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Home Novo Hamburgo

A luta para retornar com a Oncologia SUS em Novo Hamburgo será intensa e desgastante

Redação | Martin Behrend Por Redação | Martin Behrend
04/05/2022 - 19:01
em Novo Hamburgo
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A sensação é de se estar voltando no tempo. Um regresso na linha da evolução.

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A perda do atendimento da Oncologia SUS no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, com reflexo direto na vida de milhares de pacientes e familiares hamburguenses, caiu como uma bomba. Embora o tratamento esteja assegurado aos pacientes pelo serviço da Oncoprev, vinculado ao Hospital Bom Jesus, de Taquara, é inegável o retrocesso em razão dos impactos no deslocamento, na diferença de infraestrutura dos hospitais, no afastamento da sede da Liga Feminina de Combate ao Câncer da rotina dos pacientes, entre outros aspectos.

Desde que o Portal Martin Behrend divulgou a mudança, em 8 de abril – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… -, um grande sentimento de indignação tomou conta da comunidade hamburguense em geral.

Como uma cidade do porte de Novo Hamburgo, com três hospitais e tantos pacientes, não conseguiu manter esse atendimento conquistado com muito suor e dedicação no passado?

FALTA DE RECURSOS

O elemento central desse episódio é: falta de recursos para o Hospital Regina manter os atendimentos diante da crescente demanda de moradores com câncer, gerando um desequilíbrio financeiro na instituição e causando longa fila de espera para novos pacientes.

Quem repassa os valores para a Oncologia SUS é o governo federal. O Ministério da Saúde tem a responsabilidade de financiar os tratamentos de média e alta complexidade. E o valor enviado pelo governo federal, segundo avaliações e comprovações, vem sendo insuficiente há muito tempo.

Esses cálculos foram sendo demonstrados. Isso foi sendo registrado e monitorado. Tanto que, em 2018, após uma das tantas mobilizações que teve início na região, alcançou o governo estadual e chegou ao governo federal, veio um “reforço” de pouco mais de R$ 1 milhão de Brasília. Só um detalhe: o pleito e a necessidade eram de R$ 7 milhões!

É também fato que essa alegação foi contestada pelo Ministério da Saúde, que em determinado momento argumentou que os recursos estariam indo, mas que a Secretaria Estadual da Saúde não estaria fazendo a distribuição correta e não estaria tendo uma gestão capaz de atender a crescente demanda da Oncologia SUS na região – já que, além de Novo Hamburgo, o Regina atendia pacientes de Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos.

Detalhe: há muitos anos, a Prefeitura de Novo Hamburgo tira dinheiro do seu orçamento, que poderia investir em outras áreas da saúde, e repassa pra Oncologia SUS. Não é obrigação legal do Executivo municipal, mas vinha sendo feito pra evitar um colapso maior nas contas do Regina. Os outros quatro municípios não aportaram valores, embora tivessem dezenas de pacientes em atendimento em Novo Hamburgo. Reforçando: a responsabilidade em garantir valores pra Oncologia SUS é do orçamento do governo federal.

Outro detalhe: os valores repassados ao Regina foram direcionados para Taquara pelo governo estadual. Na prática, são os mesmos recursos. A expectativa é saber como será a gestão de atendimentos em Taquara, já que o hospital hamburguense assegura que a conta não fecha, gerando um rombo milionário.

LIGA FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER

Desde a publicação de reportagem no Portal Martin Behrend, a Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo assumiu uma linha de indignação, inconformismo e resistência: Não aceitamos! Não ficaremos caladas! Vamos lutar pelos pacientes oncológicos!

A Liga já se reuniu com o Hospital Regina, Prefeitura de Novo Hamburgo, Secretaria Municipal da Saúde, Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, Aspeur (mantenedora da Universidade Feevale), Ministério Público Federal (MPF), políticos da região, lideranças comunitárias – em alguns casos, foram mais reuniões, como no caso da prefeita Fátima Daudt (PSDB). Já foram concedidas dezenas de entrevistas e reportagens para portais de notícia, emissoras de rádio e TV, e jornais.

A Liga não vai sossegar enquanto o serviço da Oncologia SUS não retornar para Novo Hamburgo. E junto com a Liga estão milhares de voluntários, pacientes e familiares.

Só que toda essa caminhada vai ser intensa e desgastante. O recurso que vinha para o Hospital Regina já foi redirecionado para Taquara. Tudo devidamente publicado e formalizado. Não tem como, num passe de mágica, fazer com que esse recurso volte para o Hospital Regina. A verba já foi alocada pra Taquara.

Além disso, o Regina está aberto ao diálogo e manter a Oncologia SUS – desde que haja uma nova repactuação. Não adianta retomar com os atendimentos se o rombo seguir – segundo o Hospital Regina, na relação Receita x Custo, o déficit do contrato com atendimentos SUS foi de R$ 14 milhões, somente em 2021. É um senhor rombo. Desta forma, a Oncologia SUS só volta pro Regina se tiver uma garantia de um contrato mais equilibrado financeiramente, ou seja, que os atendimentos ocorram e que a instituição seja devidamente remunerada para isso.

HOSPITAL MUNICIPAL

Em 20 de abril, o Portal Martin Behrend já sinalizou com os caminhos possíveis – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…. A estruturação da Oncologia SUS no Hospital Municipal surge como algo viável. Só que isso vai levar alguns anos, pois é necessário aguardar as obras do Anexo 2 – podem levar de dois a três anos.

Mas a Liga não desistir. O serviço precisa voltar para Novo Hamburgo.

E essa caminhada passará por um esforço do governo municipal, governo estadual e governo federal. Será necessário mobilização, articulação e pressões. A alegação de que não tem dinheiro soa como deboche, ainda mais quando o Congresso Nacional aprovou cerca de R$ 5 bilhões para financiar as campanhas de candidatos nas eleições deste ano.

R$ 5 bilhões pra “santinho” de político e não tem R$ 6 milhões por ano pra complementar Oncologia SUS?

Existem novos passos a serem dados. É um recomeço uma retomada. O papel do governo do Estado será importante, pois existe uma designação para onde vão os recursos. A Liga vai cobrar um compromisso do governo gaúcho para que, logo ali na frente, seja redirecionado valores para Oncologia SUS no município.

Segundo informado pela Câmara de Vereadores, de Novo Hamburgo, o próximo passo do Legislativo hamburguense para entender quais serão as alternativas em médio e longo prazo será estabelecer diálogo com a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann. Uma reunião está programada para o final da tarde da próxima terça-feira (10), em Porto Alegre.

Não será um caminho fácil. É preciso definir o local a ter o serviço de Oncologia SUS e a Prefeitura terá papel fundamental nisso. Hospital Municipal? Hospital Regina? Um novo serviço na cidade?

É preciso sensibilizar o governo estadual a garantir que, ali na frente, se direcione recursos pra este novo local de acolhimento dos pacientes.

Será necessário pressionar o governo federal a enviar mais recursos já que, infelizmente, cresce o número de pacientes com câncer.


É uma engrenagem complexa, que mexe com interesses políticos e econômicos. A Liga Feminina de Combate ao Câncer se prepara para uma das suas maiores cruzadas em quase 40 anos de história. Mas a razão de ser da Liga é dar suporte para pacientes de baixa renda. E, pelos pacientes, não existem limites para a Liga.

TRATAMENTO

Enquanto seguem as mobilizações e as reuniões para definir os novos caminhos, cerca de 900 pacientes hamburguenses estão começando seus tratamentos em Taquara. O contrato com o Hospital Regina se encerra em 26 de maio, e a fase atual é de transição.

Em nova reunião com voluntárias da Liga Feminina de Combate ao Câncer, na manhã desta quarta-feira (4), a prefeita Fátima Daudt destacou o fato de que hamburguenses na fila de espera estão sendo atendidos na oncologia. Até dezembro do ano passado, Novo Hamburgo tinha mais de 154 pacientes aguardando atendimento; hoje são menos de 30. E a tendência é zerar a fila em breve.

A Prefeitura hamburguense está providenciando o transporte porta a porta (busca em casa e leva até o hospital e, ao final da consulta ou procedimento, retorna até a casa do paciente em Novo Hamburgo).

Fátima também pediu para que as voluntárias da Liga ajudem a conscientizar os pacientes quanto à importância de seguirem o tratamento e aproveitarem a estrutura oferecida em Taquara. “A Liga presta um serviço fundamental na oncologia, inclusive na sensibilização dos pacientes, que vivem momentos de incertezas por causa da doença. Eles precisam seguir o tratamento”, enfatizou Fátima.

Durante o encontro, a prefeita reafirmou seu compromisso em lutar pelo restabelecimento do atendimento a pacientes oncológicos pelo SUS em Novo Hamburgo. “Tanto que já estamos fazendo estudos para levá-lo ao Hospital Municipal, que é 100% SUS”, disse.

“Queremos a oncologia em Novo Hamburgo e com todos os pacientes sendo atendidos. Não podemos ter fila de espera. Por isso, precisamos resolver esta questão de forma definitiva. E o Hospital Municipal, que é 100% SUS, é nossa alternativa”, destacou Fátima.

VEREADORES

Também nesta quarta-feira, a comissão especial instaurada pela Câmara de Vereadores para discutir o tema esteve em Taquara para conhecer as instalações do Hospital Bom Jesus. O grupo é formado pelo presidente Enio Brizola (PT), o relator Raizer Ferreira (PSDB) e a secretária Semilda – Tita (PSDB). Também acompanharam a visita o chefe do Legislativo, Cristiano Coller (PTB), e a vereadora Lourdes Valim (Republicanos). Sem agendamento prévio, os parlamentares foram recebidos pelo diretor da clínica Oncoprev, Ramon Ritter, pelo cirurgião Paulo Murassutti, pela diretora técnica do hospital, Andressa De Conti, e pela gerente administrativa, Cinthia Cambrai.

Na chegada ao Hospital Bom Jesus, um taxista, cujo ponto localiza-se em frente ao local, mostrou aos vereadores vídeo de pacientes que haviam chegado de Novo Hamburgo durante a manhã e aguardavam em fila para ingressar na instituição de saúde. “A gente precisa entender que é uma exceção. Estamos em regime de mutirão e temos até o dia 26 de maio para atender todo mundo. Pode ser que haja algum tumulto. Marcamos as consultas com horário, mas vão descer 40 pacientes aqui. Vai ter uma fila para identificar, todos terão que estar de máscara e, muitas vezes, vêm acompanhantes juntos. Depois de maio, a roda vai andar sozinha”, sinalizou Ritter.

Ele garantiu que um toldo deve ser construído para evitar que os pacientes fiquem expostos em dias de chuva. Segundo Andressa, o serviço já foi contratado; agora só falta o prazo de execução. Essa cobertura protegerá as pessoas desde a entrada da oncologia até o acesso à área de exames, trecho no qual os pacientes irão circular.

Conforme ele mostrou aos vereadores, há duas recepções com dimensões adequadas e bancos em uma área lateral. Ele informou aos presentes na vistoria que no próximo sábado estão programadas 74 consultas, sendo que apenas duas delas não são de cidadãos hamburguenses.

Sobre as expectativas quanto à qualidade dos serviços prestados na área, Murassutti revelou números que entusiasmaram os parlamentares. “Nós, em um trabalho inicial em câncer, reduzimos a mortalidade em 40%. Como se atende com dinamismo, tivemos uma média de início de tratamento em 6,2 dias. Isso nem o Hospital de Clínicas faz; ninguém faz. Hoje nós temos aqui cinco médicos oncologistas, a grande maioria com formação fora do país. O nosso grupo é muito bom e vocês vão ver à medida que as pessoas forem sendo atendidas”, acrescentou.

Durante os esclarecimentos sobre o trabalho desempenhado, ele relatou que cirurgias represadas na área já começaram a ser realizadas na instituição.


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