Em maio do ano passado, uma área verde pertencente ao
município de Novo Hamburgo começou a ser tomada por invasores. Fica na Rua
Floradora, ao lado da Praça Pastor Luiz Antônio Rodrigues da Luz. Foram
realizadas demarcações e, pouco a pouco, casebres foram sendo construídos. Alguns meses depois, as casinhas viraram chalés com antenas da Sky, carros
na garagem, vistosas caixas d´água, esquadrias e telhas de primeira linha,
paredes de tijolos, cercados, jardins, hortas, etc. A área pública se tornou um
condomínio irregular. Um terreno que pertence a todos os hamburguenses passou a
ter donos: os invasores.
Para “celebrar” este um ano de ocupação irregular numa área
verde do município, o governo do prefeito Luis Lauermann (PT) – que deveria
estar lutando para retomar um patrimônio de toda comunidade – levou serviços
públicos ao local. No sábado passado, a Prefeitura de Novo Hamburgo, por meio
da Secretaria de Saúde (SMS) e do Gabinete da Primeira-dama, realizou uma ação
com o objetivo de aproximar serviços de prevenção de saúde dos moradores do
bairro. Estiveram em frente à praça a junto da área ocupada o Ônibus da Saúde e
o Castramóvel, que realizou atendimentos aos animais de estimação da
comunidade.
No local, também ocorreu mais uma edição do Brechó
Solidário, que ofereceu roupas, agasalhos e calçados que foram doados ao
gabinete. Além disso, foram realizados serviços como corte de cabelo. No Ônibus
da Saúde foram feitas a verificação de pressão, testes rápidos de glicose, HIV
e sífilis, além de coletas de pré-câncer que já estavam agendadas.
O bairro Roselândia é reduto do vice-prefeito, Roque Serpa
(PTB). Tudo ocorre perto de sua residência. Em ano de eleição, a ordem é não
incomodar a população, mesmo que ela esteja fora da lei. A reportagem do Portal
Martin Behrend fez matérias mostrando a ocupação, foi recebida por moradores,
mas pouco aconteceu. A tendência é que esta área pública passe a ter donos,
incentivando mais invasões, irregularidades, prejuízos ao meio ambiente, entre
outras situações. Já o cidadão que paga aluguel, ou se endividou com prestações
para comprar a casa própria ou um terreno, a Prefeitura deixa um recado no ar:
deixa de ser otário e vai invadir algum terreno. O Executivo não vai se mexer.
