Pegue uma administração autoritária e com perfil absolutista, conduzida por uma gestora estilo “dama de ferro”. Some-se a isso o atraso no repasse de recursos do governo de José Ivo Sartori (PMDB). Acrescente gastos descontrolados do Poder Executivo com publicidade, CCs e outras pequenas farras. Coloque tudo numa panela. Misture. Eis a receita para uma crise sem fim no Hospital Municipal de Novo Hamburgo.
Pegando o histórico das últimas semanas, foram revelados atrasos nos pagamentos da empresa responsável pela climatização e na terceirizada da área de segurança, que abandonou o serviço. Também há registros de falta de materiais de higiene e enxovais dos quartos. Na semana passada, por atraso no pagamento de fornecedor, não houve mais recebimento de carne – que sumiu da dieta de pacientes e funcionários. Além disso, o salário dos funcionários – sempre pago com antecedência – foi depositado em cima do lance.
A notícia mais recente envolve o fechamento de cerca de 15 leitos no Hospital Municipal. A informação foi confirmada por servidores que atuam na casa de saúde. Teria ocorrido uma realocação de pacientes, tendo reflexos diretos na quantidade de leitos oferecidos.
É fato que a crise na saúde pública brasileira é generalizada. Os atrasos nos repasses do governo Sartori acentuam as dificuldades. Em Taquara, o hospital fechou as portas. Em Gramado, houve intervenção administrativa da Prefeitura. Agora, também é sabido que existem bons exemplos e soluções dentro da própria administração. Mas, para isso, é preciso ter gestão capacitada e prioridades.
O Blog Martin Behrend entrou em contato com a assessoria de imprensa do Hospital Municipal de Novo Hamburgo. No meio desta semana, a assessoria confirmou recebimento da pauta. O objetivo seria aos hamburguenses a profundidade da crise na casa de saúde. Até o fechamento da reportagem, a direção do Hospital Municipal não prestou esclarecimentos à comunidade.
