Faltando menos de três meses para o Carnaval de 2015, o assunto do repasse de recursos públicos para escolas de samba de Novo Hamburgo vai ganhando espaço na pauta. Há duas semanas recebi um e-mail e, somado a isso, está em discussão na Câmara de Vereadores o projeto 113/2014 de autoria do Poder Executivo, que “Dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, na execução do programa Alô Carnaval.” Vamos por partes.
Há duas semanas recebi o seguinte e-mail de um hamburguense ligado ao Carnaval. Ele solicitou anonimato para evitar represálias. “Por que o carnaval está sendo organizado pelo secretário de Cultura, Carlos Mosmann, mesmo contra a vontade dos carnavalescos? Não teria o secretário outras funções? Por que o secretário insiste em ter a escola de samba Império da São Jorge, que todos sabem que não tem comunidade e nem componentes, não participa das reuniões e o mesmo diz que a escola vai desfilar?
Será que é por que a mesma tem na diretoria CCs da Prefeitura? Fiquei sabendo que uma das escolas mais tradicionais de Novo Hamburgo pode deixar o Carnaval em função de discordar de algumas situações.”
Em relação ao e-mail enviado pelo carnavalesco, recordo que fiz matéria no começo do ano sobre o tema. A Secretaria de Cultura assumiu o evento de 2014 em função de problemas burocráticos e de documentação da Associação das Entidades Recreativas, Culturais e Carnavalescas de Novo Hamburgo. Em relação ao Império da São Jorge, mostrei e divulguei fotos da escola desfilando com fantasias e componentes de agremiação de Esteio. A escola não tinha componentes suficientes para o desfile e não se sabe onde aplicou os recursos públicos, uma vez que recebeu fantasias prontas de outra escola. Trazer fantasias prontas é promover a cultura carnavalesca? À época, o secretário Carlos Mosmann justificou essa situação como integração entre as escolas de samba da região, algo muito comum no mundo do Carnaval. Também foi confirmado que pelo menos um dirigente da Império da São Jorge era CC em coordenadoria do município. Outro fato: no desfile deste ano a escola Aí Vem os Marujos perdeu 126 pontos na avaliação. Finalizou com 28,4. A campeã de 2014, Cruzeiro do Sul, fez 156,5 pontos!
Com esse fiasco e descaso do dinheiro dos hamburguenses
os Marujos receberão
recursos públicos normalmente em 2015? Fico devendo essa resposta.
Já na Câmara de
Novo Hamburgo está sendo analisado o projeto 113/2014 enviado pela Prefeitura, que “Dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, na execução do programa Alô Carnaval.” É um investimento de R$ 282 mil do governo federal com contrapartida de R$ 30 mil da Prefeitura de Novo Hamburgo, chegando a R$ 312 mil. O projeto foi aprovado em primeiro turno e, na quarta-feira desta semana, teve pedido de vista de cinco dias aprovado. A solicitação para postergar a apreciação da matéria foi feita pela vereadora Patrícia Beck (PTB). O motivo é a necessidade de envio de uma mensagem para corrigir valores que não estão corretos. O ajuste deverá ser encaminhado pelo secretário de Cultura, Carlos Mosmann.
O Projeto Alô Carnaval tem um objetivo pertinente: visa a fomentar e desenvolver a cultura carnavalesca de Novo Hamburgo, através de oficinas voltadas para o desenvolvimento das áreas de Mestre Sala, Porta Bandeira, Bateria, Fantasias e Adereços, Porta Estandarte, Tema Enredo e Samba no Pé, que visa qualificar e potencializar as Escolas de Samba de Novo Hamburgo. Até aí, excelente e louvável!
O intrigante no repasse dos recursos públicos para o Carnaval – só em 2014 foram cerca de R$ 300 mil para uma festa de poucas horas – é o papel e a responsabilidade social das agremiações. Em outras áreas do município se exige farta documentação e comprovação da atuação de entidades, organizações, escolas e clubes para que possam receber recursos da Prefeitura. Contudo, historicamente, no Carnaval hamburguense se abre concessão em nome da maior festa popular do país. É a farra do dinheiro público na farra carnavalesca.
Que o Projeto Alô Carnaval, que tem na sua essência muitas virtudes, consiga qualificar foliões e carnavalescos do município para termos uma festa mais profissional e atrativa. E que a Câmara de Vereadores adote uma postura mais fiscalizadora e menos passiva em relação a algumas escolas de samba. Se temos boas e históricas referências na Protegidos da Princesa Isabel e Cruzeirinho, por exemplo, existem dúvidas sobre outras escolas. Afinal, o que fazem o ano inteiro? Onde ensaiam? Existe sede? Qual a contribuição social e cultural? Por que recebem tanto dinheiro? Se tem o Projeto Alô Carnaval, lanço aqui o Projeto Alô Câmara para verificar quais escolas merecem o recurso público oriundo do bolso dos hamburguenses.
PS: Como apaixonado por Carnaval, integrando grupos e blocos há anos, e por já ter acompanhado alguns desfiles em Novo Hamburgo, vou torcer para que o Projeto Alô Carnaval consiga trazer resultados práticos. Já presenciei situações vergonhosas e ridículas no desfile oficial patrocinado com dinheiro público.
