A Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo vive
uma crise administrativa sem precedentes. Desde 3 de dezembro de 1998, quando
foi criada, não se tinham tantas dúvidas quanto ao futuro da autarquia. Obras
fora de controle, dívida milionária com a Corsan, informações não reveladas
para a comunidade e, na outra ponta, se gastam milhares de reais em
publicidade. O atual comando da Comusa está nas mãos do filósofo Alvaro Rogério
Alencar Silva. Por ser fiel militante ao PT, o porto-alegrense ganhou o cargo
em Novo Hamburgo no lugar do Mozar Dietrich. Foi mais uma troca traumática na gestão do prefeito Luis Lauermann (PT).
Uma das situações mais graves envolvendo a Comusa diz
respeito ao andamento das obras para tratamento do esgoto, num investimento de
R$ 150 milhões. Iniciadas em 2011 na gestão do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann, as melhorias deveriam ter sido entregues no
começo desse ano. Hoje, não há previsão de quando serão concluídas. Um protótipo
para testar a eficácia das plantas macrófitas (que farão tratamento) deveria ter sido inaugurado em
fevereiro de 2015, no Loteamento Morada dos Eucaliptos. Um ano e meio depois, o espaço está em vias de começar a
operar, mas não há convicção dentro da Comusa de que isso venha a ser
praticado. Em junho desse ano, o Portal Martin Behrend tratou desse tema: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Após o período de testes das macrófitas, serão necessários
nove lagoas de tratamento que nem começaram a ser construídas. Só aí são três
graves problemas: atraso nas obras, indefinição sobre compra ou produção das
macrófitas e o futuro local das lagoas de tratamento, que pode ser
inviabilizado por estar num local de risco de inundação. Com prazo inicial de
conclusão pra 2016, estimativas extraoficiais calculam que somente em 2021 Novo
Hamburgo verá essas obras para tratamento do esgoto sendo finalizadas.
Sobre a situação financeira da Comusa, existe a milionária dívida
com a Corsan. Em setembro do ano passado, a Corsan informou que mais de R$ 147
milhões terão de ser pagos pela Comusa – Prefeitura de Novo Hamburgo – à companhia.
O valor se refere ao ressarcimento do valor do patrimônio deixado pela Corsan
ao município, na década de 90, quando o serviço de saneamento passou a ser
prestado pela Comusa. A Corsan chegou a trabalhar com a possibilidade do valor
atingir R$ 175 milhões.
Só que, ao invés de controlar gastos, o que se percebeu desde
o ano passado foi a gastança com publicidade. Em contrato publicado em abril do ano
passado, a Prefeitura acenou com a liberação de mais de R$ 3 milhões. A Comusa
seguiu patrocinando páginas em jornais e fazendo outras ações de marketing,
quando deveria se preservar para os desafios que vêm pela frente.
Fechando esse pacote de erros administrativos, a Comusa vem
escondendo informações da comunidade. Na semana passada, foi publicado um Aviso Oficial liberando área do Parque Floresta Imperial para Comusa. Entrei em contato com a
assessoria de imprensa para entender o que significada esse aviso. A assessoria
confirmou que recebeu e repassou para o comando da Comusa. Contudo, após sete
dias, não houve retorno. Ontem, servidores da Comusa estavam no Parque Floresta
Imperial realizando mutirão de limpeza. É a segunda reportagem que o Portal Martin Behrend aguarda manifestações da Comusa para a comunidade, mas a autarquia esconde os esclarecimentos.
A Comusa perdeu controle de obras, tem dívida milionária, esconde
informações e gasta fortunas em publicidade. A água, felizmente, ainda está
potável
