Com empenho de R$ 16 milhões para RGE, uso de energia solar é incerto pela Comusa

Uma das contas operacionais mais elevadas da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo é a de energia elétrica.

Para o ano de 2022, a companhia empenhou o valor de R$ 16,250 milhões para honrar com os compromissos com a RGE.

Estes valores constam dos empenhos 83, 84 e 85 de 2022, com dispensa de licitação, assinados em 5 de janeiro deste ano.

O valor empenhado pela Comusa para pagamento da RGE significa uma conta mensal de energia elétrica de R$ 1,354 milhão. Ou cerca de R$ 45 mil por dia.

No ano passado, o valor ficou abaixo do que foi empenhado. Em 2021, o valor gasto com a RGE foi
de 12,8 milhões
– pouco mais de R$ 1 milhão por mês.

QUESTIONAMENTOS

Estes valores milionários despertaram a atenção de leitores do Portal Martin Behrend. Entre tantos compromissos, a Comusa precisa pagar uma dívida de 20 anos com a Corsan. É uma conta que prefeitos hamburguenses de gestões anteriores foram empurrando com a barriga, não se prepararam com reservas adequadas e que estourou nos últimos anos.

Além disso, com mais de 30% da água tratada sendo desperdiçada em vazamentos, fugas e outros problemas estruturais históricos, a Comusa precisa seguir investindo na substituição da rede – o que vem ocorrendo, mas precisará ter mais celeridade e constância. É muita água tratada desperdiçada sem uso ou consumo. A propósito: Novo Hamburgo está “um pouco melhor” do que outras cidades e regiões do país, onde o índice de desperdício se aproxima de 40%.

Os leitores que procuraram o Portal Martin Behrend indagaram sobre projetos da Comusa para a utilização da energia solar fotovoltaica. A própria sede da Comusa, no barro Rondônia, tem área física que comportaria dezenas – ou até centenas – de placas solares.

Diante dos questionamentos, a reportagem foi em busca de esclarecimentos e posicionamentos da Comusa sobre esses gastos e a previsão de investimentos em energia solar fotovoltaica.

Na sequência estão as respostas da Comusa para questões enviadas por leitores e pela reportagem.

Por que a Comusa
gasta tanto com energia elétrica?

90% de todo
consumo elétrico da Comusa acontece nos processos de captação da água no Rio
dos Sinos, na estação da Estrada Leopoldo Petry, bombeamento até a Estação de
Tratamento de Água, no bairro Rondônia, e sua distribuição pelos mais de 900
quilômetros de tubulação pela cidade. Os bombeamentos principais são movidos
por motores de grande porte que demandam uma potência elevada. Essa potência
necessária gera um consumo elevado.

Por que, mesmo
gastando tanto com a RGE, a Comusa é prejudicada quando tem problemas de
energia elétrica que afetam o fornecimento de água pra população?

A RGE deve
obedecer o regramento do órgão regulatório (Aneel). Existe a RESOLUÇÃO
NORMATIVA Nº 414, DE 9 DE SETEMBRO DE 2010 que regula o serviço.

A RGE tem uma
abrangência regional e, como tal, precisa atender todos os serviços de
utilidade pública como, por exemplo, hospitais, e nos disponibiliza um agente
de relacionamento. Este canal é utilizado sempre que necessário. Mesmo em casos
de emergência, o último registrado em 2020, o atendimento foi dentro da
normalidade.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR:

Em duas reportagens nos últimos anos, o Portal Martin Behrend destacou situações em que a RGE levou algumas horas pra resolver problemas do fornecimento de energia para abastecimento de água aos hamburguenses:

2018 – Comusa retoma captação e abastecimento de água é normalizado. Defesa Civil em alerta com ventos fortes: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

2020 – Mais uma vez, queda de postes e fios afeta abastecimento de água. Comusa justifica falta de um gerador: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

A Comusa segue sem a intenção de adquirir um gerador para situações emergenciais a fim
de evitar cortes no abastecimento de água?

Na Comusa, o
principal bombeamento (captação de água bruta) possui um duplo alimentador e,
em algumas situações planejadas, são alugados equipamentos para evitar a total
paralisação da captação e desabastecimento. Nos bombeamentos menores, não é
viável tecnicamente, além do custo e manutenção do sistema ser muito elevado.
Na análise custo/benefício, a locação, quando necessária, é mais viável.

Em 2020, em
resposta ao Portal Martin Behrend, levantamento feito pela Comusa apontou que a
compra de um gerador de emergência específico para o bombeamento custaria mais
de R$ 2 milhões, com manutenção anual de até R$ 400 mil. Também em 2020 foi a
última vez que a Comusa lidou com uma falha elétrica devido a um temporal, que
impossibilitou a captação e prejudicou o abastecimento por algumas horas.

A energia solar fotovoltaica é uma realidade. Qual medida a Comusa implantou para ter energia
fotovoltaica? Ou não tem planejamento pra isso? Ou não é possível?

Grande parte da
energia consumida pela empresa (90%) é utilizado pela captação e bombeamento.
Nesses bombeamentos, não seria viável tecnicamente (com a tecnologia existente
hoje no mercado do Brasil) essa instalação, pois a potência é muito elevada e
exigiria um espaço físico de grandes proporções para viabilizar.

Nas unidades
administrativas, está sendo realizado um estudo para a instalação das placas
fotovoltaicas para redução desses valores. A Comusa também possui um sistema
fotovoltaico off-grid (sem a concessionária), que será implementado em outros
sistemas menores (controle de vazão, nível e pressão).

Existe algum plano
de uso racional de energia elétrica dentro da Comusa? Desde quando ele
está em vigor?

Sim. Desde a
criação da Comusa medidas têm sido implementadas para redução do custo.

Em
1999, o custo do tratamento de metro cúbico de água era de 1,09 kWh. Hoje, é
0,76kWh, o menor custo da história. Temos um
profissional da área de engenharia que realiza este trabalho diário (operação e
especificação de equipamentos).

Quanto aos
equipamentos: Adquiridos motores
de alto rendimento; Troca de bombas
por outras de maior rendimento; Uso de inversores
de frequência para o acionamento de motores; Substituição das
lâmpadas por outras de maior eficiência (LED) nas unidades administrativas.

Quanto à operação: Contratos com
tarifação diferenciada nas subestações da empresa, gerando economia nas contas; Diariamente, é
monitorado o consumo e, sempre que possível, alteramos as tarifas e os
respectivos contratos para buscar um melhor valor.

Existe um
regramento interno (orientação) e
monitoração do acionamento dos bombeamentos em horários com tarifas mais
baratas (evitar o horário do pico). Este procedimento é constantemente
ajustado.

Estamos na fase de
estudos para abertura de processo de
adesão ao mercado livre de energia (prática de tarifas mais competitivas ).
Este mercado está em processo de regulação.

Sair da versão mobile