A revitalização que trouxe uma série de melhorias para o Centro de Novo Hamburgo, realizada há três anos, representou uma injeção de ânimo para quem mora, trabalha ou circula na região central do município
Houve melhorias no calçamento, na ampliação da área dos pedestres, modernização das Bancas, revitalização da Praça do Imigrante, novas lixeiras, mudança no paisagismo, instalação de carregadores de celulares, entre outros investimentos – incluindo na questão que não fica visível, como a drenagem e a tubulação.
O Calçadão de Novo Hamburgo entrou nesse pacote de melhorias. Inaugurado na década de 1980 no lugar da antiga Rua General Neto, o espaço foi um dos primeiros do país com a valorização da circulação dos pedestres no lugar de veículos.
Nesta revitalização, o Calçadão ganhou novo piso, floreiras recuperadas, novos bancos, acessibilidade, melhorias na iluminação, chimarródromo, ombrelones, carregador de celular e uma pracinha. Foi um belo e generoso “tapa no visual”.
Passados cerca de dois anos da renovação, o Calçadão contrasta prédios históricos e fachadas valorizadas com vandalismo, pichações e consumo de drogas. Algumas das melhorias entregues para a comunidade estão em bom estado, enquanto outras sofrem com ataques de vândalos e criminosos.
PICHAÇÕES E VANDALISMO
As pichações, que são uma violência presente em diferentes cidades, deixam o rastro de criminosos em diferentes estabelecimentos. Portas e paredes de prédios históricos, comércios, lixeiras, placas de homenagens, nada escapa dos criminosos.
Em alguns prédios, os proprietários voltaram a pintar suas fachadas para valorizar o local. Qual foi o reconhecimento recebido? Novas pichações impunes.
Em relação à manutenção dos espaços, os ombrelones não foram localizados – apenas os postes de sustentação resistiram. A pracinha está com o portão quebrado, assim como alguns dos brinquedos e o piso do playground apresentam problemas.
Nas floreiras, os pinos para consumo de drogas são descartados e dividem espaços com tocos de cigarro e tampinhas de garrafas de cerveja.
Os consumidores se utilizam dos bancos juntos das floreiras para, na noite e madrugada, fazerem uso de substâncias ilegais. E, depois, descartam os pinos nas floreiras. E não são poucas unidades, prova que a drogadição é uma realidade no local.
A reportagem teve dificuldade de conseguir depoimentos públicos de moradores do trecho. Como os vândalos e drogados circulam impunemente, há temor de represálias ou ataques aos cidadãos.
CONTRASTE
Se por um lado existe este ambiente degradante, tem o outro viés. Donos de estabelecimentos e moradores do Calçadão lutam pra evitar que a depredação aumente.
As floreiras, em sua maioria, estão bem cuidadas. Existem voluntários e anônimos que ajudam na limpeza, poda e reposição de mudas. A iluminação é outro ponto positivo, com as novas luminárias ampliando a visibilidade e trazendo um layout diferenciado pro trecho.
Algumas fachadas foram revitalizadas e ganharam novas pinturas. Até porque, essa é uma região da cidade com concentração de importantes imóveis que ajudam a contar a trajetória do município.
Confira alguns imóveis com muita história no Calçadão:
– Edifício Minuano. É o primeiro arranha-céu (edifício) inaugurado em Novo Hamburgo.
– Prédio do antigo Cine Lumiére. Atualmente, ocupado por uma igreja.
– Antiga Café Avenida, na frente da Praça do Imigrante. Atualmente, ocupado por um comércio.
– Prédio do antigo Colégio Oswaldo Cruz, de 1929. Atualmente, é utilizado pela Comunidade Ascensão da IECLB.
– Antiga sede da Sociedade Ginástica Novo Hamburgo. Atualmente, Espaço Cultural Albano Hartz.
PREFEITURA
Diante destas agressões que sofre um espaço tão importante de Novo Hamburgo, a reportagem do Portal Martin Behrend questionou a Prefeitura se tem alguma medida preventiva ou exemplar que pode ser adotada, principalmente com mais policiamento ostensivo para flagrar os ataques. A Guarda Municipal tem uma base na Praça do Imigrante – que, igualmente, continua sofrendo a ação de vândalos pichadores.
A reportagem do Portal Martin Behrend questionou se o Calçadão poderia ter um cercamento eletrônico, com câmeras nas duas extremidades exatamente para poder identificar com mais fidelidade os criminosos que praticam vandalismo no local.
Confira abaixo os esclarecimentos da Prefeitura.
“A Guarda Municipal (GM) de Novo Hamburgo opera diariamente com duas
viaturas fixas no Centro, sempre com acréscimo de outras quando
necessário, além de quatro motociclistas escalados na zona central
da cidade. A noite é feito o revezamento de patrulhas com a
permanência de pelo menos uma viatura na área central.
A GM conta com dez
câmeras de monitoramento no entorno da Praça do Imigrante, que
englobam a Avenida Primeiro de Março, Avenida Pedro Adams Filho e
Rua Lima e Silva, além da Rua Gomes Portinho, que abrange a área
das Bancas.
A população pode
denunciar atos de infração e vandalismo para a Brigada Militar no
número 190, podendo também acionar a GM pelos números 3524-8737 e
o 153.
Uma equipe do Serviço Especializado de Abordagem
Social (SEAS) da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SDS)
também realiza de forma periódica a abordagem de pessoas em
situação de rua. Nas últimas semanas, vem realizando um intenso
trabalho de acolhimento aos moradores em situação de rua.
Na
concha acústica da Praça do Imigrante, por exemplo, onde muitos
dormiam, o trabalho foi concluído e todos foram retirados e
acolhidos nas vagas disponibilizadas em abrigos do Município. O
trabalho continua com o objetivo de acolher e orientar as pessoas em
situação de rua, encaminhando-os para os serviços da rede. Dessa
forma, os espaços de uso público ficam disponíveis para eventos e
ocupações já programados.”
