Em 7 de julho de 2011, a cidade de Novo Hamburgo inaugurava a primeira unidade da Casa e Cultura e Cidadania no Rio Grande do Sul. O projeto da AES Sul foi implantado no bairro Canudos e teve a parceria da Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS), e do Ministério da Cultura. O investimento foi de R$ 1,41 milhão, sendo R$ 1,21 milhão da AES Sul, com recursos próprios e através de leis de incentivo, e R$ 200 mil da Prefeitura de Novo Hamburgo. O programa é considerado o mais importante projeto de responsabilidade social do Grupo AES no Brasil e, no município, atende gratuitamente cerca de 300 pessoas por mês.
Contudo, o começo de 2015 trouxe ventos de preocupação e expectativa. Isso porque, circula junto aos pais, voluntários e frequentadores da Casa de Cultura e Cidadania a informação de que o espaço poderá encerrar suas atividades nos próximos meses. Por isso, no sábado passado, dezenas de pessoas realizaram um protesto pacífico alertando para o risco de fechamento da casa.
Houve cobranças para a AES Sul e também para o prefeito Luis Lauermann (PT).
Com faixas, cartazes e até apresentações artísticas, os integrantes da manifestação caminharam pelo bairro Canudos e chegaram a bloquear algumas ruas durante um determinado tempo. Tudo para poder externar essa preocupação e alertar outros moradores sobre a situação.
Entrei em contato com as assessorias da AES Sul e da Prefeitura de Novo Hamburgo. Recebi os seguintes esclarecimentos:
AES Sul – “Algumas atividades de férias não foram realizadas, mas a Casa de Cultura e Cidadania seguirá funcionando normalmente a partir do reinício das atividades. A AES Sul é a patrocinadora da Casa, mas estão sendo buscados outros parceiros que também possam patrociná-la, conforme prevê o conceito do projeto.”
Prefeitura de Novo Hamburgo – “A Prefeitura vem acompanhando a situação desde janeiro e trabalha com o objetivo de manter o serviço para a comunidade. O projeto não terá fim. Importante ressaltar que a AES Sul era a principal mantenedora do projeto. Sugerimos contato com a assessoria da concessionária para que explique os motivos que levam a essa desistência. No início do projeto, a prefeitura reformou o pavilhão e cedeu para o uso da empresa responsável pelos projetos educativos e de contraturno.”
Estas foram as manifestações oficiais de AES Sul e Prefeitura. Nos bastidores, contudo, especula-se que a questão envolva novos apoiadores e patrocinadores para manter e viabilizar o projeto. Haveria uma situação de chegada de novos parceiros, e isso não estaria ocorrendo. Embora as manifestações sejam claras em determinados trechos, como quando se afirma que “…a Casa de Cultura e Cidadania seguirá funcionando normalmente a partir do reinício das atividades” e “O projeto não terá fim”, é preciso olhar com ateção outro trecho da nota da AES Sul que deixa uma interrogação em aberto: “estão sendo buscados outros parceiros que também possam patrociná-la, conforme prevê o conceito do projeto.”
O que é a Casa de Cultura e Cidadania do Grupo AES no Brasil?
As Casas de Cultura e Cidadania têm por objetivo promover a transformação social das comunidades. Crianças e adolescentes de 6 a 17 anos são beneficiados com atividades gratuitas desenvolvidas diariamente em programas anuais. São oferecidos cursos de artes visuais, música, teatro, dança, artes digitais, artes circenses, área livre, projetos, ginástica artística e arte de contar histórias. Permeando as atividades, como tema transversal, é trabalhada a noção de consumo consciente, traduzido na relação com o uso eficiente e seguro da energia elétrica e o consumo responsável da água. Jovens e adultos realizam também cursos profissionalizantes e oficinas de geração de renda. A metodologia das Casas de Cultura e Cidadania é desenvolvida e coordenada por curadores das diversas linguagens e expressões artísticas, de renome nacional e internacional, que apoiam na formação das equipes de arte educação do projeto.
