Após descaso, Prefeitura aprendeu a lição: está garantido repasse para a Orquestra de Sopros de NH

Com mais de 70 anos, Orquestra de Sopros é considerada patrimônio de Novo Hamburgo

A Prefeitura de Novo Hamburgo tirou lições do vexame protagonizado, no ano passado, envolvendo a Orquestra de Sopros.

Em 2025, de forma radical, o governo do prefeito Gustavo Finck, e do secretário da Cultura e Turismo, Angelo Reinheimer, decidiu cortar em 100% o repasse de valores para o grupo.

Com mais de 70 anos de história e considerada por lei patrimônio histórico e cultural do município, a orquestra  teve de fechar as portas por meio ano. A repercussão foi estadual e nacional. Como uma cidade do porte de Novo Hamburgo, com gastos absurdos com CCs políticos e outras barbaridades, poderia tratar com tanto descaso um grupo com tão valiosa contribuição para diferentes gerações de hamburguenses?

A imagem do município e, em especial, do governo Finck, foi bastante prejudicada. A frieza com que os gestores do Executivo e da Secretaria de Cultura e Turismo, liderada por Reinheimer, trataram um patrimônio cultural de Novo Hamburgo chamou a atenção. Mas sempre é tempo de aprender e tirar lições.

TERMO

Nesta semana, o Executivo informou que a Orquestra de Sopros segue com suas atividades mantidas após a assinatura de um novo Termo de Parceria entre a Prefeitura e o Instituto Arlindo Ruggeri, responsável pela gestão do grupo.

O Termo de Parceria OSCIP nº 001/2026 foi assinado no dia 19 de janeiro e estabelece o fomento, por meio de apoio financeiro, à gestão da Orquestra de Sopros. A administração técnica, cultural e administrativa é executada pelo Instituto Arlindo Ruggeri. Se no ano passado Finck desprezou o trabalho do grupo, forçando a paralisação das atividades, neste ano o discurso foi diferente. “Sabemos a importância e a relevância da Orquestra para Novo Hamburgo. Estamos muito contentes por conseguirmos retomar esta parceria de forma plena”, disse o prefeito.

Na mesma linha de mudança de postura, o secretário de Cultura e Turismo, Angelo Reinheimer, salientou que a retomada da parceria representa mais do que um investimento financeiro. “A Orquestra de Sopros é um símbolo da nossa cidade e manter sua atuação é preservar memória, formação cultural e acesso da comunidade à música”, destacou.

Conforme previsto no termo, o valor global do repasse é de R$ 971.740,00, distribuído em parcelas mensais ao longo de 2026.

Reinheimer ressaltou que a parceria fortalece a política cultural do Município. “Quando o poder público investe em cultura, investe também em educação, cidadania e desenvolvimento humano”, afirmou, acrescentando que a OSNH cumpre um papel formativo e social relevante.

É, no mínimo, curiosa a manifestação do secretário municipal diante do que vem acontecendo no município, quando diversos eventos culturais foram prejudicados ou reduzidos de tamanho por ações de Gustavo Finck, incluindo as articulações para enfraquecer o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC).

O diretor artístico da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo, Gustavo Müller, destacou a importância da continuidade do trabalho desenvolvido pelo grupo. Segundo ele, o apoio do poder público é essencial para a manutenção das atividades. “É fundamental garantir esse investimento, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo orçamento público”, afirmou. Müller acrescentou que a orquestra já se prepara para a nova temporada, que inicia em março, com a promessa de belos espetáculos. Em breve, será divulgada a agenda completa de concertos do ano.

O termo de parceria tem vigência até 31 de dezembro de 2026, conforme o Programa de Trabalho estabelecido, com possibilidade de acompanhamento e avaliação das ações desenvolvidas.

HISTÓRIA

Criada em 1952, a partir da Banda Municipal, sob a regência de Arlindo Ruggeri, maestro fundador do grupo, a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH) é um dos conjuntos orquestrais mais antigos do Rio Grande do Sul. Com trajetória diretamente ligada à história do município, a orquestra marcou presença ao longo das décadas nos principais eventos oficiais e culturais da cidade.

Tombada como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Novo Hamburgo desde março de 2008, a OSNH conta com 32 músicos, distribuídos entre os naipes de metais, madeiras, palhetas, contrabaixo e percussão, mantendo uma formação instrumental baseada em instrumentos de sopro e percussão.

A Orquestra também é inspiração para centenas de jovens estudantes de Novo Hamburgo que participam do Núcleo de Orquestras Jovens e que sonham em fazer carreira na música.

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