Burocracia ou burrocracia? Um ano depois, Prefeitura encaminha cobertura provisória de casarão histórico

Na manhã de 2 de fevereiro de 2021, a reportagem do Portal Martin Behrend foi acionada por leitores para conferir um incêndio no bairro Guarani, em Novo Hamburgo. Mas não era qualquer imóvel que estava sendo tomado por chamas.

Era o Casarão Friedrich, com mais de 150 anos de história.

Naquele dia, o Portal publicou a seguinte reportagem: “Incêndio atinge parte da estrutura superior do histórico Casarão dos Friedrich”. A matéria pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

A partir desse episódio, o que veio a seguir foi um roteiro onde a burocracia – ou a burrocracia – impediram que o Poder Público tomasse medidas de proteção ao patrimônio histórico de forma mais célere e focada na preservação de um bem valioso para a história do município e da região.

Ainda em maio do mesmo ano, a Prefeitura publicou o Decreto nº 9709/2021 de tombamento provisório do imóvel, medida fundamental para que a Prefeitura pudesse participar da proteção do prédio.

Para realizar a cobertura do imóvel e assegurar a integridade do patrimônio, a Prefeitura teve de abrir licitações para contração de empresas. Ninguém se interessou pelo serviço. Foram desertas.

Enquanto a burocracia forçava o município a agir com transparência, o patrimônio ficou descoberto. Chuvas, temporais, dias tórridos, vendavais. E a casa mais do que centenária desprotegida, vulnerável, certamente tendo sua estruturada fragilizada por esta exposição de longos meses.

A burrocracia impediu uma medida emergencial mais ágil.

E, agora, se os custos para recuperar o imóvel forem mais altos por esta falta de cobertura por tanto tempo, quem se responsabiliza? O Ministério Público? O Tribunal de Contas do Estado? Quem se responsabiliza pela incapacidade do “sistema” impedir uma postura mais rápida para proteger um patrimônio tão valioso para os hamburguenses?

Pois é… Burrocracia.

TRABALHOS

Com as licitações desertas, a Prefeitura, após vários meses de espera e de patrimônio exposto as forças da natureza, finalmente foi autorizada pelo sistema burrocrático a contratar uma empresa.

A colocação da cobertura provisória de parte do telhado do Casarão Friedrich, então, deve ser concluída nos próximos dias.

Os trabalhos, que estão tendo acompanhamento da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Serviços Urbanos e Viários (Semopsu), incluem limpeza do local, escoramento da estrutura, separação das telhas originais e a cobertura provisória, em lona, que mede aproximadamente 220 metros quadrados.

O imóvel é de propriedade particular, com data de construção estimada em 1845, e tem grande valor histórico, arquitetônico e cultural para o município.

O diretor de Obras Públicas da Semopsu, Paulo Schmidt, explica que a área está sendo limpa, os escombros estão sendo retirados e já feito o escoramento, que é fundamental para proteger a estrutura do prédio para receber a lona. Ele destaca que a previsão de conclusão dos trabalhos é dia 14 de fevereiro, mas devem ficar prontos antes.

Já a sub-procuradora de Meio Ambiente e Urbanismo da Procuradoria-Geral do Município, Cinara de Araújo Vila, que vem acompanhando a situação desde o tombamento provisório, lembra que as telhas originais da parte danificada foram separadas e guardadas para serem reutilizadas a partir de projeto de recuperação definitiva que está sendo elaborado pela família proprietária.

O tombamento provisório é parte do processo para o tombamento definitivo do Casarão como patrimônio histórico do Município. Isso, no entanto, não retira a propriedade do imóvel, que continua sendo da família e que ainda segue responsável pela sua conservação.

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