Enquanto o governo gaúcho começa a trabalhar com um planejamento para retorno em diferentes etapas nas escolas estaduais, o governo do município de Novo Hamburgo divulgou novidades em relação ao calendário escolar.
As informações envolvem as escolas municipais hamburguenses. A rede tem 52 escolas de ensino fundamental, 34 escolas de educação infantil e mais de 24 mil alunos matriculados.
Nesta quarta-feira (12), o comunicado foi feito pela prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB), e pela secretária municipal de Educação, Maristela Guasselli, durante Live no Facebook.
O ano letivo será formalmente registrado no seguinte período: de 3 de agosto de 2020 com encerramento previsto para 19 de janeiro de 2021.
As aulas serão realizadas em formato virtual, através de plataformas eletrônicas. Numa minoria de casos, de famílias que não têm acesso a internet/meios digitais ou quando as crianças têm dificuldades no aprendizado, os estudantes receberão material impresso – com os devidos cuidados sanitários.
A decisão do Executivo hamburguense foi tomada pela comissão responsável pela reorganização do Calendário Escolar e está de acordo com a homologação do Ministério da Educação (MEC) tendo como base o Parecer nº 11/2020 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que autoriza e dá orientações educacionais para a realização de aulas e atividades pedagógicas não presenciais no contexto da pandemia.
Para encarar o período de atividades remotas, a Secretaria de Educação desenvolveu um Plano Pedagógico que vem subsidiando e qualificando o planejamento e as ações dos professores, sem tirar deles a autonomia pedagógica. Os planos pedagógicos são fundamentados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no Referencial Curricular Gaúcho e nos documentos orientadores da Rede Municipal de Ensino.
AULAS PRESENCIAIS
A Prefeitura não confirma quando serão retomadas as aulas presenciais nas escolas. O município aguardará sinal verde de autoridades da saúde. “Como estamos lidando com um momento totalmente diferente na história recente, onde respostas exatas ainda não existem, e tudo pode mudar de um dia para o outro conforme a ciência avança no conhecimento sobre o vírus, vamos avaliar dia a dia as decisões. Por este motivo afirmo que no momento não há data prevista para o início das aulas”, explica Fátima Daudt. “Quando chegar o momento, vamos discutir aulas presenciais”, completa.
O Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo (SindProfNH) tem uma campanha contundente: “Volta às aulas presenciais só com vacina!” – o movimento está nas redes sociais. “Foi a posição do Conselho Político Sindical, que reúne representantes de cada escola/local de trabalho, baseada em evidências, aderir a este movimento nacional. Na maioria dos lugares em que se precipitou a volta às aulas presenciais estão revendo, sobretudo no Brasil, que tem um Governo Federal omisso em relação ao combate à pandemia e governos locais que estão cedendo às pressões para reabertura de atividades econômica precocemente. Os resultados são números assustadores de contaminados e de mortes que não decrescem, colocando o Brasil na lista dos piores países a lidarem com a Covid-19. Ocorre que estamos normalizando essas mortes e perdendo a noção da condição que vivemos”, analisa o presidente do SindProfNH, Gabriel Ferreira.
PREPARAÇÃO
A suspensão das aulas presenciais ainda em março, medida adotada no combate à transmissão do novo coronavírus, apresentou desafios para estudantes, professores e gestores de educação. Neste período foram realizadas algumas pesquisas, como levantamento sobre o histórico de doenças dos professores, condições das famílias em relação à tecnologia e modelos alternativos aplicados em outros municípios.
Os meses seguintes foram para intensificar a oferta de formação dos professores para o uso das ferramentas tecnológicas e as possibilidades do ensino remoto e, principalmente, de aproximação dos estudantes com atividades de acolhimento e escuta das famílias que também tiveram suas rotinas impactadas pelas consequências da pandemia.
Como forma de manter e fortalecer os vínculos, as escolas utilizaram diferentes estratégias, especialmente publicando ações lúdicas nas redes sociais. Da mesma maneira, a secretaria realizou uma série de transmissões ao vivo com a participação de especialistas em diferentes temas. Foram 13 lives exibidas no canal da secretaria no YouTube e que já somam cerca de 80 mil visualizações.
Alguns professores, contudo, protestaram em relação ao calendário proposto pela Prefeitura. Em manifestações nas redes sociais, criticam uma falta de maior celeridade da Prefeitura para tomar decisões e lamentam que muito do que fizeram até aqui não teve o melhor aproveitamento.
FAMÍLIAS QUESTIONAM
Nos meses de pandemia e com mais ênfase em julho e agosto, leitores entraram em contato com o Portal Martin Behrend relatando situações caseiras dramáticas. São famílias de hamburguenses em que pai, mãe ou ambos perderam empregos ou tiveram redução salarial.
Alguns estão em casa, precisando procurar trabalho, mas não podem sair ou desenvolver outra atividade em razão dos filhos estarem sem aulas presenciais. Existem diversos complicadores que estão saturando todo ambiente familiar, já carregado pelas questões de saúde inerentes à Covid-19.
Uma das perguntas enviadas: “Por que os garis recolhem lixo, os enfermeiros atendem pacientes, os médicos se separam de suas famílias para ficar nos hospitais, os motoristas transportam trabalhadores, os repórteres realizam coberturas, os industriários produzem nas empresas, os comerciários atendem os clientes, mas os professores não podem voltar ao trabalho presencial? O que diferencia os professores dos outros trabalhadores que lidam com o público?”, questionaram alguns pais, que gostariam de ver seus filhos nas escolas, com todos os cuidados sanitários e prevenções, da mesma forma como vem ocorrendo em outros países.
A resposta é dada por Gabriel Ferreira: “A vida humana é única para todas e todos. Da lista acima, muitos(as) trabalhadores(as) são de serviços essenciais para o combate à pandemia. Não retornar às aulas presenciais neste momento é, inclusive, respeito a esses(as) profissionais que estão se colocando em risco para exercerem suas atividades essenciais. Qualquer outra atividade que pode ser evitada, deve ser evitada. As escolas retornando sem imunização da população serão vetores de contaminação de muito além do que alunos e professores. Muitos estudantes moram com avós e outras pessoas de grupos de risco e o trânsito dessas crianças e adolescentes da escola para casa ampliarão os casos de contaminados e mortes. Mesmos em crianças, estudos tem demonstrado o surgimento de síndromes raras relacionadas ao Covid-19, como a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica , o que as coloca, também, como integrantes de grupo de risco.”
PAÍSES
Em outros países, as aulas estão sendo retomadas. O Portal Martin Behrend trouxe ainda hoje um relato sobre o recomeço de aulas presenciais na Alemanha – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/8340/titulo/criancas-voltam-as-aulas-presenciais-na-alemanha .
A reportagem fez a seguinte pergunta: “Existem vários países retomando as aulas presenciais. Em diferentes escolas, com diversos cuidados sanitários. Qual a razão disso não poder acontecer aqui?”
A resposta é do presidente do sindicato: “São países que administraram a crise gerada pela pandemia de forma séria e responsável. Não há como comparar com o que se faz no Brasil. O Brasil poderia pensar em um retorno sem vacinas se quem administra o país estivesse conduzindo a crise pandêmica com seriedade. Deixar de gastar milhões em medicamentos que não tem comprovação científica e investir em EPIs, em testagem geral, em incentivo ao distanciamento social, através de campanhas de conscientização, mas também garantindo condições de vida para que as pessoas possam permanecerem isoladas e em facilitação de crédito a juros zero aos micros, pequenos e médios empresários. Países como a Alemanha demonstraram que um isolamento severo, nunca nem perto atingido no país, consegue controlar a pandemia.”

























