Atuação de empresa de patinetes em Novo Hamburgo provoca questionamentos de empresários e vereadora

Vereadora vem há quase um ano buscando informações sobre valores repassados ao Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público

Logo na segunda semana de mandato, em 2025, Finck anunciou que empresa de patinetes iria oferecer o serviço na cidade. PMNH/Divulgação

Um dos primeiros anúncios do mandato do prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), ocorreu em 8 de janeiro de 2025.

Na segunda semana após assumir como chefe da Prefeitura, ele comunicou que estava iniciando o processo para disponibilizar à comunidade mais uma opção de transporte e mobilidade urbana por meio de patinetes elétricos.

Finck recebeu em seu gabinete no Centro Administrativo Leopoldo Petry representantes da empresa JetSHR  para informar a população sobre a novidade. “Novo Hamburgo precisa estar atualizada com as tendências globais. Os meios de transporte e locomoção mudaram com o passar do tempo, e devemos estar conectados com esse novo momento”, afirmou.

Mais de um ano depois, os patinetes passaram a fazer parte do cenário de muitas ruas de Novo Hamburgo. Entre críticas e elogios, os equipamentos se tornaram alternativas de transporte, seja para deslocamentos ao trabalho ou por lazer. Milhares de pessoas se cadastraram. O próprio prefeito foi visto circulando e indo a eventos com os patinetes.

CRÍTICAS

Só que a presença dos patinetes também tem desagradado muitos hamburguenses. E os motivos são os mais variados.

Além dessas situações acima, empresários vêm procurando o Portal Martin Behrend, desde o ano passado, questionando supostos benefícios e vantagens:

 

 

FUNDO MUNICIPAL

Além de empresários intrigados com essa situação, a vereadora Luciana Martins (PT), fazendo uso da prerrogativa de fiscalizar os contratos do Poder Executivo, vem desde o ano passado tentando descobrir se a empresa JetSHR está contribuindo com valores para o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público (FUMUTP). A vereadora está reiteradamente questionando a Prefeitura sobre a relação dos valores mensais arrecadados da empresa JetSHR desde a regulamentação do serviço, em fevereiro de 2025.

Em julho, outubro e novembro de 2025, a parlamentar petista cobrou informações do governo Finck sobre os valores que estão ficando em Novo Hamburgo a partir da exploração dos serviços de patinetes.

O Portal Martin Behrend teve acesso a um requerimento, de dezembro de 2025, e recebido na Câmara em janeiro de 2026, assinado pelo prefeito Gustavo Finck e pelo procurador-geral do município, Vanir de Mattos. Neste documento, é informado que, ao longo do ano passado, não havia sido finalizado o credenciamento da empresa dentro da Prefeitura, especificamente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo. “A complexidade dos procedimentos e a necessidade de articulação intersetorial exigem paciência e rigor, mas o objetivo final de garantia da boa aplicação soa recursos públicos permanece inalterado”. Em outro trecho, o documento informa: “A fase de credenciamento, com suas exigências documentais e análises técnicas, é um requisito formal que antecede a efetiva exploração do serviço e a consequente geração da receita da FUMUTP”.

O resumo do documento é: passou um ano inteiro, a empresa lucrou livremente com os serviços, fez uso de toda infraestrutura da cidade e, até o começo deste ano, ainda não estava credenciada no município – olha a demora para uma empresa se regularizar na cidade.

Com isso, a empresa não tinha repassado valores ao Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público.

Nesta semana, a atuação da empresa também gerou muitas críticas em Gramado. Os impactos dos patinetes nas ruas e calçadas provocou críticas e questionamentos de vereadores gramadenses.

PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO

Há três semanas, o Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo. Foi oferecido espaço para esclarecimentos sobre as dúvidas e questionamentos. Até o fechamento da reportagem, o governo do prefeito Finck não teve interesse em se manifestar.

EMPRESA JET

Há três semanas, o Portal Martin Behrend procurou a empresa Jet. Foi oferecido espaço para esclarecimentos sobre as dúvidas e questionamentos. Após um retorno inicial da assessoria, não veio qualquer manifestação sobre as dúvidas da comunidade.

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