Elas estão na calçada há cerca de quatro anos.
São grades posicionadas no passeio público da Avenida 1º de Março, na frente do Paradão e ao lado da Casa das Artes, no Centro de Novo Hamburgo.
O cercado isola um pedaço significativo do passeio público localizado em frente a um prédio e comércios.
O que teria ali de tão importante para que o local permanecesse isolado por tanto tempo? Seria o ninho de algum animal protegido por lei? Ou, quem sabe, é o estudo para um poço de petróleo? Será que temos alguma exploração secreta ocorrendo naquele espaço?
A resposta envolve um impasse dos tempos da revitalização do Centro de Novo Hamburgo.
FOSSA
A área da calçada está isolada em razão de problemas da fossa do condomínio. A estrutura foi danificada e o piso ficou instável. Já houve registro de queda de pedestre – quando o local ainda não estava devidamente isolado. A pessoa ficou ferida após o chão ceder.
Segundo uma comerciante da região, o problema começou quando foram realizadas as obras de revitalização do Centro. A utilização de máquinas pesadas, fazendo o chão tremer, danificou a estrutura de fossa existente no local. “Eles mexeram bastante na calçada. Isso afetou a estrutura existente. Ficou um buraco, está tudo oco por baixo, pois parte da estrutura cedeu”, relata a empresária.
A situação do trecho bloqueado também é um risco aos deficientes visuais. Isso porque, o piso tátil existente no passeio público, que orienta os deficientes visuais, cruza no trajeto onde estão as grades, e já ocorreram episódios de as pessoas esbarrarem contra as grades.
Além disso, tem a questão estética, já que a presença das grades não colabora para deixar o passeio público mais arejado e harmonizado com as melhorias realizadas. Já nas questões sanitárias, outro problema: do buraco existente emergem ratos e baratas. “É assustador o tamanho de alguns ratos”, comenta a comerciante. O mau cheiro é outra constante, o que torna determinados momentos bem desagradáveis para quem trabalha e circula por ali.
Dentro do histórico de tentativa de resolução do problema, já foi realizado um laudo – pago por proprietários de imóveis no prédio – a fim de apontar um caminho para resolver esse impasse. Segundo estimativas, uma intervenção poderia demandar de R$ 50 a R$ 60 mil, sendo que este valor teria de ser pago pelo condomínio. “Nem todos têm essa condição”, acrescenta a comerciante.
PREFEITURA
A reportagem do Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo para saber qual a solução para esse impasse. Foi enviado o esclarecimento a seguir:
“O edifício possui um problema na fossa e a interdição foi em virtude dessa situação. Por tratar-se de um problema privado, o município não tem jurisdição para realizar a obra necessária, sem que sejam exauridos os trâmites para a cobrança dos proprietários do imóvel. O condomínio já foi notificado.
Uma avaliação está sendo realizada junto as secretarias de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Seduh) e Obras Públicas, Serviços Urbanos e Viários (Semopsu), inclusive com a possibilidade de ser marcada uma reunião com as partes envolvidas, visando uma melhor forma de conduzir o assunto e resolver o problema.”
