Comunidade católica reclama do Festeja Hamburgo Velho. Organizadores da festa buscam o diálogo

O evento Festeja Hamburgo Velho está no seu terceiro ano
programação e é uma das tantas promoções que vem atraindo milhares de
hamburguenses para as ruas, numa saudável confraternização, integração de
tribos culturais e de ocupação de espaços públicos.
Além do Festeja, tem o Na
Rua, Viva Praça, Feira Pólen, Boulevard Almirante Barroso, Parklet & Lounge,
Margot Street, Hamburgerberg Fest, entre outros. Os últimos três anos vêm sendo
de promoções em ruas e praças tendo a adesão e a simpatia de muita gente. É um
novo momento para a cidade com a presença da população prestigiando estas
programações.

No entanto, nem tudo são flores em alguns eventos. Um desses
casos envolve o Festeja Hamburgo Velho. Realizado na Praça Monsenhor Edmundo
Backes, em frente à Igreja Nossa Senhora da Piedade, a promoção que ocorre
mensalmente com milhares de visitantes não tem a simpatia de centenas de
integrantes da Comunidade Católica Nossa Senhora da Piedade do Bairro Hamburgo
Velho. Entre as principais queixas estão dificuldades no acesso de veículos,
perturbação sonora, prejuízos para os casamentos em relação à chegada de noivos
e convidados, entre outros aspectos que estão tirando o sono dos frequentadores da Paróquia da Piedade.
O que para os participantes do evento pode ser festa, para quem tinha a tranquilidade naquela região do município virou um tormento.

Neste sábado, um texto criticando o Festeja foi publicado no
Facebook e teve mais de 40 compartilhamentos e dezenas de curtidas.
Entre os
cidadãos que curtiram o texto está o ex-presidente da Câmara de Novo Hamburgo,
Leonardo Hoff (PP). O texto na íntegra pode ser conferido na sequência da
reportagem.


FESTEJA HAMBURGO VELHO


A organização do Festeja Hamburgo Velho foi procurada pela
reportagem do Portal Martin Behrend.
O grupo informou que prefere não se
manifestar neste momento e seguirá buscando o diálogo com a comunidade católica
como vem fazendo desde o ano passado para poder resolver situações pontuais.

Ainda no ano passado, a Comissão de Educação, Cultura,
Desporto, Ciência e Tecnologia da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo,
presidida pelo vereador Issur Koch (PP), recebeu o grupo organizador do Festeja
Hamburgo Velho, integrado por Luana Khodja, Stela Maris Nervo, Roberto Becker,
Alcebiades Junior, Luiz Andre Holderbaum e Ana Cristina Muller. A equipe
conversou com vereador sobre formas de dar continuidade à realização do evento.
A ideia é inclui-lo no Calendário Oficial do Município. Entre as propostas, o
grupo tem como objetivo adotar a Praça Monsenhor Edmundo Backes, a fim de criar
uma cultura do uso dos espaços públicos na cidade.


Confira a seguir o texto publicado no Facebook.

FESTEJA HAMBURGO VELHO

Hoje venho fazer um desabafo que com certeza não é só meu. São as vozes da
grande maioria dos paroquianos e também, com certeza, do pároco e do vigário
paroquial da Comunidade Católica Nossa Senhora da Piedade do Bairro Hamburgo
Velho. Nossa Paróquia existe oficialmente há 137 anos. São exatamente há 136 anos que
todos os cristãos católicos do bairro, que assim desejaram puderam expressar
livremente a sua fé, nesta que é a Semana por excelência de todo católico: a
Semana Santa. Infelizmente não foi o que aconteceu hoje! Hoje, dia 08 de abril de 2017,
sábado véspera do Domingo de Ramos não conseguimos realizar as nossas orações
durante a tarde na Igreja, nem tampouco celebrar a Santa Missa com
tranquilidade.

Por quê? Porque o microfone e a música do Festeja Hamburgo
Velho saia nas caixas de som dentro da Igreja, além de todo o barulho que a
própria festa já produz em si mesma. Desde a primeira edição do Festeja viemos dialogando com a organização do
evento do quanto a festa em si causa transtornos a nossa vida paroquial. Sim,
existe vida, na Igreja Católica: existe dois grupos de jovens que se reúnem aos
sábados a tarde, existem senhoras que rezam o terço aos sábados de tarde,
existem paroquianos que ensaiam músicas aos sábados de tarde, existem…
existem…

O Festeja nos aborrece, não por ser uma festa! A cidade
merece eventos deste e de outros portes também! O Festeja nos aborrece porque
atrapalha o trânsito, dificultando e muito o acesso à Paróquia. O Festeja nos
aborrece porque os noivos e convidados dos casamentos não tem como acessar
dignamente à Paróquia no dia mais importante da sua vida. O Festeja nos
aborrece porque atrapalha com as suas músicas altas os nossos momentos de
oração e reflexão. O Festeja nos aborrece porque o seu microfone toca dentro da
nossa amada Igreja, onde o Cristo Eucarístico está presente. O Festeja nos
aborrece porque é em frente a nossa Igreja.

Sabemos que a Praça Monsenhor Edmundo Backes é de todos,
porém solicitamos aos organizadores do Festeja ética e respeito a nós que
também somos cidadãos hamburguenses, e como tal, também temos direitos.

Já sugerimos outros lugares lindos da nossa cidade para a
festa. Lugares que não atrapalhariam a vida religiosa de ninguém. Lugares
estes: O largo da Praça Mauá, em frente e ao lado da Sociedade Ginástica de
Hamburgo Velho. A Praça da Bandeira, divisa do Centro com Hamburgo Velho. A
Praça Vinte de Setembro, lugar lindo e de muito mais visibilidade que o local
atual. Existem também muitos outros lugares adequados que não causariam tanto
transtorno como o atual. A resposta que recebemos não gostaríamos de tornar
pública, por motivos éticos.

A livre expressão cultural de um povo é uma conquista que
não pode ser perdida, porém a livre expressão religiosa de uma comunidade
centenária deve ser respeitada. É somente RESPEITO o que pedimos!

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