Em setembro do ano passado, o Portal Martin Behrend compartilhou a seguinte reportagem: “Moradora de Novo Hamburgo é finalista em concurso de moda com coleção para cadeirantes”.
A matéria destacou que “a egressa do curso de Moda da Universidade Feevale, Kátia Cristina Kayser de Oliveira, está na final do 8º Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva. O prêmio selecionou, entre projetos de toda a região Sul do Brasil, 20 estudantes para apresentarem suas coleções de moda inclusiva em um desfile que conhecerá o vencedor.”
Os vencedores deveriam ter sido conhecidos em novembro do ano passado. Mas, em razão da pandemia do coronavírus, o evento final foi sendo adiado.
Finalmente, em 3 de dezembro deste ano, os projetos finalistas apresentaram suas criações no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis (SC).
A coleção de Kátia Cristina Kayser de Oliveira foi reconhecida com destaque e conquistou o 3º lugar. As duas primeiras colocações ficaram com Kailane Berns, de Blumenau (SC), e Tainara Ribeiro, de Jaraguá do Sul (SC).
Após mais de um ano de espera, Kátia está vibrando com o resultado. “Desde o início, não me considero concorrente dos demais estilistas, mas participante de uma mostra de trabalhos desenvolvidos com o objetivo de encontrar soluções possíveis a esse segmento de moda, pouco exposto, mas com mercado a ser considerado. Todos que apresentaram suas criações são vitoriosos. Meu sentimento é de gratidão a todos os envolvidos”, completa a egressa”, comenta.
COLEÇÃO
A coleção apresentada pela moradora de Novo Hamburgo foi pensada para cadeirantes. A proposta teve o estudo iniciado em 2017 e concluído no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Katia, em 2020, com o projeto intitulado Vestuário adaptado para pessoas com paralisia cerebral (orientado pela professora Regina Heidrich),
A inspiração veio com a convivência com seu afilhado, Guilherme Finotti, que possui paralisia cerebral. Finotti graduou-se em Sistemas para Internet e concluiu especialização em Engenharia de Software Aplicada para Dispositivos Móveis pela Feevale. Há seis anos, ele rabalha na área de TI (tecnologia da informação) de um banco. “Esse trabalho exige, por vezes, uma roupa mais social, por isso, desenvolvi uma modelagem para atender ao segmento de moda inclusiva, a partir da identificação das dificuldades e necessidades que as pessoas com paralisia cerebral encontram ao vestir-se”, explica Katia.
Dessa forma, foram produzidos vários looks. “Optei por fazer roupas para ocasiões que exigem um traje entre o casual e o formal, aplicando adaptações na modelagem plana masculina. Também utilizei tecidos com elastano, aviamentos adequados e, também, tecnologias como antimicrobianos e absorventes, tudo visando o melhor conforto, funcionalidade e vestibilidade”, diz a egressa.
Na foto abaixo, uma das criações está sendo vestida pelo entrevistado no TCC, Andrey Arthur Barbosa Boeno, de Novo Hamburgo.
Para Katia, foi maravilhoso apresentar “seus meninos” modelos vestindo os looks. “As pessoas incríveis que conheci me mostraram novamente que uma limitação de movimentos ou uma deficiência física não deve ser barreira pra nada e que todos temos o direito de ser (nesse caso de vestir) o que quisermos, de nos sentirmos pertencentes ao grupo ou a sociedade em que vivemos”, afirma.
O 8º Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva é promovido pelo Instituto Nação Brasil, com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Santa Catarina (Senai-SC).
