A espera permanece.
Cerca de 7000 moradores de Novo Hamburgo ainda não sabem quando poderão receber a segunda dose da vacina CoronaVac. O número de pessoas na fila de espera foi confirmado pela Prefeitura.
Embora o governo estadual tenha anunciado, há algumas semanas, que uma remessa que havia chegado seria suficiente para zerar a lista de espera, essa informação não se confirmou. Na prática, houve um desalinhamento nas notificações de pessoas vacinadas.
Desta forma, milhares de gaúchos continuam na expectativa.
PROTEÇÃO
Nas últimas semanas, o Portal Martin Behrend foi questionado sobre a chegada de novas doses para a segunda aplicação. Além da data, existe outra preocupação da população: esta segunda dose, sendo aplicada 40 dias, 50 dias, ou até mais de 60 dias após a primeira aplicaçao, vai ajudar na proteção e no complemento do esquema vacinal?
As autoridades sempre trabalharam com um intervalo de 28 a 30 dias entre as doses da CoronaVac. Então, um prazo bem mais dilatado será suficiente para proteger as pessoas?
Em razão dos questionamentos, a reportagem apurou algumas informações.
BULA DA CORONAVAC
Está no site do Ministério da Saúde a bula da vacina. Lá constam as seguintes informações:
“A vacina adsorvida covid-19 (inativada) é indicada para imunização ativa para prevenção de casos de
COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, em indivíduos com 18 anos ou mais que sejam
suscetíveis ao vírus.
O esquema vacinal completo com duas doses é necessário para obter a resposta imune esperada para a
prevenção de COVID-19. A proteção em indivíduos com esquemas incompletos não foi avaliada nos
estudos clínicos.
O esquema de imunização é de 2 doses de 0,5 mL com intervalo de 2-4 semanas entre as doses.
Ainda não foi determinado se doses de reforço do produto serão necessárias.”
INSTITUTO BUTANTAN
No Brasil, o Instituto Butantan, em São Paulo, é o parceiro na produção da CoronaVac. Nesta quinta-feira, a assessoria de imprensa do instituto respondeu a questionamentos do Portal Martin Behrend com o seguinte posicionamento:
– “Para produzir o efeito protetivo, conforme indicado em bula (veja íntegra em vacinacovid.butantan.gov.br) são necessárias duas doses da vacina contra o coronavírus. É importante
completar o esquema vacinal com duas doses. A definição de
públicos-alvo, orientação aos estados sobre intervalo entre as doses e
logística de distribuição das vacinas competem ao Ministério da Saúde.”
SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES
Em reportagem realizada pela CNN, há duas semanas, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, se posicionou da seguinte maneira:
– “Se não for possível receber a segunda dose até completar os 28 dias, o ideal é tomar o quanto antes, na primeira oportunidade, para completar o esquema vacinal.”
Os estudos publicados sobre a CoronaVac se referem a uma eficácia de até 73,8% contra o coronavírus se o intervalo entre as doses estiver entre 14 e 28 dias. Não há dados científicos sobre eficácia em relação a prazos maiores do que esse.
O imunologista João Viola, presidente do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), salientou a necessidade da segunda aplicação. “As doses de reforço da maioria das vacinas são bem espaçadas. Sendo assim, mesmo se passar dos 28 dias, ainda estamos em um prazo muito razoável de ativação do nosso sistema imune para fazer a imunização.”
PRODUÇÃO
A CoronaVac é produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A Sinovac envia ao Butantan a matéria-prima (insumos) para que os processos de envase, rotulagem, embalagem e controle de qualidade sejam feitos no Brasil.
Todo esse processo dura entre 15 e 20 dias. Só então as doses são disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para distribuição para a população.
A última entrega de IFA (matéria-prima) proveniente da China para a produção da CoronaVac chegou ao Brasil no dia 25 de maio. O Instituto Butantan recebeu três mil litros de insumos – suficientes para a fabricação de 5 milhões de doses do imunizante. As doses estão em produção.
Segundo a Prefeitura de Novo Hamburgo, “a projeção
divulgada pelo Ministério da Saúde é de entrega de novas doses nos
próximos dias.”
Com informações da Agência Brasil da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
