Se saúde, educação e segurança estão com dificuldades em
Novo Hamburgo, o que resta para a cultura? O canto coral em Novo Hamburgo
recebeu mais uma notícia negativa nesta semana. O Coral Amigos da Câmara, com
atividades sendo realizadas na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, não terá
continuidade. Não é um fato isolado. No governo do ex-prefeito Luis Lauermann
(PT), o Coral Municipal também foi sepultado pelo ex-secretário da Cultura,
Carlos Mosmann (PT). Só um detalhe: em agosto de 2013, Lauermann sancionou a
Lei nº 2585/2013, com projeto aprovado pela Câmara. A lei diz que “Fica
tombado, como bem de natureza imaterial da cidade de Novo Hamburgo, o Canto Coral.”
Bah, ainda bem que a Prefeitura e os vereadores tombaram…
Segundo a regente do grupo, Líris Neumann, a confirmação veio nesta
semana. Ela explica que já no ano passado, o ex-presidente Antonio Lucas (PDT)
não repassou os recursos para a manutenção das atividades – cerca de R$ 40 mil
por ano para salário da regente, material de trabalho, uniforme, gastos
administrativos, entre outros custos. “Ficamos trabalhando mesmo sem receber,
pois tem o amor pelo trabalho. São mais de dez anos de dedicação neste
trabalho, com a comunidade podendo participar gratuitamente”, conta.
Segundo levantamento mais recente, 21 hamburguenses estavam envolvidos
com os ensaios e apresentações do grupo. Ela conta que desde o começo do ano
vem mantendo contato com a direção da casa. O grupo inclusive se apresentou
numa atividade do Legislativo. Segundo Liris, a Associação dos Artistas
Produtores de Artes e Afins (Arpa) foi comunicada da decisão em função do marco
regulatório que foi criado para acabar com a farra de entidades fantasmas pelo
Brasil que recebiam recursos públicos. “Só que o nosso caso é de um trabalho
realizado há mais de uma década, dentro da Câmara, com toda transparência
possível. Teria como buscar um mecanismo a fim de manter essa relação de
valorização da cultura”, frisa Liris.
Um vereador consultado pelo Portal Martin
Behrend comentou que haveria soluções
para manter a atividade. “Hoje temos gastos com tantas homenagens, sessões
especiais e outras situações. Se tivesse o devido reconhecimento e vontade
política o coral poderia seguir com sua contribuição”, avalia o parlamentar que conversou com a reportagem.
PRESIDÊNCIA DA CÂMARA
A presidente da Câmara de Vereadores, Patrícia Beck (PPS), destaca
que o principal motivo para definir o encerramento do Coral Amigos da Câmara envolve
o marco regulatório que foi criado para evitar distorções nos repasses dos
recursos Brasil afora. “É uma situação que vem de fora. É uma adequação que
precisamos passar”, comenta. Ela lembra que o grupo recebia recursos através de
subvenções e repasses do Executivo numa maneira de viabilizar as atividades. Segundo
ela, o valor solicitado pelo grupo seria de R$ 70 mil. “Num primeiro momento, a
ideia era prestigiar os funcionários da casa e, claro, a comunidade. Mas,
atualmente, a maioria dos integrantes não tinha vinculação com a Câmara”,
completa.
Patrícia Beck não descarta a retomada as atividades do Coral
Amigos da Câmara. Contudo, teria de ser numa nova relação com a casa. “No
passado, já havia sido pensada na criação de um cargo para a regente, uma CC.
Isso foi comentado em outros anos. Vamos ver se há interesse em seguir o
trabalho de uma outra forma”, frisa.
Após o fechamento do Coral Municipal e, agora, do Coral
Amigos da Câmara, fica uma sugestão: revoguem imediatamente a lei a Lei nº
2585/2013. O canto coral não precisa ser um bem de natureza imaterial do
município com esse tratamento do Poder Público. É uma questão de coerência.

























