Atual presidente transforma Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo em terra de compadres

A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo está virando uma confraria de compadres. O atual presidente do Legislativo, Vilmar Heming (PR), vem trazendo prática que emplacou no Executivo para dentro do Palácio 5 de Abril: ele já empregou seu pai como secretário de Desenvolvimento Rural – Elton Francisco Rodrigues da Silva – desde o começo da gestão do prefeito Luis Lauermann (PT), que aceitou a desqualificada indicação. A quase invisibilidade de Silva no governo municipal rendeu o apelido de “secretário fantasma”. Embora, todo mês, seu salário de quase R$ 10 mil

esteja

visível na folha de pagamento da Prefeitura.

Agora, Heming permite nova prática de compadrio na Câmara. Cargos historicamente ocupados por concursados (ou FGs, Funções Gratificadas) estão nas mãos de CCs. Vereadores da base de governo estão indicando profissionais para ocuparem cargos estratégicos dentro da Câmara. Embora sejam funcionários do Legislativo, eles têm padrinhos dentro da casa legislativa. Na hora de uma decisão ou de uma polêmica, a quem eles darão mais atenção ou preferência? A seguir passo uma relação que exemplifica essa situação:

Procurador da Câmara – André von Berg é CC e atuou como procurador da Prefeitura na gestão do PT.
Coordenador da Imprensa – Liceo Piovesan é CC indicado pelo vereador Roger Corrêa (PCdoB).
Cerimonial/Relações Públicas – Alex Penz é CC e atou como coordenador de Comunicação da Prefeitura na gestão do PT.
Coordenador Legislativo – Maicon Silva é CC indicado pelo vereador Jorge Tatsch (PPS).

No papel, o panorama da Câmara é o seguinte: funções estratégicas dentro do Palácio 5 de Abril estão sob controle de vereadores da base e do Poder Executivo. No papel, é inegável que existe um visível desequilíbrio entre os interesses da comunidade de Novo Hamburgo (que espera isenção) e interesses individuais de alguns vereadores. No papel, temos a confraria de compadres.

Dentro desse espírito de vale tudo e desrespeito à instituição Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, temos a algazarra da Tribuna de Honra. Um espaço nobre, para autoridades e homenageados nas sessões do Legislativo – o nome já diz, “Honra” –, mas que se tornou uma espécie de sofazão para servidores, CCs e outros se esparramarem. Pior: quando um vereador solicita que um convidado ocupe a Tribuna de Honra, a turma invasora

levanta com um mau humor impressionante. Um dos mais assíduos frequentadores do espaço é o petista Gilnei Andrade, que costuma fiscalizar de cima se os vereadores da base governista estão obedecendo tudo que foi exigido pelo Executivo. A seguir, mostro video feito ontem para que os leitores entendam a situação:

https://www.youtube.com/watch?v=rPezUtmlOsc

Ninguém respeita a Tribuna de Honra. O espaço deveria ser sagrado, reservado, preparado, asseado para os ilustres convidados. É um lugar de honra ou não? Entrei em contato com a assessoria de imprensa da Câmara e recebi o seguinte esclarecimento:

“Agradecemos o seu email. Esse assunto será tratado na próxima reunião de coordenadores.”

Coordenadores? Precisa de reunião pra isso?

Ontem, o homenageado da sessão foi o advogado Adalberto Alexandre Snel por seus 65 anos dedicados à advocacia. No seu pronunciamento, ele enumerou algumas das suas iniciativas quando foi vereador. Dr. Snel, em pouco mais de cinco minutos, conseguiu demonstrar qual a importância de um vereador e como já se fez por esta cidade em anos bem mais sofridos e delicados.

Enquanto o homenageado

falava, prestei atenção no presidente. Heming

acompanhava atentamente o dr. Snel. Espero que tenha assimilado alguma coisa.

No começo de sua gestão, o vereador do PR entusiasmou a comunidade ao mostrar firmeza e ajudar a barrar um contrato de cerca de meio milhão de reais para investimentos em segurança no Legislativo. Arrancou tão bem, mas já se perdeu. O Palácio 5 de Abril, hoje, parece mais uma casa de compadres. Só falta instituir a hora da cuca e do chima.

PS: Lembrando que todos que atuam no Palácio 5 de Abril são funcionários pagos pela comunidade de Novo Hamburgo e devem servir aos interesses dos hamburguenses.

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