municipal de Novo Hamburgo, está vivendo uma realidade conflitante.

De um lado, existe dinheiro sobrando da gestão do prefeito Gustavo Finck (PP) para abrigar CCs políticos indicados por vereadores e apoiadores políticos.

De outro lado, contratos milionários estão atrasados, a conclusão da obra do Anexo 2 paralisada e uma série de reclamações de pacientes, familiares e funcionários. “Estamos sendo orientados a trazer roupa de cama de casa para garantir a troca diária, pois não se tem essa garantia”, desabafou uma familiar de paciente, que pediu para não ser identificada.

Uma das realidades recentes mais graves envolve a recente suspensão da realização de cirurgias e de procedimentos cardíacos no Hospital Municipal. Em razão de atraso nos pagamentos do Instituto de Tratamento Cardiovascular (ITC), responsável pelo serviço no município, o atendimento foi temporariamente paralisado, afetando dezenas de pacientes. Isso também impactou moradores de municípios vizinhos.

Outras duas situações da área da saúde também estão preocupando a comunidade: uma eventual paralisação no transporte de pacientes oncológicos até Taquara e o serviço de lavanderia do Hospital Municipal. Nesse segundo caso, é uma situação que se arrasta há meses e é desconhecimento dos funcionários, que ficam sem ter como resolver a troca de roupa de cama, por exemplo.

VEREADOR

Na sessão desta quarta-feira (3) da Câmara de Novo Hamburgo, o vereador Enio Brizola (PT) tratou dos problemas do Hospital Municipal e fez uma sugestão. “Fiquei muito preocupado com a paralisação das cirurgias cardiológicas no nosso hospital. Somos referência na região. Há de ter prioridade nessa questão. Reconhecemos que tem dificuldades, mas tem de eleger prioridades. Se tiver de deixar CC sem receber, tem de deixar. Se tiver de reduzir salário de CC, de secretários, de diretores e do prefeito, tem de reduzir. Se tiver de cortar na Câmara, nós temos de cortar. Mas que não se atrase um serviço tão importante quanto esse (cardiologia)”, reforçou o petista.

ESCLARECIMENTO

O Portal Martin Behrend procurou a FSNH. Foi enviado pela diretoria o seguinte esclarecimento sobre os temas que estão gerando reclamações.

“A Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) reconhece os desafios enfrentados nos últimos meses e informa que tem adotado medidas para minimizar os impactos à população. Mesmo com redução das dívidas com fornecedores na atual gestão, continuamos operando com limitações orçamentárias.
Em relação ao ITC, reforçamos que o serviço é estratégico e essencial, e está em pleno funcionamento, e que esforços têm sido feitos para manter sua operação. A dívida atual com o ITC está próxima de R$ 4 milhões — valor inferior ao mencionado. A FSNH depende de repasses do município — nosso contratante e mantenedor — que atualmente enfrenta uma situação de calamidade financeira. Apesar disso, seguimos buscando alternativas para manter os serviços essenciais em funcionamento.
Quanto à lavanderia, a troca recente da empresa responsável, bem como a aquisição e doação de novas peças, já amenizaram o problema recorrente de falta lençóis e de enxoval em geral. No entanto, enfrentamos ainda insuficiência de peças, e seguimos trabalhando para normalizar o serviço.
Quanto a definição e indicação de cargos comissionados (Ccs), são de competências da administração central.
Reafirmamos nosso compromisso com a saúde pública, mantendo atendimento ininterrupto à população de Novo Hamburgo e região, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo sistema.”

 

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