O comerciante Luciano Blauth esteve na sessão desta segunda-feira (25) na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Ele foi convidado a pedido dos vereadores Nor Boeno (PT) e Patricia Beck (PP).
Em determinado momento do seu relato realizado da tribuna, ele parou. Travou, Colocou a mão nos olhos. E chorou. Refeito, Blauth continuou falando.
Emocionado e indignado, o hamburguense relatou ter sido agredido por agente de trânsito da Guarda Municipal ao filmar com o celular um acidente ocorrido no dia 22 de novembro no cruzamento da avenida Pedro Adams Filho com a rua Valparaíso.
Segundo ele, a agressão tem origem com outra situação. Como as condições do asfalto melhoraram neste trecho da Pedro Adams Filho, incluindo a rua Alvear, muitos motoristas passam acelerando no local. Como tem comércio na região, Blauth vem há meses externando sua preocupação com acidentes e sustos.
De janeiro para cá, ele declarou ter feito pelo menos seis protocolos junto à Prefeitura, para pedir quebra-molas ou algum tipo de alternativa para evitar tragédias no local. Os registros foram realizados em virtude de gravíssimas colisões, tendo uma delas resultado na morte de um rapaz de 21 anos. Conforme Blauth, há motoristas que transitam pelo trecho recapeado recentemente na avenida Pedro Adams Filho, até a rótula da rua Alvear, com velocidades que atingem 90 km/h, quando o limite é de 40 km/h.
VÍDEO
Na sexta-feira passada, ele gravou mais uma colisão para cientificar as autoridades sobre o perigo do local. Ele contou que começou a filmar e a narrar o ocorrido, mostrando inclusive que agentes de trânsito estavam presentes. No vídeo, de acordo com Blauth, o guarda sinalizou que o registro não poderia ser feito.
Em resposta, ele teria dito que estava fazendo o seu papel de cidadão. Conforme o comerciante, o agente deu um tapa em seu aparelho telefônico. Na sequência, o guarda teria jogado-o contra um muro e o agredido.
O cidadão mostrou para a plateia no Plenário os locais atingidos nas pernas e nos braços. “O meu vídeo está com o meu advogado e será encaminhado à corregedoria. Eu, como contribuinte desta cidade, não merecia passar pelo que passei – humilhado, jogado no chão, algemado e colocado junto na grade com bandidos. Eu não sou bandido. Eu nunca entrei numa delegacia. Quando entrei, ingressei algemado”, desabafou, acrescentando que não queriam deixá-lo fazer corpo de delito.
Além disso, segundo Blauth, o guarda que agrediu teria combinado com um colega as expressões que eles apontariam como suposto desacato. O comerciante ainda contou que houve uma tentativa por um guarda de pegar seu aparelho de telefone celular para apagar as imagens registradas.
Blauth afirmou que a cena foi presenciada por várias pessoas que estavam no trecho no momento. Ele informou que o acusaram de desacato. “Não precisava ter passado por isso, não estou generalizando dizendo que todos são assim”, disse, revelando temer ser alvo de algum tipo de represália em virtude da denúncia.
APURAÇÃO
Presente à sessão plenária para falar de denúncias envolvendo aplicação de multas por alguns integrantes da Guarda Municipal, o secretário municipal de Segurança, Roberto Jungthon, comprometeu-se a averiguar o caso e tomar as providências necessárias, se comprovada a situação relatada por Luciano Blauth. A reportagem não confirmou o nome dos guardas envolvidos na abordagem.
A Prefeitura de Novo Hamburgo também informa que os procedimentos para apurar a ocorrência já foram iniciados. O secretário Roberto Jungthon determinou à Corregedoria da Segurança que iniciasse as averiguações. Em caso de realização de sindicância ou processo disciplinar, o procedimento é conduzido pela Procuradoria Geral do Município, que nomeará uma comissão composta por servidores do quadro da Prefeitura específica para analisar o caso.
Após a exposição da versão do cidadão, o vereador Enio Brizola (PT) pediu uma cópia da fala para que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores possa apurar excessos e acompanhar o andamento do processo de investigação.
