O coração histórico de Novo Hamburgo foi cenário, no começa
da tarde desta terça-feira, de um gesto condenável e de extrema insensibilidade.
Um morador de rua com cerca de 60 anos, que se abriga nas escadas e sob a
marquise do antigo Olá Maracanã, no bairro Hamburgo Velho, teve suas roupas,
cobertores e pertences queimados. Ele não estava no local quando o fogo
começou. O autor da ação, segundo relatos de testemunhas, teria sido um
comerciante que trabalha nas proximidades.
Uma funcionária de estabelecimento comercial instalado no
bairro passava pelo local quando o fogo começou a se alastrar pelas roupas e
cobertores. Ela fotografou as chamas consumindo os materiais. Vizinhos foram
alertados e precisaram usar extintor de incêndio para apagar o fogo. Ainda,
segundo testemunhas, o autor da ação chegou com um pote que deveria conter
algum líquido inflamável.
A advogada hamburguense Luciene Martins publicou um desabafo
no seu perfil no Facebook. Ela confirma que o senhor costuma pernoitar sob a
marquise e garante que todas as manhãs limpa o local. “Quando tem sol, ele vai
para a praça do relógio (Praça Guilherme Ludwig) e fica por ali. Não incomoda
ninguém”, garante. Segundo Luciene, os próprios vizinhos não se sentem
incomodados com a presença do morador de rua e tem quem ofereça alimentação
para o senhor. “Se alguém se sente incomodado ou tem algum problema, deve procurar as autoridades
competentes, seja a Prefeitura ou outro serviço social. Mas tocar fogo, ainda
mais estando nesses dias frios, é um gesto repulsivo”, completa.
Ainda nesta terça-feira, alguns hamburguenses se
solidarizaram com a situação do morador de rua e passaram a
arrecadar doações para levar até o local – a convocação foi feita pelas redes sociais. Se as pessoas não conseguem achar uma
moradia adequada para ele, ao menos estão estendendo as mãos numa tentativa de
garantir a mínima proteção nestas noites geladas para que este cidadão consiga
cumprir sua missão por aqui – por mais sofrida e indesejada que seja esta
caminhada.
