Há muitas décadas, a Câmara de Vereadores hamburguense concede o honroso título de Cidadão de Novo Hamburgo.
O título honorífico é concedido anualmente pelo Poder Legislativo hamburguense para pessoas nascidas em outros municípios, mas com relevantes serviços prestados à cidade.
Em 2020, a distinção foi concedida para Emília Margret Sauer. Sua trajetória ligada à música, à formação musical de dezenas de hamburguenses e à criação do Instituto de Belas Artes de Novo Hamburgo – origem da Universidade Feevale -, entre outros engajamentos, motivaram a homenagem dos vereadores.
Neste domingo (16), Emília, ou Dona Emi, como era carinhosamente chamada, descansou. Aos 100 anos de vida. O anúncio do falecimento veio por meio de comunicado emitido pela Fundação Scheffel.
Nesta segunda-feira (17), a despedida ocorreu na Funerária Krause, e o sepultamento, no Cemitério Evangélico. O último ato público de uma pianista não pode prescindir de aplausos. “O ensino de arte do Vale do Sinos, em especial da cidade de Novo Hamburgo, agradece o privilégio de ter compartilhado o último século com a senhora, professora Emi. Obrigado, Dona Emi, fechamos as cortinas lhe saudando: bravo, bravíssimo!”, afirmou Angelo Reinheimer, curador da Fundação Scheffel e amigo de muitos anos da artista.
Dos 47 homenageados com o título de Cidadão de Novo Hamburgo, seis são mulheres – e uma delas é Dona Emi.
TRAJETÓRIA
Natural de Ijuí, Dona Emi nasceu em 25 de julho de 1922. Seis anos depois, mudou-se para Lomba Grande, após seu pai candidatar-se à vaga de pastor na Comunidade de Confissão Evangélica Luterana. Com a única irmã, Elizabetha, foi interna da Fundação Evangélica de Novo Hamburgo e, posteriormente, estudou música no conservatório Carlos Gomes, no Colégio São José, de São Leopoldo.
Após esse período, as duas atuaram como professoras da instituição por quatro anos. Juntamente à mãe, poetisa e escritora, Emi e Elizabetha criaram uma pequena escola na qual ensinavam música e idiomas. O desafio foi imposto à família após a morte do pai. Com o passar do tempo e algumas mudanças de endereço, o empreendimento cresceu e ganhou importância no município, transformando-se no Instituto de Belas Artes de Novo Hamburgo (IBA).
Pianista, Emi foi responsável pela formação musical de inúmeros alunos ao longo de sua carreira. Na década de 1960, mesmo tendo deixado a direção da instituição por apelo de seu marido, o austríaco Alfredo Häckl, prosseguiu trabalhando com canto orfeônico no colégio Visconde de São Leopoldo e musicoterapia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
Depois de viver em São Leopoldo, Emília Sauer retornou para Novo Hamburgo no início dos anos 2000, já octogenária, sempre disposta a receber aqueles que a procuravam para uma boa conversa sobre arte, música e cultura.

























